Mostrando postagens com marcador blogs. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador blogs. Mostrar todas as postagens

13 setembro, 2010

Irã, Honduras... Goiás !!! Aqui também o Twitter rompe a censura -atualizado

Já escrevi aqui sobre o uso das novas mídias para burlar a censura no Irã e à época do golpe,  em Honduras (aqui e aqui).



Devo confessar que pela minha experiência como blogueiro e leitor de blogues locais  não tinha muita esperança quanto ao mesmo acontecer tão cedo em Goiás. Vi que a coisa não seria tão fácil como acreditara em 2006.

Pois desde a semana passada me surpreendi com o Twitter. Tinha feito uma conta há tempos, mas estava inativa. Ativei no dia do debate dos candidatos a governador para saber se mais gente não estava conseguindo assistir pelo site do Popular e descobri que o problema não era só meu.

Continuei acessando e não é aqui também o Twitter está rompendo o bloqueio do silêncio?!

Experimente: acompanhe o @jornalx@altairtavares. Um  dois exemplos de hoje, do primeiro:

1 -  Acredite: a vontade de processar é tão grande de um governadoriável que tem até "carta do leitor" de um jornal sendo processada. Inédito.
2 - Colegas me avisam que eu posso ser processado por dizer que um governadoriável adora processar. Seria Kakfiano, não?

Atualização em 14.09 - A grande diferença em relação ao que acontece com os blogs locais é a  interação que o twitter permite.

Ao invés da solidão de raros 2, 3 comentários, no máximo, que são feitos nos  blogs, no twitter às vezes são dezenas de reproduções ou respostas aos tweets.

E ele ainda remete aos blogs, onde os assuntos são desenvolvidos em mais profundidade.


E não é que coincidentemente, esta madrugada foi publicado  artigo sobre ditaduras no  mundo e em Goiás no  blog Jornal X? Veja o título:



Eleições 2010
Marconi critica ditaduras de fora. E os ditadores de Goiás que sempre o apoiaram? Vai criticar também?
clique aqui para ler o artigo

26 maio, 2010

Propaganda governamental: Goiás é o terceiro em gastos

Ontem o Diário da Manhã reproduziu reportagem da Folha de São Paulo, do dia anterior, sobre os gastos com publicidade e propaganda dos governos estaduais.

Goiás é o 3° em valor gasto por habitante, perdendo apenas para o Distrito Federal e Tocantins. Em valor absoluto, é o quarto, atrás de São Paulo, Rio Grande do Sul e do Distrito Federal.

O total gasto por Goiás em 2009, segundo a matéria, foi de R$ 109 milhões.

Com esses números, o governo estadual retoma o nível de gastos apresentado em 2003 ( R$ 109,8 milhões) e 2006 (R$ 110,4 milhões), em valores nominais. Uma recuperação e tanto, considerado o tombo de 76% ocorrido nessas despesas em 2007 (R$ 26,4 milhões), como mostrei há dois anos.

Acabou, portanto, o prêmio de que desfrutou o prefeito Iris Rezende em sua reeleição à prefeitura de Goiânia, quando a queda nos gastos do estado potencializou a importância dos gastos da prefeitura, que passaram de cerca de 10% para quase metade daqueles, como também mostrei à mesma época ( em outubro de 2008, fiz uma análise mais aprofundada deste presente ganho por Iris).

Coincidentemente, no próximo sábado, a partir das 14h., apresentarei, no XII Intercom - Congresso de Ciências da Comunicação - Regional Centro-Oeste, o artigo Despesas com Publicidade e Propaganda de Governos do Estado de Goiás, em que apresento os montantes e a evolução dessas despesas no período de três governos, entre 1994 e 2006 (veja aqui a lista completa de trabalhos que serão apresentados).

Abaixo, o resumo do artigo:

O conhecimento dos atos dos governos, permitindo o seu controle, é da essência da democracia. Uma mídia independente e atuante é fundamental para que isso ocorra. Na América Latina, a ação dos governos, em especial no controle da distribuição das verbas de publicidade e propaganda, dificulta sua efetivação. No Estado de Goiás, verificou-se, num período de doze anos, valores altos para essas despesas, em termos absolutos e relativos, além do seu aumento real ao longo dos anos.

08 fevereiro, 2010

Enfim, museu sem teto na chuva vira notícia

O Diário da Manhã publicou hoje matéria sobre o Museu de Arte de Goiânia, que com a reforma inconclusa, está sem teto na chuva.


Confira a reportagem e sequências de fotos mostrando a situação do MAG nas cinco postagens do blog Amigos de Museus.



28 novembro, 2009

Caixa de Pandora - Melhor cobertura é do Congresso em Foco -Atualizado

Manual Prático de Administração Pública e de Campanhas Eleitorais

O Congresso em Foco está dando um show na cobertura do escândalo de corrupção no Distrito Federal revelado a partir da operação da polícia federal.

Um dos artigos é sobre o "mensalinho" que seria pago aos deputados distritais, descrito pelo ex-secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal, Durval Barbosa, aos promotores do Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (NCOC) do Ministério Público do Distrito Federal (MPDF), em 16 de setembro.

No artigo há um link para baixar dez páginas do depoimento - um relatório detalhado dos bastidores do financiamento das campanhas eleitorais e da compra de apoios para a escolha de candidatos e o controle do legislativo.

Como surgiu o "arrependido" brasiliense

Logo nas duas primeiras páginas, informações impressionantes que ainda não foram destacadas. Primeiro, o motivo alegado por Durval para transformar-se, ao que tudo indica, no Buscetta da política brasileira: apesar de ter tido um papel decisivo na candidatura e eleição de Arruda, depois de eleito ele o perseguia. O desgaste teria levado ao fim do seu casamento (em que teve uma filha de 4 anos e um filho de um ano e 7 meses) , "numa situação irremediável";

A perseguição se daria em várias frentes:

1) o Correio Braziliense, a cujo presidente, Álvaro Teixeira da Costa, Arruda teria "pedido a cabeça" de Durval. Para atender ao pedido, Teixeira da Costa teria acionado "os mecanismos do jornal para mover uma campanha difamatória contra o depoente";


2) o Tribunal de Contas do DF, ao qual Arruda teria determinado rigor na apuração da gestão de Durval, no governo anterior, na CODEPLAN ;

4) entrevistas de Arruda, "desmerecendo a área de informática do governo anterior", e atuação de auxiliares a quem teria orientado a fazer o mesmo;

4) Finalmente, e o mais surpreendente, membros do próprio Ministério Público, a quem Arruda teria pedido "empenho no sentido de prender o declarante para desmoralizá-lo".

Atualização em 29.11.09

Assim que publiquei o post voltei ao Congresso em Foco e eles tinham acabado de publicar artigo sobre a "campanha difamatória". Só não mencionaram a separação.

Hoje, na Folha, Janio de Freitas usa o mensalão de Arruda para sintetizar o Brasil da redemocratização, em especial após o fenômeno da "base aliada", criada por FHC e aperfeiçoada por Lula.

13 novembro, 2009

O drama do blogueiro é o mesmo da imprensa

Sinto não estar conseguindo manter a regularidade na postagem, mas ficou impossível continuar dedicando ao blogue tanto tempo como fiz nos seus primeiros quatro anos.

Sem isso, não há como fazer qualquer coisa que mereça ser publicada, com o devido cuidado e profundidade, seja a partir de uma pesquisa original, seja a contextualização de matérias publicadas pela imprensa.

Na verdade, é o mesmo drama da imprensa em geral e em especial, da regional: produzir informação de qualidade custa muito caro. Quem paga?

Tiago Dória escreveu a respeito recentemente, com foco nos projetos corporativos, a propósito do encerramento de mais um saite de "jornalismo cidadão":


Do ponto de vista de negócios, é bem complicado o chamado “jornalismo cidadão” ter renda direta capaz de sustentar uma produção mais consistente, até por que acredito que seja algo ligado bem mais a uma economia não-monetária, em que as moedas são reputação e atenção.


Lúcio Flávio Pinto, que começou a produzir o Jornal Pessoal antes da internet (link à direita da página, em Fora do Eixo), abordou o assunto na perspectiva de quem trabalha sozinho, exemplificando com a logística envolvida numa reportagem que fez para o Estadão, na década de 70:

Memória

Leitores deste jornal manifestaram, através de debate travado no blog Quinta Emenda, que eu substituísse o site do Jornal Pessoal por um blog. Disse que gostaria realmente de ter um veículo diário de informação, necessário e até vital diante da abulia e dos compromissos da grande imprensa, mas o projeto é inviável. O site, que criei no ano passado, serve de abrigo para as matérias do JP, permitindo que elas sejam lidas por um público imensamente maior (ao menos em potencial) do que o alcançado pela versão impressa em papel, circunscrita a Belém e arredores.

Já o blog teria que apresentar matérias novas, do dia, se possível, exclusivas; se não, pelo menos, atualizadas e completas. Isto requer dedicação integral. Para fazer um blog assim, profissional, eu viveria de quê? Do blog? Mas com que roupa? Com muitos anúncios baratos ou poucos anúncios caros. De onde eles viriam? Admitindo-se que eles existam (no que descreio), significaria renunciar a uma opção editorial de 22 anos, da qual não pretendo mais me afastar, já entrado nos 60 anos de idade, mais de 43 de profissão. Sem falar que um blog, como o que os leitores querem e do qual realmente precisam, significaria o fim do Jornal Pessoal impresso. Tal blog representa investimento razoável.

Na justificada reação à grande imprensa, por seus erros do passado, renovados no presente, os leitores que circulam pela internet subestimam um aspecto importante da razão de ser dos grandes jornais: produzir informações custa caro, cada vez mais caro - e com dificuldades crescentes. Não press-releases ou comentários vagos e abstratos, mas aquelas informações que registram a dinâmica do cotidiano.

Dou só um exemplozinho pessoal: para fazer uma reportagem sobre a enchente de 1976, a segunda maior do século passado na Amazônia, fui de avião de Belém a Altamira, segui de carro para o porto de Vitória, onde fretei um barco, que me permitiu descer o Xingu e atravessar o Amazonas para a margem esquerda, parando em Almeirim, Prainha, Monte Alegre e Santarém. Fui de avião para Manaus e de lá peregrinei de barco por Manacapuru, Parintins e arredores da capital amazonense. Voltei de avião para Belém, depois de duas semanas de trabalho, com tudo (incluindo hotéis, hospedagem e outras despesas) pago por O Estado de S. Paulo. O resultado desse investimento (bem acima de 10 mil reais de hoje) foi uma grande (ao menos no tamanho) reportagem sobre a cheia de 1976, com informações de cada um dos locais importantes para a avaliação do tamanho da cheia, dos seus efeitos e desdobramentos. Qual blog pode assumir esse investimento?

Por tudo isso, espero que meus leitores aceitem a situação atual, sem nunca deixar de apontar-lhe as falhas e cobrar mais.

LFP @ outubro 1, 2009

Leia também:

Só mais três dias - Solidariedade a Lúcio Flávio Pinto

No Pará é assim... 2

14 agosto, 2009

Só mais três dias - Solidariedade a Lúcio Flávio Pinto (atualizado)

Últimos dias para apoiar

Participe. No dia 16 se encerra o prazo para aderir ao abaixo-assinado em solidariedade ao jornalista Paraense Lúcio Flávio Pinto. No mês passado, Lúcio Flávio foi condenado a indenizar um dos proprietários da afiliada local da Rede Globo e do jornal O Liberal e também proibido de referir-se a ele em seus artigos.

A condenação mobilizou vários dos blogues de maior audiência do país numa campanha em solidariedade a Lúcio Flávio. Essas iniciativas estão relacionadas no Blog Solidariedade a Lúcio Flávio Pinto, onde são recolhidas as assinaturas. Lá também é possível comprar o livro que ele acaba de lançar contando a história toda e é indicada a conta-corrente em que podem ser feitas doações. Luis Nassif reproduziu carta que ele escreveu logo após a condenação, justificando sua ausência em solenidade em que receberia mais um prêmio, em São Paulo.

Um cronista do Brasil fora do eixo

Descoberto agora pela blogosfera nestas circunstâncias lastimáveis, Lúcio Flávio não era nenhum desconhecido - é um grande nome do jornalismo brasileiro, ganhador de importantes prêmios nacionais e internacionais. Seus artigos, originalmente publicados no seu Jornal Pessoal, são frequentemente reproduzidos no Observatório da Imprensa. Na sua cobertura da política e da imprensa paraenses faz a crônica da estrutura que se consolidou em quase todo o Brasil durante a ditadura e não sofreu grandes abalos no último quarto de século.

Aqui no entreatos ele apareceu pela primeira vez há 3 anos, quando reproduzi seu artigo Jornalismo de Verdade e Jornalismo de Aluguel, sobre as conseqüências de uma imprensa dependente das verbas oficiais. No mesmo post, contei sobre a agressão de que fora vítima, por parte do mesmo empresário a quem agora foi condenado a indenizar, num restaurante de Belém.

Fazendo a diferença nas bancas de Belém


Lúcio Flávio escreve e edita sozinho o Jornal Pessoal, quinzenalmente disponível em bancas de Belém. Num artigo escrito em 2006, por ocasião do aniversário da publicação, ( A utopia do jornalismo, 19 anos depois) ele registrou que tinha ultrapassado a longevidade de sua inspiração, o I.F. Stone's Weekly, um marco da imprensa independente americana, que começou a circular em janeiro de 53 e foi até 71 ( começou com 5.300 assinantes, entre eles Einstein e Eleanor Roosevelt, e tinha 66 mil quando terminou). O texto é uma belíssima reflexão sobre o jornalismo.


Nada melhor para mostrar o significado do Jornal Pessoal que o contraste entre sua primeira página as de outros jornais paraenses. Abaixo, a edição da segunda quinzena de setembro de 2006 e as edições disponíveis em 14 de dezembro de 2007 de alguns outros jornais do estado:








Atualização em 14.08 - Hoje será feito um protesto virtual contra a condenação de Lúcio Flávio:

Hora: 15h às 16h

Como participar: Do seu computador, envie mensagens de protesto (abaixo) à 4ª Vara Cível de Belém (4civelbelem@tj.pa.gov.br); ao presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador Rômulo José Ferreira Nunes (des.romulo.nunes@tj.pa.gov.br); e pelas seções Fale Conosco e ORM Repórter, do Portal ORM (www.portalorm.com.br/faleconosco/capa/default.asp e www.orm.com.br/projetos/ormreporter/envianoticia.asp).

Pedimos aos participantes que, se possível, enviem as mensagens com cópia a protestolfp@gmail.com, a fim de que se estime o número de pessoas envolvidas com o protesto.

Ajude também a divulgar esta iniciativa pelo messenger, orkut e outras redes sociais, skype, blogs, listas de discussões e/ou websites.


05 julho, 2009

Honduras- on line, real time

Depois do Irã, agora as novas mídias mostram suas possibilidades em Honduras.

Estou assistindo à Telesur cobrindo ao vivo o retorno do presidente expulso do país, inclusive por telefone direto do avião que o transporta ( agora há pouco, faltavam 30 minutos para entrarem no espaço aéreo do país). Neste exato momento, o correspondente em Tegucigalpa, ofegante, noticia a repressão da polícia contra o público que se aglomera no aeroporto. A polícia está disparando e atirando bombas de gás lacrimogênio contra o público. Segundo o canal, já haveria dois mortos.

No Twitter, #Honduras.

PS1. A Al-jazira está reproduzindo as imagens da Telesur.

PS2. Em Tegucigalpa são 3 horas a menos que Brasília.

PS3. 20:45 - Caminhões atravessados na pista impediram que o jatinho com o presidente pousasse. Disponíveis imagens da repressão e suas vítimas (chocantes, como as do Irã).

PS4. Reportagem do El País, com a identificação do rapaz morto, que tinha 19 anos. Foi atingido na nuca, enquanto fugia dos disparos. O artigo define claramente a situação como Golpe de Estado.Registra: a existência de vários feridos a bala desde o início do toque de recolher e a sua não inclusão na cobertura da mídia local.

PS5. Cobertura do Crítica de La Argentina.

PS6. Na BBC, vídeo mostra o momento em que a polícia abriu fogo contra a multidão que arrancava a cerca do aeroporto.Há ainda comentários dos leitores hondurenhos e uma análise do correspondente em Tegucigalpa, destacando o gosto do presidente Zelaya pelo drama e a baixa aprovação popular que tinha (30%).

PS7. ( em 06.07, às 18:25) - Matéria no site Noticias 24 horas mostra como os hondurenhos estão usando a internet para mostrar o golpe ao mundo. A banda larga via furando a censura aos meios de comunicação do país, via Youtube. Trecho mostrando qual o equipamento mais utilizado:

Sólo un 11% de los hogares de Honduras tiene computadoras y un 68% televisiones, aunque por el contrario el 70,8% de la población usa teléfonos celulares, según datos del Instituto Nacional de Estadísticas actualizados en 2008.

PS8- Washington, D.C., 6 de julio de 2009.- La Relatoría Especial para la Libertad de Expresión de la Comisión Interamericana de Derechos Humanos (CIDH) condena el asesinato del periodista radial, Gabriel Fino Noriega, ocurrido el 3 de julio de 2009, en San Juan Pueblo, Honduras.


PS Final (em 07.07) - No El País, bela matéria do enviado especial sobre os últimos acontecimentos. Começa dizendo parececer que Isis Obed, o rapaz de 19 anos morto com um tiro na nuca, era o único que não sabia o roteiro do Golpe de Estado. Tanto o presidente deposto como os golpistas já se dispuseram a resolver a questão pelas vias diplomáticas, deixando de lado os arroubos de domingo. Incríveis continuam sendo as afirmações dos golpistas: agora, além de "isto não é um golpe de estado", acrescentaram " os militares não dispararam contra os manifestantes", a despeito de toda a imprensa que estava presente ter testemunhado o contrário. No Crítica de La Argentina, entrevista com o pai do rapaz, pastor evangélico, que descreve o que aconteceu no domingo e garante ter o tiro partido de um franco atirador. Segundo ele, quem está por trás da repressão do domingo é Billy Joya, coronel das Forças Armadas que foi para a reserva nos anos 80 por violações gravíssimas aos direitos humanos e que agora assessora o governo. No mesmo jornal, artigo contextualiza o golpe hondurenho na tradição latinoamericana, mostrando seu anacronismo. No Nuestro País, da Costa Rica, uma série de fotos mostra o sofrimento da família.


A mãe junto ao corpo do filho

01 setembro, 2008

A prisão de Daniel Dantas - 5 - O novo grampo da Veja

No texto anterior desta série, reproduzi trecho de matéria do Estadão, do dia 14 de julho, em que o Senador Demóstenes Torres descartava o impeachment do presidente do STF ( A prisão de Daniel Dantas - 4 - Outro Goiano).

Na polêmica desta semana, a Veja denunciou que uma conversa do senador com o presidente do STF no dia seguinte àquela matéria teria sido grampeada, o que já fez com que o impechment surgisse de novo no noticiário, mas desta vez do presidente da República, e mencionado pela oposição.

Abaixo, um breve guia de onde ler boas análises do episódio:

1. Veja, Demóstenes e a Abin - Em que Luis Nassif relembra outra matéria da revista, de março de 2005. Nela, a revista também dizia ter-se baseado "em um araponga da ABIN para concluir que as FARCs tinham bancado R$ 5 milhões para a campanha do PT. Era uma matéria inverossímil, pois afirmava que esse dinheiro chegou até os candidatos através de 300 empresários – como se fosse possível conduzir sigilosamente ação de tal envergadura." Depois de dar detalhes do caso, abordado na sua série sobre a revista ( clique no banner no alto da página para acessar), conclui que "agora há uma nova matéria, com os mesmos personagens: Veja, seu diretor de redação Policarpo Jr., um agente da ABIN (seria o mesmo coronel?) e o senador Demóstenes Torres. E o presidente do STF, Gilmar Mendes, que há meses vêm estrelando várias matérias sobre supostos grampos de que foi vítima."

2. Apoteose mental - Comentando as declarações bombásticas do presidente do STF a partir da reportagem, Nassif conclui :

É a mais canhestra tentativa de golpe de estado da história do país. Como coisa que tivessem cacife para isso.

É sabido que a Satiagraha flagrou jornalistas, advogados, juizes e parlamentares. Cria-se uma crise do nada, ameaça-se com o impeachment do presidente - como se tivessem essa bola toda. Mas resolve-se tudo numa boa se o presidente afastar Paulo Lacerda, fornecer os elementos para a absolvição de Daniel Dantas e livrar todos os pobros cidadãos flagrados pela Satiagraha. Volta a paz, acaba o incômodo com o grampo de Gilberto Carvalho e a lei - ora a lei! A palavra final sobre a lei é do presidente do Supremo, ora.


3. Teje demitido! Quem? - Nassif analisa a cobertura da grande imprensa, repercutindo a matéria da Veja. Conclusão:

Demitir quem? Como tomar qualquer decisão se não se tem a mínima evidência, até agora, sobre quem realizou o suposto grampo? A matéria é taxativa: “Ele (Lula) determinou ao diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, que demita sumariamente os responsáveis pela escuta ilegal”.

Ou seja, o governo não tem a menor idéia de quem realizou o suposto grampo, mas exigiu a imediata demissão dos responsáveis pela escuta. Só o Cacique Cobra Coral para resolver esse dilema.

Todo esse alarido em torno de um caso em que não foi apresentada, até agora, nenhuma prova material da suposta escuta. E em que os personagens envolvidos são os mesmos personagens que avalizaram uma reportagem falsa: a história do dinheiro das FARCs para a campanha do PT em 2006.


4. Respiros de jornalismo - Nassif reproduz artigo de Fernando Barros da Silva, publicado na Folha, intitulado Muito Além dos Grampos. Trecho: "Sim, é grave, é gravíssimo o grampo contra Gilmar Mendes. E também muito estranho: é a primeira vez que a revelação do conteúdo de uma escuta telefônica ilegal é boa para os dois grampeados."

5. A República em polvorosa, por Alberto Dines, no Observatório da Imprensa, destacando na conclusão que "como sempre acontece, a revista rodou na sexta à noite, mas antes disso os grandes jornais já recebiam o material para abrir trepidantes manchetes nas edições de sábado".

6. A volta da arapongagem, por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa, que conclui : "o fato de a conversa entre o senador e o presidente do STF ter sido gravada apenas quinze dias depois da Operação Satiagraha coloca outra vez o banqueiro Daniel Dantas entre os suspeitos. Mesmo assim, tudo ainda é especulação, e o melhor que a imprensa pode fazer é divulgar todas as possibilidades. E não aceitar informação de origem duvidosa. "

7. Veja, Gilmar Mendes e suas mentiras - No Biscoito Fino e a Massa, o professor Idelber Avelar rememora as histórias de grampos envolvendo o STF e analisa as recentes declarações do seu presidente a partir da retórica.

17 agosto, 2008

"Penso, logo google"

Artigo na edição de hoje do The Observer mostra o enorme poder do Google, que completará dez anos no mês que vem, e a preocupação que isso causa.

Google, 10 years in: big, friendly giant or a greedy Goliath?

Every day, all over the world, millions of us use Google. Founded 10 years ago by two students, it is now so powerful that it threatens to swallow up all other media while global leaders queue for its blessing. But just as we seek knowledge from Google, so Google gleans secrets from us. Has the cool baby grown up into a sinister corporate threat to privacy? David Smith reports

(leia a íntegra aqui)

01 agosto, 2008

Três anos no ar

Anteontem o blog completou três anos.

O primeiro artigo tratava do resultado da seleção de projetos a serem beneficiados pela Lei Municipal de Incentivo à cultura - a primeira feita pela nova gestão municipal ( "Resultado da Lei Municipal de Incentivo à Cultura"). Tratando de um dos aprovados, alertava para "um descuido da comissão responsável na análise desse projeto".

Infelizmente, não era descuido, mas apenas o primeiro sinal do que viria, como mostra a leitura dos artigos posteriores.

Fazendo um balanço, foram 318 artigos publicados, um a cada três dias e meio.

Os acessos chegaram a 15.505 - atualmente cerca de 25 por dia. Um aumento espetacular em relação ao primeiro ano, em que houve 1.251 acessos, numa média de 3 por dia ( "Um ano no ar"). No mais, as constatações feitas à época continuam válidas.

Um único acréscimo: essa é uma atividade muito dispendiosa. Conclusão: é impossível manter o mesmo ritmo.

Mais uma vez, agradeço a todos que tem prestigiado o blog.

11 julho, 2008

A prisão de Daniel Dantas - 3 - Guia atualizado

Se alguém ainda tinha dúvidas, este episódio consolida a nova realidade midiática, com a internet em destaque.

Um pequeno guia sobre onde encontrar as novidades e as discussões travadas na rede sobre o
caso:

Já havia mencionado a cobertura do Terra Magazine, Bob Fernandes à frente, que deu a notícia em primeira mão e tem trazido matérias exclusivas com bastidores da operação.

No Blog do Frederico Vasconcelos, atores importantes de casos clamorosos ocorridos nos últimos anos discutem aspectos jurídicos do caso.

No Luis Nassif on line , a discussão mais ampla sobre os desdobramentos do caso e a atuação de Dantas, em especial suas relações na mídia.

No Biscoito Fino e a Massa, também a discussão ampla, como por exemplo em Operação Satiagraha: o ranking do nervosismo.

No Imprensa Marrom, destaque também para a discussão dos aspectos jurídicos e uma contextualização do caso, lembrando a atuação de Gilmar Mendes no governo de FHC, antes de ser nomeado por ele para o STF.

Atualização às 20:10

1. Procuradores divulgam carta de repúdio a habeas corpus concedido por Gilmar Mendes - Quarenta e dois procuradores da República divulgaram nesta sexta-feira (11) uma carta aberta à sociedade brasileira, na qual lamentam a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes no habeas corpus que tirou o banqueiro Daniel Dantas da prisão pela primeira vez, no dia 9 de julho.
( clique aqui para ler a íntegra, inclusive a carta, no UOL).

2. 130 Juízes Federais protestam contra Gilmar Mendes - Depois dos procuradores se manifestarem contra o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, agora 130 juízes federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul divulgaram carta de apoio ao juiz federal da 6ª Vara, Fausto Martin De Sanctis, responsável por expedir o pedido de prisão do banqueiro Daniel Dantas.
( clique aqui para ler a íntegra, inclusive a carta, no UOL).

3. Maierovitch: "Gilmar Mendes merece impeachment" , no Terra Magazine.

4. Nota da Associação dos Juízes Federais do Brasil - AJUFE

5. Nota da presidente do TRF-3, divulgada na noite do dia 11.07

6. Nota daa Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), divulgada no dia 11.07

7. Nota da Associação de Delegados da Polícia Federal, divulgada na noite do dia 11.07

8. Nota da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB)

9. Protestos contra STF geram mal- estar e dúvidas no Judiciário -
Análise da crise e seus possíveis desdobramentos, por Frederico Vasconcelos e Ana Flor, na Folha Online.

10. Greenhalgh antecipa voto do STJ - do Estadão, com trechos do inquérito da PF onde gravações mostram a influência de Dantas no STJ e STF.

11. "O senhor está preso", diz delegado a Dantas - do Terra Magazine, descrição da segunda prisão de Dantas, num escritório onde entre os vários advogados estavam filho de desembargador e desembargadores aposentados.

12. Mirza e a plêiade de advogados de Dantas - reprodução de artigo da Teletime News, feita por Paulo Henrique Amorim, mostrando escritórios a quem a Brasil Telecom pagou irregularmente R$ 52 milhões para defender o Opportunity, então em conflito com com os sócios majoritários da empresa.

Atualizado em 13.07, para inclusão dos itens 5 a 12.

09 julho, 2008

Credibilidade sob risco IV- a fonte

Descobri quem deu em primeira mão a notícia do episódio de ontem no TRE. Foi o blog Faxina Geral. Confira:

08/07/2008 17:13

o73) TRE GO


Agora a pouco. O representante do MPE Cláudio Drewes, disse à Corte e em especial à Desembargadora Beatriz de Figueiredo Franco Presidenta do Tribunal, que estava entrando com representação para que ela se afastasse a Presidência daquele Tribunal já que em período eleitoral poderia haver muitas ações envolvendo políticos ligados ao Senador Marconi Perillo PSDB!

A Desembargadora respondeu que "havia muito tempo, mais de um ano, que ela por si própria não julgava casos do Ex-Governador e atual Senador e que estava sabendo agora quem estava manipulando a imprensa por que há mais de trinta dias a notícia que ele pediria seu afastamento havia vazado" Mais: chamou o Estado de policialesco, igual da Ditadura Militar, e perguntou se o Corregedor havia recebido algum pedido do MPE.

O Desembargador Vitor Lenza, Corregedor, respondeu que não e disse que quando recebesse iria analisar e tomar as medidas necessárias.

Drewes disse que não havia Estado policialesco e que há mais de um ano o próprio TRE havia autorizado a escuta...

A Desembargadora então disse que não se afastaria da Presidência e começou os julgamentos!
A síntese do que se passou agora pouco no TRE GO é esta!



Logo em seguida:

08/07/2008 17:27

p73) Nota à imprensa.


Da Desembargadora Beatriz de Figueiredo Franco:

"Não conheço o teor da ação ajuizada por um Procurador da República. Porém, esclareço que tais fatos não são novos, já tendo sido analisados pelo TJ de Goiás.

Ressalto a todos que sempre atuei cumprindo a lei e nunca mudei minha posição por questões pessoais.

Minha atuação como membro do TJ e à frente do TER é do conhecimento de toda a população goiana, posto que sempre atuei com lisura e imparcialidade, e assim, seguirei agindo.

Os fatos alegados por um Procurador da República não alteram minha conduta e nem minha atuação"



will | comentários(0 )


Há um aspecto interessante, que ninguém comentou: nas sessões do tribunal, a desembargadora e o procurador sentam-se lado a lado, a 60 cm de distância.

08 março, 2008

Direito da UFG pior que o da UNIP - Especialista da VEJA é rebatido por comentarista no Luis Nassif Online

Do Luis Nassif Online, a propósito da aprovação de um menino de 8 anos no vestibular da UNIP:

Das comparações relativas

Por Paulo de Tarso

Nassif,

É impressionante a desonestidade do pessoal da Veja. Ontem fiz o sacrifício de ler um post do Gustavo Ioschpe, o "especialista" em educacão da Veja que disse que professor no Brasil reclama muito e de barriga cheia. O título é "João Victor e as faculdades “caça-níqueis”" de 7 de março desse ano.

Depois de achar normal a entrada de um menino de 8 anos entrar em uma faculdade de direito ele fecha o post com a seguinte afirmação:

"Em tempo: se alguém quiser saber do desempenho do curso de Direito da Unip de Goiânia (ou de qualquer outro curso do país), basta perder dois minutos, ir à página do Inep na Internet, clicar no site do Enade, e colocar lá os dados do curso a ser pesquisado. O da Unip de Goiânia está lá. Existe relatório do ano de 2006. Nele transparece que a universidade não é exatamente uma Harvard, mas não está, em suas deficiências, longe da média nacional: o escore dos seus concluintes é de 42 pontos (de 100 possíveis), contra 44,7 da média nacional. O importante a notar é que a instituição ensina: os ingressantes têm nota 29,5, os concluintes 42 – uma melhoria de 42%, portanto. Superior à média nacional, de 27%. Superior, também, à média do mesmo curso de Direito, do mesmo ano, da Universidade Federal de Goiás, de 28%. Ficaria mais contente se o MEC devotasse suas energias a melhorar esse desempenho – até porque os níqueis que a UFGO consome vêm dos nossos bolsos."

Quem lê isso pensa que a UNIP é uma boa faculdade de direito e a UFGO é só um pouco melhor. Como eu não sou idiota e não acredito nesse cara fui conferir os índices:

(clique aqui para ler a continuação no Luis Nassif Online)

29 fevereiro, 2008

Transparência - É só querer - 2 - O diário oficial na internet - O Mérito é do MP

Hoje, em O Popular, a coluna Giro traz elogio do presidente do TCE à AGECOM por disponibilizar o Diário Oficial do Estado de Goiás na internet.

No entanto, ao contrário do que a nota sugere, a AGECOM resistiu o quanto pôde a tomar esta iniciativa. O elogio, na verdade, deveria ser ao Ministério Público do Estado de Goiás.

Em 8 de outubro de 2007, ( clique aqui para ler), fiz um histórico do andamento, até agosto, do inquérito civil público instaurado mais de um ano antes, em 26 de setembro de 2006, objetivando disponibilizar o Diário Oficial na internet. Complemento agora aquela nota, com os acontecimentos posteriores.

Recapitulando, em 9 de outubro de 2006, o presidente da AGECOM fora ouvido e alegara ser aquele um procedimento complexo para o qual não haveria recursos disponíveis naquele momento, não sendo permitido fazer uma previsão de quando isso ocorreria.

Em 10 de setembro de 2007 foi ouvida a Diretora de Operações da AGECOM, que relatou existir projeto neste sentido desde 2004, não implantado ainda em função dos elevados custos e dificuldades operacionais. Apresentou inclusive página de projeto de 2005 que indicava o valor de R$ 180 mil como o necessário para a "digitalização dos diários".

No dia 6 de novembro de 2007, a Divisão de Jurisprudência do Tribunal de Justiça encaminhou correspondência com informações sobre a disponibilização do seu diário oficial na internet, esclarecendo os meios utilizados, tempo e custo. A demora em responder devia-se exatamente à implantação do Diário de Justiça Eletrônico, que acabara de ocorrer.

Sobre os meios, era utilizado software livre do pacote BROffice para diagramação das matérias e o formato pdf para disponibilizar o diário. O tempo necessário para a implantação foi de dois meses. Não houve custo algum com software, disponível em freeware (gratuito) e o equipamento utilizado eram dois computadores com processador Pentium IV e um scanner, suficientes para suportar uma demanda média de 500 documentos/dia.

O documento finalizava dizendo que "parece não padecer de razão... [a] representação [pedindo que o D.O. fosse disponibilizado na internet] endereçada ao Ministério Público, principalmente quando analisada em conjunto com princípios da administração pública, a exemplo da eficiência na prestação de serviços" e que "é óbvio que outras estruturas podem ser idealizadas, com custos de diferentes pesos".

No dia 23 de novembro, anúncio na última página do Diário Oficial do Estado de Goiás comunicava sua disponibilização na internet desde o dia 1º de novembro e informava que a portaria com padronização de procedimentos que permitira isso havia sido publicada na edição de 10 de outubro.





No dia 18 de dezembro, tendo em vista que o D. O. tinha sido disponibilizado no mês anterior, e esse era o motivo para o inquérito, o Conselho Superior do Ministério Público confirmou o seu arquivamento.

Clique aqui para ler o Diário Oficial.





08 outubro, 2007

Transparência - É só querer


No mês passado, dia 21, a Assembléia Legislativa aprovou requerimento da deputada Betinha Tejota sugerindo a divulgação na internet do conteúdo do Diário Oficial de Goiás, até que seja implementado o Portal Transparência, projeto de autoria da deputada ainda em tramitação na Casa.(clique aqui para ler a notícia no site da Assembléia).



A deputada merece ser aplaudida pelas iniciativas. Boa parte dos artigos aqui publicados exigiram uma demorada pesquisa na versão impressa do Diário Oficial. No entanto, o governo estadual já poderia ter atendido a ambas as iniciativas, se quisesse.



Quase um ano antes da aprovação do requerimento, no dia 29 de setembro de 2006, o Ministério Público instaurou inquérito para a disponibilização do Diário Oficial na internet. No dia 9 de outubro de 2006, foi ouvido o presidente da Agecom, que alegou ser aquele um procedimento complexo para o qual não haveria recursos disponíveis naquele momento, não sendo permitido fazer uma previsão de quando isso ocorreria.



Foram apresentadas contra-razões, mostrando não haver complexidade (basta gerar um arquivo pdf) , nem custos elevados (a maioria dos programas de editoração já tem a ferramenta incorporada), citando os gastos milionários da AGECOM com propaganda (leia Propaganda Zero 2 - Do Céu ao Chão - Evolução dos Gastos com Propaganda do Governo de Goiás) e pedindo que fossem ouvidos técnicos da área. O Conselho Superior do MP deu prosseguimento ao inquérito, que está em fase final, aguardando apenas uma resposta do Tribunal de Justiça.



Já o Portal Transparência é baseado no “Portal da Transparência” do governo federal, que é uma experiência bem sucedida qual o cidadão pode acompanhar a execução financeira dos programas de governo, em âmbito federal. Ocorre que em agosto de 2001, o governo estadual anunciou a criação do Programa Goiastransparente, que tinha a internet como um dos principais instrumentos para garantir a transparência, com um portal, o Goiasnet, que daria acesso a todos os serviços e informações da administração pública estadual e seria o marco de uma nova relação entre Estado e sociedade.


Seis anos depois, o sistema aparentemente foi criado, chama-se Sigeplan (Sistema de Informações Gerenciais) e nele estão cadastradas todas as ações governamentais (obras e realizações) desde 1999, com todos os pagamentos efetuados pelo governo, como no equivalente federal, mas seu acesso é restrito aos órgãos públicos.


Atualização em 15.10.07 - No dia 04 de setembro, a Assembléia Legislativa, por 22 votos a favor e 12 contra, mantivera quatro vetos do governador a emendas de parlamentares à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) - (clique aqui para ler). Uma delas destinaria recursos para a própria Assembléia, outra para o Ministério Público. A terceira autorizaria a transferência de recursos da Educação, Saúde e Segurança Pública para outras áreas e a quarta, disponibilizaria, em tempo real (atualmente isso é feito quinzenalmente), a movimentação orçamentária do Estado, à Assembléia e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). O argumento para o veto foi que a medida implicaria em disponibilizar consultas a relatórios não consolidados. (clique aqui para ler).O Popular deu a notícia na edição do dia 05.09.07.


clique sobre as imagens para ler ou baixar a matéria



20 setembro, 2007

Para entender a atualidade III

No Conversa Afiada, Paulo Henrique Amorim comentou a origem e implicações do noticiário recente sobre o Valerioduto mineiro.

A Folha e o G1 destacaram do relatório da PF que um dos métodos utilizados para o desvio de recursos públicos era a simulação de patrocínio a eventos esportivos promovidos pela SMPB, empresa de Marcos Valério.

Segundo Eduardo Horário, no Jornal X, ao comentar o primeiro debate entre os candidatos a governador, em agosto de 2006, o momento mais quente do debate foi quando Demóstenes Torres relembrou o acordo entre o Governo de Goiás e a SMPB, em que constava uma assinatura de Alcides que, em 2000, era vice-governador do Estado.

Atualização

No Jornal X há também uma entrevista, de 27.03.06 em que o então governador Marconi Perillo responde sobre os contratos do Governo de Goiás com a SMPB.

No sítio do TRF da 1a Região há duas matérias da Folha, de 25.01.2006 , sobre auditoria do SUS em contratos de propaganda da Secretária de Saúde de Goiás com a SMPB:

JORNAL - FOLHA DE SÃO PAULO - 25.01.2006 - PÁG.A 11

Governo goiano beneficiou Valério, diz auditoria

RUBENS VALENTE

LEONARDO SOUZA

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Uma auditoria realizada pelo Ministério da Saúde nas contas de publicidade do governo de Goiás, controlado pelo PSDB há sete anos, revelou pagamentos sem cobertura contratual, sem licitação e com indícios de fraude para empresas do publicitário Marcos Valério de Souza, operador do esquema do "mensalão".

Duas empresas de Valério e uma terceira que seria intermediária e "representante de seus interesses" receberam R$ 2,48 milhões entre 1999 e 2004 para suposta realização de campanhas educativas e de prevenção na área da saúde. Os recursos do Fundo Nacional de Saúde do ministério são administrados pela Secretaria de Saúde de Goiás.

O documento produzido em novembro pelos técnicos do Denasus (Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde), que deve chegar nos próximos dias à CPI dos Correios, aponta indícios de "montagem" de processos administrativos, nos quais as datas de desembolso e mobilização de recursos são anteriores às solicitações, pelo governo, da execução das campanhas.

A auditoria apontou que os gastos com a SMPB, de Valério, a partir de janeiro de 2001, foram realizados sem cobertura de contrato, que venceu em dezembro de 2000 e não foi renovado.

Entre 2001 e 2002, o governo goiano pagou R$ 1,68 milhão, também sem licitação e sem amparo contratual, para a empresa Tiara Comunicação e Marketing Ltda.. Os auditores descobriram que o endereço que consta nas notas fiscais emitidas pela Tiara é o mesmo de uma filial em Aparecida de Goiânia da SMPB.

A auditoria apontou celeridade incomum em diversas autorizações de despesa. Um exemplo foi o gasto de R$ 198 mil para campanha educativa sobre vacinação de idosos, em 2001.

Por meio de documento sem data nem assinatura, a SMPB apresentou ao governo um resumo geral de gastos. Em 23 de abril, a Secretaria de Saúde goiana remeteu o processo à Superintendência de Planejamento. Mas o documento pelo qual o órgão autorizou a liberação dos recursos é de 20 de abril -três dias antes da solicitação.

A despesa foi empenhada (comprometida) um dia depois, 24 de abril, por meio de uma nota sem assinatura do ordenador de despesas. No espaço de 24 horas, a Secretaria de Saúde e a Agência Goiana de Comunicação decidiram aprovar o orçamento da SMPB, analisar e julgar as propostas de outras três empresas (cujos orçamentos foram emitidos no mesmo dia, 24 de abril) e emitir todos os pedidos de inserção em diversos meios de comunicação.

"Esses fatos permitem admitir que o processo não passou de uma simulação (montagem)", concluiu a auditoria.

Os auditores pediram a notificação de quatro servidores que teriam algum tipo de responsabilidade sobre os gastos, incluindo o secretário de Saúde do governador Marconi Perillo (PSDB), Fernando Passos Cupertino de Barros. A auditoria também sugere que o Ministério Público Federal seja acionado para iniciar uma investigação criminal.


OUTRO LADO

Secretário diz que denunciou irregularidade

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O secretário de Saúde do Estado de Goiás, Fernando Passos Cupertino de Barros, afirmou que a apuração do Ministério da Saúde sobre os gastos de publicidade teve como origem uma denúncia que ele encaminhou ao TCU (Tribunal de Contas da União) e ao Ministério Público Federal. Barros confirmou que os pagamentos à SMPB não eram cobertos por contrato.

"Em 13 de setembro de 2002 enviei ofício ao doutor Guilherme Palmeira, [ministro] do Tribunal de Contas da União, no qual eu informava sobre a existência de possíveis irregularidades quanto à aplicação de parte de recursos federais. Nós havíamos identificado impropriedades no pagamento a firmas que já não tinham mais contratos", disse o secretário.

Segundo Barros, sua secretaria não licitava serviços de publicidade e se valia de uma licitação aberta pela Agecom (Agência de Comunicação Goiana). "A partir de 1999, o governo fez licitação para área de publicidade. Antes disso, eram feitas dispensas de licitação. Isso ficou centralizado na Agecom, e foi destacada uma firma para dar suporte aqui à Saúde", explicou o secretário. Ele também revelou que o pagamento de R$ 600 mil foi suspenso após ter concluído que não havia cobertura contratual para a SMPB Comunicação.

Informada sobre os resultados da auditoria, a assessoria do publicitário Marcos Valério orientou a Folha a procurar seu ex-sócio, Ramon Cardoso. Procurado por telefone, Cardoso não foi localizado na tarde da última sexta-feira. Segundo a atendente, ele estava em viagem. (RV e LS)

JORNAL - FOLHA DE SÃO PAULO - 25.01.2006 - PÁG.A 13

12 setembro, 2007

Entreatos no OI

O Observatório da Imprensa aceitou para publicação a série de três artigos "Propaganda Zero"(veja nos anteriores), reunidos num texto único, com o título "Crise e Propaganda Zero", que apareceu na edição nº 449, de 04.09.07, na seção "Observatório da Propaganda".

10 setembro, 2007

Extra - Entrevista de Marconi Perillo ao Pasquim21

Eduardo Horácio, no Jornal X ( O lado blasé e autoritário de Alcides) comenta o autoritarismo demonstrado pelo governador Alcides Rodrigues ao negar-se a dar entrevistas, diferenciando-se dos antecessores, que, pelo menos, o faziam para quem só falava bem deles.

Aproveito para disponibilizar o que parece ser um documento histórico: a entrevista concedida pelo então governador reeleito, Marconi Perillo, ao Pasquim21. Feita logo após a eleição de Lula, em fevereiro de 2003, no Rio de Janeiro e antes do escândalo do mensalão, a entrevista, aparentemente, foi desencadeada por uma outra, feita 8 meses antes, em que Jorge Kajuru comentou sobre os processos a que respondia, em sua maioria movidos por Marconi.


Atualização: para baixar as páginas do jornal e ler o texto da entrevista, clique aqui e na página que se abrirá, na seta verde abaixo de cada foto.

16 julho, 2007

Goiás na Carta Capital: Marconi 3 X Maguito 3

Ontem, por acaso, encontrei a Carta Capital do dia 08.06, que o entregador jogou sobre o telhado.

Entre os artigos de opinião, a crítica à nomeação de Maguito Vilela para a vice-presidência do BB, com direito até a foto (Avancos Sobre a Caixa e o BB).

Maguito já tinha aparecido antes na revista:

- em artigo de Paulo Henrique Amorim sobre a disputa entre a Rede Globo e as empresas das novas mídias, comentando Proposta de Emenda Constitucional de sua autoria, ainda senador, que atendia aos interesses daquela (Vênus Perde o Laquê) e
- na seção de opinião, após as eleições de 2002, considerado " o estuprador da Lei Pelé", em artigo sobre a surra do eleitorado na "bancada da bola" (Acabou a bola da "bancada da bola").


Marconi Perillo também apareceu três vezes na revista:

- com elogios a sua atuação nos bastidores da eleição de Lula, em 2002 (Brasil da Silva);
- comentando seu imbróglio com Kajuru ( a favor deste);
- na eleição do ano passado, a próposito de denúncia apresentada no programa eleitoral de Demóstenes Torres, acusando pessoa ligada à segurança do ex-governador de atentado contra a residência daquele (Tiros e Traições) - cuja reprodução no horário eleitoral foi inclusive proibida ( Eleições em Goiás Autoritarismo em Dose Dupla).
Em Goiás, quem abordou a polêmicas envolvendo Marconi foi o jornalista Eduardo Horácio, no seu blog Jornal X ( TRE retira das bancas jornal goiano que republica denúncia da Carta Capital e Kajuru: ‘Se a classe política me tirar da mídia, volto para Goiás e sou candidato’) e na Tribuna do Planalto, com Filemon Pereira (Haverá Fato Novo de Última Hora?), na cobertura das eleições do ano passado. O jornal X também registrou o episódio de Maguito com a Globo (Última Derrota de Maguito no ano: tentar defender a TV Globo).

22 outubro, 2006

A tecnologia revoluciona - a província nunca mais será a mesma

Na última semana a cobertura das eleições esquentou na internet. O motivo: a matéria de capa de Carta Capital, denunciando a omissão, pela mídia, das condições em que haviam sido obtidas as fotos do dinheiro apreendido no escandâlo do dossiê.

Intensa na internet, a polêmica foi pouco repercutida na mídia convencional. Quem veiculou a discussão foram os blogs, como informa a matéria As reações, Desiguais, na edição da revista que circula hoje em Goiânia ( a coluna de hoje do Ombudsman da Folha, Marcelo Beraba, também trata do assunto).

Finalmente a internet mostra sua força nas nossas eleições. A pouca atenção dada à internet pelos políticos brasileiros foi assunto de vários artigos na imprensa, constrastando esse descaso com a revolução que seu uso provocou nos Estados Unidos, na eleição de 2004.

A dirença de abordagem justifica-se porque as estatísticas de uso da internet aqui e lá são opostas: enquanto nos EUA , no primeiro semestre de 2006, 73% da população adulta eram usuários, aqui, em agosto/setembro de 2005, 67,76 % da população total nunca a haviam acessado.

O que provocou essa revolução? Sem dúvida alguma, desempenhando um papel preponderante, os blogs, que se popularizaram a partir de 2003, com a compra do Blogger pelo Google (havia então cerca de 200.000 blogueiros). A tecnologia permitiu que qualquer pessoa facilmente torne o que lhe interessa público, na rede ( para o bem e para o mal). Não é mais preciso estar no jornal para ser real. A imprensa não tem mais o monopólio do registro.

Como disse Mino Carta (Assalto à Verdade Factual) em seu blog, citando Hannah Arendt, sobre a verdade factual:" omitida, soçobra igual a barco furado, nunca mais será recuperada." E ainda " Não há esperança de sobrevivência humana sem homens dispostos a dizer o que acontece, e que acontece porque é”.
A cobertura do escândalo da III Conferência Municipal de Cultura, em especial por este blog e pelo amigosdosmuseus, é um exemplo disso. Complementamos a imprensa local e, no aspecto investigativo, fomos além dela.

Depois dos blogs, agora é o Youtube se populariza ( e acaba de ser comprado pelo Google...). E é no Youtube que está um documentário bem-humorado sobre a conferência.