Mostrando postagens com marcador luis nassif. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador luis nassif. Mostrar todas as postagens

07 fevereiro, 2008

Nassif analisa o fenômeno Veja - 2 - No Contexto

No Google, a primeira referência quando se procura o tema Nassif e Veja é do blogue de Rafael Galvão.

A dica é boa. Em especial ao contextualizar a reportagem de Nassif com a rotina das redações pelo Brasil afora.

Reproduzo ao final. Acesse o blogue clicando aqui para ler os comentários dos leitores.

Nassif já está no sexto capítulo da reportagem (ver nota anterior). Há outros vários comentários a respeito em seu blogue. O advogado Aton Fon Filho, por exemplo, comenta carta da Editora Abril (leia aqui) sobre a questão.

Luís Nassif e a Veja

Via o sempre atento Idelber, a série de artigos escritos pelo Luís Nassif sobre os intestinos apodrecidos da Veja pode vir a ser um dos maiores favores que se fez à imprensa nacional, e desde já são seguramente alguns dos posts mais importantes da blogoseira pátria.

Os artigos são uma dissecação do modus operandi da Veja. De repente, temos acesso a informações e análises que, se entre jornalistas são fatos velhos, óbvios e conhecidos, não costumam chegar ao grande público, graças em grande parte ao sistema de interesses de todo o mercado e em pequena parte a um certo esprit de corps de jornalistas.

A análise feita pelo Nassif dos fatores conjunturais que levaram à derrocada da Veja, pelo que se vê do que foi publicado até agora, é em alguns aspectos superficial. Desconsidera como causas alguns fatores externos importantes, econômicos e principalmente políticos. Além disso, a ênfase em duas pessoas específicas -- Eurípides Alcântara e Mario Sabino, os atuais condottieri da revista --, em alguns momentos deixa a impressão de que essa reportagem é uma espécie de vendetta pessoal.

Falta também, até agora, ressaltar detalhes importantes, como o fato de que Alcãntara e Sabino não são os donos da Veja, nem fazem o que querem porque têm poder total. Nenhum jornalista publica o que o dono do veículo não quer. O que, sendo as denúncias de Nassif verdadeiras, faz deles jornalistas inferiores é o fato de se sujeitarem aos interesses empresariais dessa forma, o fato de utilizarem uma revista que já foi a mais importante do país e hoje não passa de um panfleto canalha e mentiroso.

Mas as motivações do Nassif não importam. A reportagem é brilhante do ponto de vista da informação e da análise sobre a maneira como a Veja opera. É um documento que precisa ser lido por qualquer pessoa que queira entender como funciona a relação complexa entre a mídia e o poder.

O que o Nassif denuncia na Veja é comum em virtualmente todos os jornais e revistas espalhados pelo país. Apenas quem não conhece uma redação de jornal acha que é diferente. Do jornalzinho de interior à maior rede de TV do país, achaques, pressões, implicâncias são moeda comum -- e efetivas. Interesses pessoais e comerciais são travestidos de interesse público. O resto é conversa aprendida já nos bancos da faculdade. O jornalzinho do interior faz algumas matérias batendo no prefeito para ganhar anúncios e calar a boca; e só como exemplo, há alguns anos a Globo se sentiu ameaçada por uma incursão da Legião da Boa Vontade, aquela do Paiva Netto, no mercado educacional; o resultado foi uma série de matérias denunciando irregularidades da entidade.

Sobra também para o mercado publicitário. Quando há quase três anos estourou o escândalo do mensalão, o mercado publicitário correu para desqualificar Marcos Valério. Segundo eles, Valério seria "lobista", e não "publicitário". Mas o fato é que publicidade e lobby sempre foram praticamente indissociáveis, apesar do discurso de fachada. Agora quem entra na roda é Eduardo Fischer, um dos melhores publicitários do país, responsável por campanhas brilhantes com a da Calvin Klein de 1983 e a "número 1" da Brahma, mas que teria feito o tipo de lobby mais rasteiro junto ao banqueiro André Esteves (no que, da maneira como Nassif coloca as coisas, mais parece um daqueles esquemas de proteção de mafiosos), envolvendo a coluna Radar, da Veja. Fischer também não é publicitário? Se não é, quem é?

A reportagem de Nassif é um obituário adequado à Veja. É importante pelas respostas que dá e pelas perguntas que suscita. E deve ser lido por todos.

30 janeiro, 2008

Nassif analisa o fenômeno Veja - Imperdível

Reproduzo artigo de Luis Nassif - para acessar o blogue dele clique aqui.

30/01/08 07:01

O fenômeno Veja

Recentemente, estimulei uma competição com um blogueiro da revista – contratado especificamente para atacar os adversários de Veja . Havia duas razões relevantes para tanto.

Primeiro, para demonstrar que, com a Internet, cessou o predomínio das grandes publicações. É possível, mesmo sem ter um grande órgão da imprensa tradicional por trás, mobilizar pessoas para esse trabalho cooperativo, de disseminar informações. É o verdadeiro trabalho em rede, no qual – graças à Internet – cada pessoa dá sua colaboração, pegando as informações e levando para seus círculos de conhecidos.

Segundo, para que essa rede, formada nesse período, ajude a dar visibilidade a essas reportagens que passo a publicar.

Não será um desafio fácil. Estaremos enfrentando o esquema mais barra-pesada que apareceu na imprensa brasileira nas últimas décadas. E montado em cima de um tanque de guerra: uma publicação com mais de um milhão de exemplares.

Tenho convicção de que a força do jornalismo e do trabalho em rede permitirão decifrar o enigma Veja. Para tanto, conto com a mobilização de todos vocês. Não se trata mais de um mero exercício esportivo de aquecer uma eleição de Blog. Trata-se, agora, de uma questão nacional que, tenho certeza, ajudará a reabilitar o exercício do jornalismo, mesmo na grande imprensa.

O macartismo e o jornalismo de negócios


O maior fenômeno de anti-jornalismo dos últimos anos foi o que ocorreu com a revista Veja. Gradativamente, o maior semanário brasileiro foi se transformando em um pasquim sem compromisso com o jornalismo, recorrendo a ataques desqualificadores contra quem atravessasse seu caminho, envolvendo-se em guerras comerciais e aceitando que suas páginas e sites abrigassem matérias e colunas do mais puro esgoto jornalístico.

Para entender o que se passou com a revista nesse período, é necessário juntar um conjunto de peças.

O primeiro, são as mudanças estruturais que a mídia vem atravessando em todo mundo.

O segundo, a maneira como esses processos se refletiram na crise política brasileira e nas grandes disputas empresariais, à partir do advento dos banqueiros de negócio que sobem à cena política e econômica na última década.

O terceiro, as características específicas da revista Veja, e as mudanças pelas quais passou nos últimos anos.
A partir de agora, e nos próximos dias, publicarei, em capítulos, a história que tenta explicar esse fenômeno de anti-jornalismo.

No capítulo 1 – “Os Momentos de Catarse e a Mídia” – analisam-se as pré-condições que abriram espaço para o estilo que tomou conta da revista nos últimos anos.

No capítulo 2 – “A Mudança de Comando”, o que significou a ascensão de Eurípides Alcântara e Mário Sabino ao comando da revista de maior circulação do pais. Clique aqui.
O endereço para acessar as matérias é http://luis.nassif.googlepages.com/home. Ou clicando aqui.

A partir dessa página se terá acesso aos capítulos que serão publicados.

20 setembro, 2007

Para entender a atualidade III

No Conversa Afiada, Paulo Henrique Amorim comentou a origem e implicações do noticiário recente sobre o Valerioduto mineiro.

A Folha e o G1 destacaram do relatório da PF que um dos métodos utilizados para o desvio de recursos públicos era a simulação de patrocínio a eventos esportivos promovidos pela SMPB, empresa de Marcos Valério.

Segundo Eduardo Horário, no Jornal X, ao comentar o primeiro debate entre os candidatos a governador, em agosto de 2006, o momento mais quente do debate foi quando Demóstenes Torres relembrou o acordo entre o Governo de Goiás e a SMPB, em que constava uma assinatura de Alcides que, em 2000, era vice-governador do Estado.

Atualização

No Jornal X há também uma entrevista, de 27.03.06 em que o então governador Marconi Perillo responde sobre os contratos do Governo de Goiás com a SMPB.

No sítio do TRF da 1a Região há duas matérias da Folha, de 25.01.2006 , sobre auditoria do SUS em contratos de propaganda da Secretária de Saúde de Goiás com a SMPB:

JORNAL - FOLHA DE SÃO PAULO - 25.01.2006 - PÁG.A 11

Governo goiano beneficiou Valério, diz auditoria

RUBENS VALENTE

LEONARDO SOUZA

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Uma auditoria realizada pelo Ministério da Saúde nas contas de publicidade do governo de Goiás, controlado pelo PSDB há sete anos, revelou pagamentos sem cobertura contratual, sem licitação e com indícios de fraude para empresas do publicitário Marcos Valério de Souza, operador do esquema do "mensalão".

Duas empresas de Valério e uma terceira que seria intermediária e "representante de seus interesses" receberam R$ 2,48 milhões entre 1999 e 2004 para suposta realização de campanhas educativas e de prevenção na área da saúde. Os recursos do Fundo Nacional de Saúde do ministério são administrados pela Secretaria de Saúde de Goiás.

O documento produzido em novembro pelos técnicos do Denasus (Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde), que deve chegar nos próximos dias à CPI dos Correios, aponta indícios de "montagem" de processos administrativos, nos quais as datas de desembolso e mobilização de recursos são anteriores às solicitações, pelo governo, da execução das campanhas.

A auditoria apontou que os gastos com a SMPB, de Valério, a partir de janeiro de 2001, foram realizados sem cobertura de contrato, que venceu em dezembro de 2000 e não foi renovado.

Entre 2001 e 2002, o governo goiano pagou R$ 1,68 milhão, também sem licitação e sem amparo contratual, para a empresa Tiara Comunicação e Marketing Ltda.. Os auditores descobriram que o endereço que consta nas notas fiscais emitidas pela Tiara é o mesmo de uma filial em Aparecida de Goiânia da SMPB.

A auditoria apontou celeridade incomum em diversas autorizações de despesa. Um exemplo foi o gasto de R$ 198 mil para campanha educativa sobre vacinação de idosos, em 2001.

Por meio de documento sem data nem assinatura, a SMPB apresentou ao governo um resumo geral de gastos. Em 23 de abril, a Secretaria de Saúde goiana remeteu o processo à Superintendência de Planejamento. Mas o documento pelo qual o órgão autorizou a liberação dos recursos é de 20 de abril -três dias antes da solicitação.

A despesa foi empenhada (comprometida) um dia depois, 24 de abril, por meio de uma nota sem assinatura do ordenador de despesas. No espaço de 24 horas, a Secretaria de Saúde e a Agência Goiana de Comunicação decidiram aprovar o orçamento da SMPB, analisar e julgar as propostas de outras três empresas (cujos orçamentos foram emitidos no mesmo dia, 24 de abril) e emitir todos os pedidos de inserção em diversos meios de comunicação.

"Esses fatos permitem admitir que o processo não passou de uma simulação (montagem)", concluiu a auditoria.

Os auditores pediram a notificação de quatro servidores que teriam algum tipo de responsabilidade sobre os gastos, incluindo o secretário de Saúde do governador Marconi Perillo (PSDB), Fernando Passos Cupertino de Barros. A auditoria também sugere que o Ministério Público Federal seja acionado para iniciar uma investigação criminal.


OUTRO LADO

Secretário diz que denunciou irregularidade

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O secretário de Saúde do Estado de Goiás, Fernando Passos Cupertino de Barros, afirmou que a apuração do Ministério da Saúde sobre os gastos de publicidade teve como origem uma denúncia que ele encaminhou ao TCU (Tribunal de Contas da União) e ao Ministério Público Federal. Barros confirmou que os pagamentos à SMPB não eram cobertos por contrato.

"Em 13 de setembro de 2002 enviei ofício ao doutor Guilherme Palmeira, [ministro] do Tribunal de Contas da União, no qual eu informava sobre a existência de possíveis irregularidades quanto à aplicação de parte de recursos federais. Nós havíamos identificado impropriedades no pagamento a firmas que já não tinham mais contratos", disse o secretário.

Segundo Barros, sua secretaria não licitava serviços de publicidade e se valia de uma licitação aberta pela Agecom (Agência de Comunicação Goiana). "A partir de 1999, o governo fez licitação para área de publicidade. Antes disso, eram feitas dispensas de licitação. Isso ficou centralizado na Agecom, e foi destacada uma firma para dar suporte aqui à Saúde", explicou o secretário. Ele também revelou que o pagamento de R$ 600 mil foi suspenso após ter concluído que não havia cobertura contratual para a SMPB Comunicação.

Informada sobre os resultados da auditoria, a assessoria do publicitário Marcos Valério orientou a Folha a procurar seu ex-sócio, Ramon Cardoso. Procurado por telefone, Cardoso não foi localizado na tarde da última sexta-feira. Segundo a atendente, ele estava em viagem. (RV e LS)

JORNAL - FOLHA DE SÃO PAULO - 25.01.2006 - PÁG.A 13

19 setembro, 2007

Para entender a atualidade II

No Terra Magazine, entrevista com o líder do PSDB na Câmara dos Deputados, explicando que o Valerioduto de Minas é diferente do federal (Líder diz que no PSDB não há quadrilha) ...

clique para ler o texto anterior

17 setembro, 2007

Para entender a atualidade

Dois artigos imperdíveis no blog do Luis Nassif: de hoje, O Caso Cacciolla (1,5 bilhão de prejuízo para o país), explicando o próprio, e de ontem, O Início do Valerioduto, comentando o relatório da Polícia Federal sobre a gênese do esquema do mensalão no governo Eduardo Azeredo, em Minas Gerais.