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22 outubro, 2006

A tecnologia revoluciona - a província nunca mais será a mesma

Na última semana a cobertura das eleições esquentou na internet. O motivo: a matéria de capa de Carta Capital, denunciando a omissão, pela mídia, das condições em que haviam sido obtidas as fotos do dinheiro apreendido no escandâlo do dossiê.

Intensa na internet, a polêmica foi pouco repercutida na mídia convencional. Quem veiculou a discussão foram os blogs, como informa a matéria As reações, Desiguais, na edição da revista que circula hoje em Goiânia ( a coluna de hoje do Ombudsman da Folha, Marcelo Beraba, também trata do assunto).

Finalmente a internet mostra sua força nas nossas eleições. A pouca atenção dada à internet pelos políticos brasileiros foi assunto de vários artigos na imprensa, constrastando esse descaso com a revolução que seu uso provocou nos Estados Unidos, na eleição de 2004.

A dirença de abordagem justifica-se porque as estatísticas de uso da internet aqui e lá são opostas: enquanto nos EUA , no primeiro semestre de 2006, 73% da população adulta eram usuários, aqui, em agosto/setembro de 2005, 67,76 % da população total nunca a haviam acessado.

O que provocou essa revolução? Sem dúvida alguma, desempenhando um papel preponderante, os blogs, que se popularizaram a partir de 2003, com a compra do Blogger pelo Google (havia então cerca de 200.000 blogueiros). A tecnologia permitiu que qualquer pessoa facilmente torne o que lhe interessa público, na rede ( para o bem e para o mal). Não é mais preciso estar no jornal para ser real. A imprensa não tem mais o monopólio do registro.

Como disse Mino Carta (Assalto à Verdade Factual) em seu blog, citando Hannah Arendt, sobre a verdade factual:" omitida, soçobra igual a barco furado, nunca mais será recuperada." E ainda " Não há esperança de sobrevivência humana sem homens dispostos a dizer o que acontece, e que acontece porque é”.
A cobertura do escândalo da III Conferência Municipal de Cultura, em especial por este blog e pelo amigosdosmuseus, é um exemplo disso. Complementamos a imprensa local e, no aspecto investigativo, fomos além dela.

Depois dos blogs, agora é o Youtube se populariza ( e acaba de ser comprado pelo Google...). E é no Youtube que está um documentário bem-humorado sobre a conferência.

2 comentários:

  1. Texto muito bom, Marcus.
    Um verdadeiro retrato de nossa época.
    Mais um indício de que as ações que estão ocorrendo para um mundo melhor podem ser pequenas e lentas até, mas são poderosíssimas e surtem efeitos vigorosos.

    Sim, ainda é mais fácil dar um tapa que fazer um carinho; mas a cada carinho feito vários tapas são evitados - e o que chamávamos de "ideal" vai-se tornando REAL!

    Um grande abraço.

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  2. Obrigado, Charles.
    Seu comentário é revigorador,ao mostrar que de fato estamos aqui numa grande conversa, embora às vezes eu tenha a sensação de que falo sozinho...

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