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10 junho, 2013

Cultura e Governo em Goiás: indicação de leitura

C.C. Oscar Niemeyer, símbolo de uma época

Interrompo o silêncio de quase dois anos para uma breve intervenção.

Antes de mais nada, sinto por esta  ausência prolongada, mas  o trabalho e a volta à universidade tornaram impossível manter a assiduidade.

Peço às duas dúzias de seguidores deste blog um pouco de paciência. Espero estar de volta logo, Rs.

Por ora, como parece nunca ter fim o impasse do governo estadual com o segmento cultural, sugiro uma leitura.

Trata-se de uma dissertação de mestrado apresentada na Faculdade de História da UFG, em 2010, que descobri recentemente, por acaso.

Não li ainda, só folheei, mas parece instigante. Como trata de um dos principais temas aqui abordados ao longo dos últimos anos, o Entreatos é citado em vários momentos, assim como textos de outros autores que aqui destacamos, Eduardo Horácio e Edson Wander, por exemplo.

O título é AGEPEL:POLÍTICAS PÚBLICAS DE CULTURA NO ESTADO DE GOIÁS – UM INTELECTUAL NO PODER (1999-2006), e a autora é Adriana Pereira Batista.

A dissertação está disponível clicando aqui. 

(Foto publicada originalmente em 2008, no artigo
O Caminho Niemeyer) 



13 maio, 2011

Túnel do tempo : enquanto o blogueiro não volta...

Parece que bati o recorde de ausência aqui: quase dois meses e meio, justo agora que, graças ao twitter, os posts tem atingido picos de leitura jamais vistos nos quase seis anos deste blog.

Provavelmente, cabe aqui o mesmo comentário que tenho lido sobre a Primavera Árabe: as ferramentas das redes sociais sem dúvida nenhuma ajudam, mas se não houvesse uma movimentação no mundo real, uma indignação sincera com a situação vivida pelo meio artístico ( assunto dos últimos posts), nem twitter, nem facebook trariam alguém aqui.

Enquanto me organizo para voltar a postar com regularidade, encontrei um artigo que esqueci nos rascunhos. Curiosamente, é o segundo de três e publiquei os outros dois. Vale a pena pois trata justamente da mobilização do meio artístico. É de 3 de novembro de 2006 (o segundo turno foi no dia 29 de outubro, entre Alcides Rodrigues e Maguito Vilela). Será que evoluímos nesses cinco anos?



Chamado à razão - Eleições: A cultura na Mídia Goiana 2

Uma semana após a publicação do artigo do repórter Rogério Borges (Chamado à Razão - A Cultura na Midia Goiana), o Popular trouxe, no dia 26, quinta-feira anterior ao segundo turno da eleição para governador, no caderno Eleições, uma matéria sobre a precariedade das propostas dos dois candidatos para a Cultura. A matéria, de autoria do também repórter do Magazine Renato Queiroz, tinha uma breve entrevista com os candidatos, um box com suas propostas e era encabeçada pelo texto Propostas Genéricas para A Cultura, escrito a partir de entrevistas com pessoas atuantes na área. Fui uma delas. Minha fala aparece no último parágrafo:
O produtor cultural Marcos Fidelis, do Fórum Permanente de Cultura, vai além [vários aspectos já haviam sido mencionados, entre eles: a desproporção entre a importância econômica e social da área, sua função na construção da cidadania e a atenção a ela dedicada pelos políticos; o atraso em que se encontra o debate do tema em Goiás, em relação a outros estados; a pouca mobilização e organização dos envolvidos] e diz que o grande problema é que não existe uma política cultural em Goiás com a definição de objetivos. A valorização dos eventos faria bem à imagem dos governantes, mas não resolveria por si as questões da área. “O que há são ações isoladas sem a integração entre União, Estado e Município. No setor cultural, ainda impera a política de balcão e por isso alguns artistas ficam temerosos em cobrar e apontar as falhas dos governantes e, no futuro, sofrer represália”, critica. Por sofrer com o “personalismo e o autoritarismo do administrador público”, Marcos acredita que uma previsão para o setor cultural só poderá ser feita quando for divulgado o nome do novo presidente da Agência Goiana de Cultura (Agepel). Este, sim, o grande protagonista do espetáculo.
Acrescentaria que essa situação se verifica:
1) a despeito de várias iniciativas dos artistas e produtores visando a construção dessa política. No caso do teatro, que conheço melhor, em documentos coletivos encaminhados à Agepel em 2003 e 2004. Houve o atendimento, parcial, a algumas das demandas, mas somente após o encaminhamento desses documentos ao Gabinete do Governador e a cobrança feita a partir dali.
2) A falta de integração também ocorre entre as ações empreendidas.
A propósito , enviei a seguinte mensagem à seção Cartas dos Leitores:
----- Original Message -----
From: marcus fidelis
To: leitor@jornalopopular.com.br
Cc: fórum
Sent: Thursday, October 26, 2006 6:12 PM
Subject: Matéria de hoje - caderno eleições
Senhor editor,

Parabéns pela matéria sobre as propostas dos candidatos para a cultura.
Esclareço ser o autoritarismo a que me referi uma característica observável cotidianamente nas ações de nossos gestores culturais. Algumas delas, inclusive, abordadas em matérias anteriores neste mesmo jornal.
O veto à construção democrática de uma política cultural é comum às duas forças políticas que disputam a eleição para governador. A administração estadual o faz por omissão e a administração municipal de Goiânia ressuscitando práticas da República Velha, a ponto de desrespeitar sentença judicial.
Discuto a questão em maior detalhe no texto Atitudes Diversas, Resultado Idêntico, Mesma Razão, disponível em www.entreatos.blogspot.com.

Atenciosamente,

Marcus Fidelis
Produtor Cultural

13 setembro, 2010

Irã, Honduras... Goiás !!! Aqui também o Twitter rompe a censura -atualizado

Já escrevi aqui sobre o uso das novas mídias para burlar a censura no Irã e à época do golpe,  em Honduras (aqui e aqui).



Devo confessar que pela minha experiência como blogueiro e leitor de blogues locais  não tinha muita esperança quanto ao mesmo acontecer tão cedo em Goiás. Vi que a coisa não seria tão fácil como acreditara em 2006.

Pois desde a semana passada me surpreendi com o Twitter. Tinha feito uma conta há tempos, mas estava inativa. Ativei no dia do debate dos candidatos a governador para saber se mais gente não estava conseguindo assistir pelo site do Popular e descobri que o problema não era só meu.

Continuei acessando e não é aqui também o Twitter está rompendo o bloqueio do silêncio?!

Experimente: acompanhe o @jornalx e  @altairtavares. Um  dois exemplos de hoje, do primeiro:

1 -  Acredite: a vontade de processar é tão grande de um governadoriável que tem até "carta do leitor" de um jornal sendo processada. Inédito.
2 - Colegas me avisam que eu posso ser processado por dizer que um governadoriável adora processar. Seria Kakfiano, não?

Atualização em 14.09 - A grande diferença em relação ao que acontece com os blogs locais é a  interação que o twitter permite.

Ao invés da solidão de raros 2, 3 comentários, no máximo, que são feitos nos  blogs, no twitter às vezes são dezenas de reproduções ou respostas aos tweets.

E ele ainda remete aos blogs, onde os assuntos são desenvolvidos em mais profundidade.


E não é que coincidentemente, esta madrugada foi publicado  artigo sobre ditaduras no  mundo e em Goiás no  blog Jornal X? Veja o título:



Eleições 2010
Marconi critica ditaduras de fora. E os ditadores de Goiás que sempre o apoiaram? Vai criticar também?
clique aqui para ler o artigo

11 abril, 2009

Política Cultural em discussão - 2 - Na história

Tendo em vista a realização do fórum, e a discussão sobre fomento na próxima semana, dentre as dezenas de artigos e estudos sobre as ações da Agepel aqui publicados, um em especial merece ser reproduzido (veja abaixo).

Trata do trabalho excepcional de dois jornalistas: Eduardo Horácio, que explicitou a orientação que guiou as ações da Agepel até então, e Edson Wander, cuja reportagem sobre o fomento, tratando da Lei Municipal de Goiânia e da Lei Goyazes, segue insuperada.

A seguir, contribuindo para a discussão, publicarei informações inéditas sobre o fomento pelo governo estadual.


(03.04.06)

Bravo !!!!


Ontem foi um dia excepcional para a meio cultural de Goiânia: um novo patamar foi estabelecido na cobertura do setor pela nossa imprensa, inaugurando a discussão consistente de política cultural em nossos jornais.

Em O Popular, o Magazine trouxe na capa e mais uma página interna a mais completa matéria (abaixo) já feita sobre o tema no estado, de autoria de Edson Wander. Além da pesquisa cuidadosa, ponto a mais pela entrevista com Yakoff Sarkovas (registre-se que os ex-integrantes do Conselho Municipal de Cultura tentaram mais de uma vez trazê-lo a Goiânia, sem conseguir sensibilizar o ex-secretário de cultura a viabilizar os recursos).
(Para ler os artigos em tela cheia, clique no botão mais à direita na parte superior da janela respectiva)

Qual Incentivo -1
Qual Incentivo 2
Qual Incentivo 3





Na Tribuna do Planalto, Eduardo Horácio esclareceu de forma definitiva a lógica que comandou as ações do governo estadual na cultura no artigo Política de Eventos. O acesso ao texto é livre, sendo o segundo na página acessada em http://www.tribunadoplanalto.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=461&mode=thread&order=0&thold=0
Blogueiro de primeira hora, Eduardo havia interrompido seu Descaminho à época da última mostra O Amor, a Morte e as Paixões, da qual fez uma cobertura excepcional. Desde o fim de março, voltou à ativa, num projeto mais amplo, o JornalX, disponível em www.jornalx.com.br.
A cultura agradece!

Atualização em 12.03.09 - retirei do texto dois parágrafos , tendo em vista que os artigos não estão mais disponíveis nos links neles indicados (O Popular e Overmundo), colocando-os para visualização nesta página. Inclui os marcadores, que na data original ainda não existiam no blogger.



04 outubro, 2008

Pesquisa sem repercussão? - 2- Se Ibope sair, será no último minuto

Ontem, dia 3, o portal G1, da Rede Globo, registrou a divulgação, em várias capitais, do resultado das pesquisas de intenção de voto feitas pelo IBOPE, contratado pelas afiliadas locais da rede. Era de se esperar que o mesmo acontecesse em Goiânia, considerando-se o intervalo entre as duas rodadas anteriores ( duas semanas), mas isso não aconteceu. Por quê?


Os resultados divulgados ontem foram fruto de entrevistas feitas pelos pesquisadores do instituto ao longo de dois ou três dias, entre a segunda ( 29/09) e a quinta-feiras ( 02/10) desta semana : dias 29 e 30 em Rio Branco e Porto Velho; dias 1º e 2 em São Luís e Manaus e do dia 30 ao dia 02 em Vitória e João Pessoa.

A pesquisa de Goiânia também estava sendo realizada desde segunda-feira. Nas etapas anteriores, ela durou três dias, sempre de segunda a quarta, com divulgação na sexta-feira. Nesta rodada, no entanto, o padrão foi alterado, impedindo que o resultado fosse divulgado ontem.

Foram duas as mudanças, de acordo com os dados da pesquisa, registrados no Cartório da 133ª Zona Eleitoral. A primeira delas foi a data do registro, feito pelo IBOPE no dia 29. Como a divulgação dos resultados só é permitida cinco dias após o registro, isso só poderia ser feito a partir de hoje, dia 4. A segunda alteração foi no período da pesquisa, que dobrou, passando para seis dias, de de 29/09 a 04/10. Se considerarmos um dia para o tratamento dos dados, parece improvável que o resultado da pesquisa seja divulgado ainda hoje.

A pesquisa anterior foi feita entre os dias 15 a 17 e registrou perdas para Iris e ganhos para Sandes Jr. A mudança de tom nos programas de TV de Sandes começou no dia 17. A nova rodada permitiria avaliar os seus efeitos. Seria fundamental como contraste às do Instituto SERPES, contratatado pelo jornal O Popular, do mesmo grupo que a TV Anhangüera, afiliada local da Rede Globo, que ao contrário do IBOPE não detectaram alteração nas intenções de voto após o início da propaganda eleitoral gratuita.

As pesquisas dos dois institutos têm várias diferenças, dentre elas: o preço - uma rodada do IBOPE custa quase 4 vezes mais que uma do SERPES ( R$ 25.920,00 e R$ 7.008,00, repectivamente); o primeiro faz 602 entrevistas, o segundo 800; o IBOPE refaz para controle 20% das entrevistas, o SERPES, 15%.

Como o Iris Rezende é considerado já eleito, é o único candidato que tem algo a perder - por isso mesmo não foi ao debate, na quinta-feira. Um resultado do IBOPE que confirmasse a tendência de queda verificada na pesquisa anterior lhe seria prejudicial. Não se conhecer o resultado do IBOPE com antecedência impede que possa ser repercutido e o beneficia.

Registre-se, quanto ao resultado dessas eleições que desde julho este blog assinou embaixo das análises de Eduardo Horácio, considerando esta eleição definida por antecipação: um plebiscito.
Atualização às 19:40 - Há 15 minutos o G1 divulgou os dados da pesquisa, reproduzindo o Jornal Anhangüera - Iris teria 70% dos votos, Sandes 16%, Martiniano e Gilvane 4% cada. Segundo o site, a pesquisa foi feita nos dias 2 e 3.

02 julho, 2008

Vem aí o plebiscito

Para ler sobre a política em Goiás, o melhor lugar é o Jornal X, de Eduardo Horácio.

Três artigos recentes, sobre a candidatura de Sandes Jr., ilustram bem isso:

Se lançar Sandes, Alcides ajuda Iris - 24/05

Alcides e aliados abraçam Iris- 19/06

Aliados: Covardia e Oportunismo - 21/06

Trecho do último deles:

Sandes só é candidato, repita-se, porque tem todas as características que fariam dele um mau candidato para enfrentar Iris. Não tem voto na classe média, fala sandices o tempo todo (como bem definiu, em 2004, a então candidata Raquel Azeredo), tem uma falsa empostação de voz que diminui sua já baixa credibilidade, não sabe articular um pensamento minimamente decente e é conhecido por tremer em debates.

Na eleição para prefeito, em 2004, o Conselho Municipal de Cultura, que eu integrava, debateu com todos os candidatos, na Rádio Companhia FM. A impressão de Sandes foi exatamente o que diz Eduardo: incapaz de articular um pensamento minimamente decente.

Outro artigo recente no Jornal X é A eleição do sim e do não, de Fleurymar de Souza. Ao comentar a eleição em Goiânia ele relembra a ditadura Stroessner, no Paraguai, e conclui:

Da forma como as oposições estão facilitando as coisas, é provável que o eleitorado se dividirá entre os que dirão 'sim' ao segundo mandato de Íris e os que dirão 'não'. Tudo democraticamente.

20 outubro, 2007

Efeito Google - A Cultura em Goiás, dez anos atrás

Com o anúncio, pela Agepel, de mais uma edição da Temporada Nacional de Teatro de Porangatu, estive procurando no Google informações sobre o ator Stephan Nercessian. Dos subterrâneos da grande rede, emergiu um texto interessantíssimo, escrito em 1998 por um então estudante de jornalismo da UFG.

Quase dez anos, as questões colocadas no artigo ainda estão por resolver: o patrocínio à cultura, o jornalismo cultural, a formação de público, a relação com as celebridades(e os Bitkids, nem lembrava mais , o que foi feito deles?).

O artigo consta da edição nº 4, de março de 1998, do Jornal Integração ,
que aparentemente existiu entre 1997 e 2000, até o número 20 ( clique aqui para acessar as edições on line). Entre os colaboradores, nomes que hoje militam com destaque no jornalismo local, como Eduardo Horácio, Giordano Maçaranduba e Pablo Kossa.

Esse é um caso típico do chamado "Google effect", em que informações aparentemente perdidas são recuperadas pelo motor de busca. Caso prefira ler o texto no site original, clique sobre o título.


Todos os goianos vão para o céu

Jardel Sebba Filho

No final de Setembro do ano passado, o presidente Fernando Henrique, lobo mau do neo-liberalismo, assinou uma Medida Provisória que ampliava a atuação da Lei Rouanet, de 1991, que trazia incentivo fiscal a quem investisse em projetos cinematográficos. Com a MP, o governo beneficiava outras cinco áreas: teatro, música erudita e instrumental, literatura, exposições de artes plásticas e acervos de bibliotecas e museus. A lei permite que o empresário que investir nessas áreas desconte integralmente o investimento, desde que este não ultrapasse 5% do total a ser cobrado pelo Imposto de Renda.

Ainda da série antes-tarde-do-que-nunca, devo explicar que o empresário é aquele que busca o lucro nas suas atividades. Não chorem, crianças! Esse é o capitalismo, selvagem, bobo, chato e feio. O mesmo capitalismo da malvada Coca-Cola, aquela coisa química, onipresente e sem conteúdo, que nossa colega Ana Lúcia Carvalho não gosta. Esse é o mundo cruel em que vivemos, e talvez a culpa seja da Coca-Cola.

Considerando, então, esse panorama, soa ridícula a reação do meio artístico goiano, publicada em "O Popular" de 09/11/97, de que os empresários do estado não percebem a importância do patrocínio à cultura. Ninguém joga para perder, e a classe empresarial goiana não vai investir num meio onde não existe público, que não dá retorno. A falta de público interessado em arte e cultura é, este sim, o centro da discussão.

Alguns vão contestar esse dado, mas contra fatos, graças a Deus, não há argumentos. Menos de duzentas pessoas foram assistir "Como Nascem os Anjos", longa-metragem carioca símbolo da retomada do cinema brasileiro e patrocinado pela prefeitura daquela cidade. Uma semana depois, alguns milhares de jovens se aglomeravam num show do Kid Abelha. Podia se andar pelado pelos corredores da Bienal do Livro que ninguém iria notar, mas a Pecuária de inverno foi um sucesso. Mas não existe ignorância e sub-produtos culturais em todas as partes do país? Sim, existe, só que numa cidade de 6 milhões de habitantes, como o Rio de Janeiro, há público para tudo, enquanto em outra de 1 milhão, como Goiânia, não.

Mas a culpa é só do público, que não demontra interesse pela cultura? Certamente não. Os veículos de comunicação de massa do estado contribuem para essa aculturação geral em muito. O praticamente único jornal impresso do estado de Goiás publica que Louis Malle está atualmente dirigindo documentários nos EUA, quando o cineasta francês morreu em 95. Esse mesmo jornal publica em quase metade da primeira página, de seu segundo caderno, matéria sobre os filmes da Mostra de Cinema do Fórum sobre Cultura que seriam exibidos sábado e domingo, quando essa mesma mostra havia encerrado as exibições na terça-feira, por problemas técnicos. Esse jornalismo mal informado é causa e conseqüência de um público culturalmente desinteressado. Os profissionais da informação não se preocupam em pesquisá-la corretamente porque não há público interessado, e o público se desinteressa por não haver uma informação mais elaborada. Enquanto isso a tirânica Coca-Cola continua vendendo horrores...

Outro vício da informação que limita a busca cultural em Goiás é o complexo de inferioridade do qual sofre a imprensa local. E esse é outro aspecto que, ao mesmo tempo, reflete e estimula um sentimento que está no cerne da própria sociedade goiana. Quaisquer coisas que façam a Cláudia Liz, o Orlando Morais, o Stephan Nercessian, o presidente do Banco de Boston ou o global Wolf Maia são mais importantes que outras e seus nomes vem precedidos da origem de cada um, que é a mesma. Belchior ganha página inteira só porque passou por Goiânia. Akdum vira banda importantíssima pelo mesmo motivo. A companhia Quasar de dança só se respalda quando são listados os prêmios ganhos em outras partes do Brasil e do mundo. Os Bitkids tocaram no programa da Xuxa, e foram ao Jô (onde, aliás, aproveitaram para dizer que nem todos os discos dos Beatles haviam chegado em Goiânia, o que é uma completa estupidez). Não importa o que é medíocre e o que não é, é nosso, temos que celebrar. E vamos continuar majoritariamente medíocres.

Ainda dentro dos veículos de imprensa, outro vício é o vínculo estabelecido entre cultura e alta sociedade. Passa-se uma imagem de cultura como a produção dos ricos e famosos. Qualquer um (e não são muitos) que já tenha ouvido falar nos beatniks, na arte pop, no pós-punk, ou na Novelle Vague sabe que essa relação é, na maioria das vezes, inversamente proporcional. A elitização acaba confundindo cultura com etiqueta. Se fosse assim, Caetano Veloso não seria quem é (e até que seria bom, convenhamos).

Enquanto nossa principal diversão continuar sendo passar nas portas dos bares com o som alto, dando cavalos de pau, vestindo botas e fivelas e atendendo celulares em público, não vai haver empresário que invista em cultura. Temos que estimular para que esta dê retorno a quem investe, quando não precisaremos nem cobrar que o investimento será, tenho certeza, automático. O Carlton Dance e o Free Jazz, que não passam por aqui, são provas disso. Mas enquanto estimularmos essa inércia cultural, e nós, como futuros profissionais da imprensa, temos grande responsabilidade na continuidade ou não desse processo, não haverá Lei Rouanet que resolva. E a culpa vai continuar sendo da Coca-Cola.

Jardel Sebba Filho é acadêmico do 4o. ano de jornalismo da UFG.

1

10 setembro, 2007

Extra - Entrevista de Marconi Perillo ao Pasquim21

Eduardo Horácio, no Jornal X ( O lado blasé e autoritário de Alcides) comenta o autoritarismo demonstrado pelo governador Alcides Rodrigues ao negar-se a dar entrevistas, diferenciando-se dos antecessores, que, pelo menos, o faziam para quem só falava bem deles.

Aproveito para disponibilizar o que parece ser um documento histórico: a entrevista concedida pelo então governador reeleito, Marconi Perillo, ao Pasquim21. Feita logo após a eleição de Lula, em fevereiro de 2003, no Rio de Janeiro e antes do escândalo do mensalão, a entrevista, aparentemente, foi desencadeada por uma outra, feita 8 meses antes, em que Jorge Kajuru comentou sobre os processos a que respondia, em sua maioria movidos por Marconi.


Atualização: para baixar as páginas do jornal e ler o texto da entrevista, clique aqui e na página que se abrirá, na seta verde abaixo de cada foto.

16 julho, 2007

Goiás na Carta Capital: Marconi 3 X Maguito 3

Ontem, por acaso, encontrei a Carta Capital do dia 08.06, que o entregador jogou sobre o telhado.

Entre os artigos de opinião, a crítica à nomeação de Maguito Vilela para a vice-presidência do BB, com direito até a foto (Avancos Sobre a Caixa e o BB).

Maguito já tinha aparecido antes na revista:

- em artigo de Paulo Henrique Amorim sobre a disputa entre a Rede Globo e as empresas das novas mídias, comentando Proposta de Emenda Constitucional de sua autoria, ainda senador, que atendia aos interesses daquela (Vênus Perde o Laquê) e
- na seção de opinião, após as eleições de 2002, considerado " o estuprador da Lei Pelé", em artigo sobre a surra do eleitorado na "bancada da bola" (Acabou a bola da "bancada da bola").


Marconi Perillo também apareceu três vezes na revista:

- com elogios a sua atuação nos bastidores da eleição de Lula, em 2002 (Brasil da Silva);
- comentando seu imbróglio com Kajuru ( a favor deste);
- na eleição do ano passado, a próposito de denúncia apresentada no programa eleitoral de Demóstenes Torres, acusando pessoa ligada à segurança do ex-governador de atentado contra a residência daquele (Tiros e Traições) - cuja reprodução no horário eleitoral foi inclusive proibida ( Eleições em Goiás Autoritarismo em Dose Dupla).
Em Goiás, quem abordou a polêmicas envolvendo Marconi foi o jornalista Eduardo Horácio, no seu blog Jornal X ( TRE retira das bancas jornal goiano que republica denúncia da Carta Capital e Kajuru: ‘Se a classe política me tirar da mídia, volto para Goiás e sou candidato’) e na Tribuna do Planalto, com Filemon Pereira (Haverá Fato Novo de Última Hora?), na cobertura das eleições do ano passado. O jornal X também registrou o episódio de Maguito com a Globo (Última Derrota de Maguito no ano: tentar defender a TV Globo).

01 julho, 2007

Cultura Zero 6 - Patrimônio Negativo

Sábado, 30 de julho, 20h. As crianças no palco, maquiadas e vestidas com seus figurinos, fazem o último ensaio, antes da abertura do teatro para a entrada dos pais e restante do público. É a apresentação de fim de semestre do curso de teatro do Centro Cultural Martim Cererê. Local: Teatro Marista.

Retrato melhor da crise profunda por que passa o estado não há: o governo deixou de pagar pela vigilância do Centro Cultural. Sem guarda, já houve quatro arrombamentos, em que foram levados boa parte dos equipamentos dos teatros e mesmo os computadores da administração. O que sobrou foi levado para a Agepel e trancado. Quem quer utilizar um dos dois teatros precisa alugar todo o equipamento. É o que estão fazendo os organizadores do III Festival Internacional do Corpo Ritual. Nessas condições, a solução encontrada pelos professores foi levar o espetáculo dos alunos para o Marista.

Pior é lembrar que o equipamento de iluminação foi comprado com recursos da Lei Goyazes, em projeto feito pela administração anterior do Cererê, através da FETEG, como já noticei desde 2005. Isso, depois de anos de reivindicação da categoria.
O Cererê, alías, antes dos larápios já tinha sido vítima do canibalismo do Goiânia Ouro, para onde se transferiram seu diretor, parte dos funcionários, público e programação.

20 março, 2007

Cultura Zero? 5 - Qual é o número? Agora o FICA

O site da Agepel está divulgando o número recorde de inscrições ao FICA:
A nona edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica, que acontecerá de 12 a 16 de junho, na Cidade de Goiás) teve um número recorde de inscrições. Foram 526 filmes inscritos, representando 320 países (contra 347, de 150 países, em 2006).
A notícia é ótima. A única ressalva é que oficialmente existem apenas 193 países no mundo (Taiwan seria o 194º).
Atualização em 23.03.07 às 14:30:
Recebi a mensagem abaixo da Gerente da Assessoria de Imprensa da Agepel, Solange Franco, em resposta a cópia desta nota que havia lhe enviado:
Obrigada pelo aviso do erro. Na verdade o nº 320 se refere ao total de produções dos países, com exceto do Brasil (com 206 filmes).O número de países participantes é de 61, incluindo o Brasil.Já fizemos a correção na nossa página.Abraços,Solange Franco
Houve, portanto, uma diminuição de 59% no número de países participantes, de 150 (em 2006) para 61 (este ano). Para se detectar as causas disso, é necessário estabeler e comparar o perfil das inscrições dos anos anteriores (em especial o ano passado) e deste ano, o mesmo valendo para a estratégia de comunicação adotada.

26 fevereiro, 2007

Cultura Zero 3 - Os Gastos da Agepel - Complemento

No artigo anterior, no comentário quanto aos gastos com pessoal da Agepel, faltou uma informação.

A despesa real com pessoal é maior que a registrada nesse item do orçamento porque:
a) não estão registrados aí os gastos com o enorme contingente de pessoal da agência deslocado para os locais de realização dos eventos (como já mencionei); e
b) entre as atrações contratadas para os eventos figuram artistas que trabalham na agência.
Nos dois casos, esses gastos estão embutidos nas despesas dos eventos. Isso é facilmente constatável com uma consulta rápida à "lista de artistas contratados", divulgada pela própria agência e já amplamente abordada aqui.

20 fevereiro, 2007

Cultura Zero? - 2 - Os Gastos da Agepel

Principais Gastos

Utilizei na tabela (vide texto anterior) os dados a partir de 2003 porque não há grande variação em termos da composição dos gastos em relação aos anos anteriores e ainda não havia o impacto da construção dos centros culturais. De início, como pode ser observado no gráfico 1, confirma-se a concentração da ações em reformas, construções e restaurações (13%) e nos eventos, com o FICA (9%) e o Canto de Primavera - principal despesa no item Promoção da Música Goiana (9%) vindo a seguir em gastos proporcionais. O conjunto de todas as outras ações, que agrupei em demais atividades, recebeu quase o mesmo (10%) - ressaltando-se que estão embutidos aí outros eventos (Um Gosto de Sol, TENPO, Diversão e Arte, etc.).

A novidade é o peso das despesas com pessoal, que correspondem à metade dos gastos totais. Na verdade, mais que isso, pois nos eventos estão embutidos os gastos com o grande contingente de funcionários deslocados para as cidades onde se realizam, com pagamento de diárias.

gráfico 1




Construção dos Centros Culturais


De 2003 para 2004 não há mudança substancial. No entanto, aparece um novo item no orçamento, com o início dos gastos com as grandes obras físicas - o cavalhódromo de Pirenópolis e os centros culturais de Catalão, Palmeiras e Oscar Niemeyer, este, evidentemente, responsável pela maior cota.

O impacto foi enorme, como pode ser visto no gráfico 2, onde os gastos com as obras aparecem destacados do orçamento total (em valores aproximados 10% dos gastos em 2004, 60% em 2005, 50% em 2006 e 20% em 2007).

Tomando como referência o orçamento de 2003, os 72 milhões gastos nas obras corresponderiam aos gastos totais que a agência teria por cinco anos, ou, excluídos os gastos com pessoal, por dez anos.

Há contudo, um aspecto novo a ressaltar: em 2006, o orçamento, descontadas as despesas com as obras, dobra em relação ao de 2004, passando de 17 milhões para 34 milhões, chegando a quase 39 milhões em 2007. Fato novo em 2006: início da operação dos centros culturais.

gráfico 2


Orçamento dobra, composição de gastos muda

Uma análise adequada do orçamento de 2006 só poderá ser feita quando estiverem disponíveis , em março, os valores efetivamente executados. Isso não prejudica, contudo, uma avaliação da mudança substancial na composição dos gastos em relação a 2003. O gráfico 3 mostra a nova composição dos gastos, e o gráfico 4, sua variação ao longo dos anos.

Entre as ações, o FICA aumenta sua participação ( de 9% para 10%), enquanto Reformas, Construções e Restaurações e Promoção da Música Goiana diminuem as suas ( de 13 % para 9% e de 9% para 7%, respectivaente).

O mais impressionante, no entanto, é que os gastos com custeio triplicam, passando de 8% para 24%, tornando-se praticamente equivalentes aos gastos com pessoal, historicamente o principal item de despesa, como reflexo das novas despesas decorrentes da operação dos centros culturais. Lembro que considerei em 2006 e 2007 as mesmas despesas de pessoal de 2005, já que parece não ter havido variação.

O outro item que surpreendentemente aumenta de forma consideravel, são as demais despesas, que aumentam 2,5 vezes, passando de 10% para 25% dos gastos totais. Aqui, no entanto, como são várias as despesas agrupadas, cabe um olhar mais detalhado.

gráfico 3


gráfico 4



Gastos com maior aumento


O gráfico 5 mostra a variação, entre 2003 e 2007, dos valores orçamentários destinados às outras atividades desenvolvidas pela Agepel.

Não há grandes variações até 2005, estando a maioria delas com valores abaixo de R$ 500 mil/ano.
A exceção é o item Artes Cênicas, exatamente por ser composto, majoritariamente, pelas despesas com a TENPO, evento realizado em Porangatu. Pela mesma razão, os gastos reais em 2006 e 2007 devem ser consideravelmente menores que os previstos, usados aqui, pois houve diminuição e não aumento no orçamento do evento em 2006 ( passou de R$ 700 mil para R$ 550 mil - redução de aproximadamente 20%).

Promoção da Leitura e Literatura tem um aumento substancial em 2005, dobrando, provavelmente em função do evento I Bienal do Livro. No entanto, em 2006 atinge um pico, de mais de R$ 2 milhões. Causa provável: aquisição do acervo da biblioteca do C.C. Oscar Niemeyer.

Incentivo às Artes Visuais sai da lanterninha em 2004 para a quarta posição em 2006/2007. Suponho que haja alguma relação com a instalação do Museu de Arte Contemporânea no C. C. Oscar Niemeyer.

Incentivo à Arte Áudio Visual tem um crescimento que não tem justificação e, como nas Artes Cênicas, deverá ser bem menor que o previsto. As únicas ações nesta área são o edital, que não foi realizado em 2006, e o Núcleo de Produção Digital, cujo orçamento divulgado é pequeno. Uma hipótese é que estejam aqui os gastos com a instalação dos cinemas do C. C. Oscar Niemeyer.

Suponho que os demais itens terão valores executados também inferiores ao previsto. O Um gosto de sol, por exemplo, começou bastante atrasado em 2006 e com mudança do local, da Praça do Sol, que lhe dava nome, para o C.C. Oscar Niemeyer.






Em Resumo
A repercussão do clamor pela elaboração de uma política cultural para o estado tem sido nula nos meios políticos. No decretão do governador foi estabelecido um grupo de trabalho para elaborar uma nova política industrial, mas para a cultura, nada(vide texto anterior).

A quem esta acostumado com a carência crônica de recursos da Agepel para o fomento à produção e difusão cultural, surpreendem a magnitude de suas despesas com pessoal e o montante de gastos decorrentes da construção, instalação e manutenção dos centros culturais, em especial do Oscar Niemeyer.

Apenas os gastos com custeio, a partir de 2007, equivalem a 70% do orçamento total da agência em 2003. Ou seja, pagaremos, com o que nunca tivemos, o que ninguém nos perguntou se ou como queríamos.























Cultura Zero?

Teve grande repercussão o decreto do governo do estado suspendendo os gastos com eventos. Já fiz referência aqui ao artigo de Eduardo Horácio a respeito, que contextualiza a medida em relação às eleições, de onde tomo emprestado este título. O temor é de que haveria uma paralização das atividades na área cultural. Será?
São dois os pontos polêmicos: o primeiro, a limitação dos apoios pela Lei Goyazes ( uma caixa preta que precisa ser tratada em separado, o que farei posteriormente); a segunda medida é a que proíbe, até primeiro de julho deste ano, "a participação, a realização, o apoio financeiro, o patrocínio ou qualquer outra forma de gasto, inclusive à conta de Fundos Especiais, com feiras, exposições, rodeios, congressos, competições, comemorações e outros eventos do gênero".
Não há nada aqui que insinue as atividades regulares da Agepel. Primeiro, porque desde o início da gestão passada, em 2003, ela não concede apoio ou patrocínio financeiro, alegando ser "impossibilitada, pela Lei de Responsabilidade Fiscal, de repassar valores `a [sic] pessoas ou entidades, ficando o apoio restrito às realizações da própria agência", conforme resposta dada a reivindicações da classe teatral. Seus apoios têm se limitado ao empréstimo de seus veículos, com pagamento de diárias e combustível pelo beneficiado, ou à liberação da taxa mínima na locação dos teatros. Segundo, e mais importante, a essência da atuação da agência foi a busca de visibilidade máxima com os eventos, a tal ponto que cachê virou sinônimo de fomento. Não realizá-los equivaleria praticamente a declarar a inexistência da própria Agepel. Ademais, apenas a Bienal do Livro e o FICA ocorrem no primeiro semestre e este segue sendo executado normalmente.
Surreal seria se as as vítimas fossem exatamente as duas únicas ações da Agepel que partiram de reivindicações do meio artístico - os editais do teatro e do áudio visual, cujos valores são irrisórios (não chegam a 0,5% do seu orçamento total) e, mesmo assim, não foram realizados todos os anos desde 2003.
A questão cobra uma análise dos gastos da agência, que farei no próximo texto, a partir de tabela que elaborei. Para isso, utilizei dados da própria Agepel (orçamento executado 1999-2005 e orçamento previsto 2006 e 2007) , obtidos pela intervenção do Ministério Público, na pessoa do Dr. Marcus Antônio Ferreira Alves, titular da 53ª Promotoria de Justiça, a quem agradeço, e, para os gastos com pessoal, informações divulgadas pelo TCE. Mantive para estes, em 2006 e 2007, o mesmo valor de 2005, o que não deve ser muito diferente do número a ser apurado, pois o valor incluído na proposta orçamentária enviada à Assembléia Legislativa, para 2007, era inclusive menor.

07 novembro, 2006

Chamado à Razão: A Cultura na Mídia Goiana - 3

A matéria de O Popular que mencionei no segundo texto desta série teve desdobramentos na seção Cartas dos Leitores do jornal:
Cultura em Goiás
A leitora Deolinda Conceição Taveira Moreira foi muito feliz em sua carta sobre a matéria do jornalista Renato Queiroz sobre cultura. O que ela comentou é o que realmente acontece nos projetos culturais por este Brasil afora.
Os gestores culturais ficam presos aos seus amigos, como se a cultura girasse ao redor de grupos. Como a leitora comentou, quando alguém vai a uma festa e é convidado a tocar ou cantar, ou a expor seus quadros, o ganho é somente a divulgação.
Até parece que o artista não vive como todos os seres mortais, ou seja, não come, não se veste, não fica doente, não precisa de dinheiro. Nas mudanças de governo, sempre o que entra quer deixar a sua marca, aí vem outro grupo se esquecendo de que o projeto tem de ser sério e para todos.

DiMagalhães
Cidade de Goiás – GO
Temas culturais

A matéria Propostas genéricas para cultura, do jornalista Renato Queiroz, publicada neste excelente veículo de comunicação, é muito mais do que a área cultural está habituada. E reflete a ausência total de políticas públicas para a cultura em Goiás.
O agente público lembra-se da cultura quando decide dar uma festinha e convida um artista para tocar ou quer decorar seu gabinete e pede quadros para isso. Ora, o que será que o artista come? Vento?
A entrevista demonstra que todas as propostas estão direcionadas à cultura como lazer, esquecendo que é também fonte de renda e sobrevivência dos produtores, que pagam impostos, empregam outras pessoas e trabalham com capital especial – a criatividade humana.
Todavia aponto duas propostas: uma, o banco do povo cultural, que acredito ser bastante pertinente, e a segunda a do retiro dos artistas. A matéria, a meu ver, veio em boa hora.

Deolinda Conceição Taveira Moreira
Vila Nova – Goiânia

18 outubro, 2006

Chamado à razão - Eleições: A cultura na mídia Goiana

Reproduzo abaixo artigo do jornalista Rogério Borges, publicado hoje em O Popular, na página de opinião. Tenho reproduzido e/ou comentado trechos de matérias suas no Magazine e artigos de opinião. Complementos essenciais ao seu artigo são o de Eduardo Horácio, sobre a Política Cultural do Tempo Novo, Política de Eventos e a entrevista dele com Eládio Garcia Sá Teles, ambos na Tribuna do Planalto e a matéria de Edson Wander, também do Magazine, disponível no Overmundo, sobre Política Cultural. Os candidatos, caso se interessem, estarão bem servidos. As remissões ( links) estão ao final.




Um patinho feio chamado cultura


Nesta campanha eleitoral no segundo turno, assistir ao horário político tornou-se mais que um exercício de paciência. Transformou-se em prova de resistência para o estômago. As acusações e as comparações pipocam a cada segundo. É dinheiro de dossiê pra cá, é ameaça de privatização em massa pra lá; é um dizendo que o adversário é sombra do padrinho político, é o oponente respondendo que o rival adora prejudicar funcionário público. E assim a campanha passa, as propostas se perdem entre ofensas e insinuações e não conhecemos os reais intentos de quem deseja ser presidente ou governador.

Rogério Borges

Os nossos ilustres candidatos, eventualmente, quando não estão ocupados em avacalhar com o adversário, até falam em planos – muito genéricos, diga-se de passagem – para a saúde, a educação, a geração de emprego e renda. Mas já estamos na reta final da campanha e o eleitor não sabe, por exemplo, o que eles pensam sobre áreas como a cultura.

Cultura? Algumas pessoas podem até estranhar que um tema que geralmente não faz parte do cardápio principal de uma eleição seja lembrado aqui como uma área que mereceria uma atenção maior dos candidatos. Talvez esteja exatamente aí a raíz de muitos de nossos problemas. Talvez seja exatamente pelo descaso com que a cultura sempre foi tratada neste País que ele ainda precise conviver com debates políticos tão pobres e rasteiros, desrespeitosos com o eleitor, que se vê participando deste processo como mero coadjuvante, quando deveria ser o contrário.

No lamentável debate da TV Bandeirantes entre Lula e Alckmin, quando os dois faltaram se engalfinhar na frente das câmeras, com uma recíproca e intermitente “troca de gentilezas”, nenhuma sílaba sequer foi dedicada à questão da cultura. Será que foi porque essa área não exige um acompanhamento mais próximo, já que seria supérflua? Ou os candidatos acham que tudo está tão bem neste setor que não há mais nada a fazer para melhorá-lo? Quem convive com a cultura e quem a produz sabe que existe uma carência de políticas públicas para a área, no amplo leque de iniciativas que ela engloba.

O brasileiro lê menos do que deveria, milhares de cidades não têm sequer uma sala de cinema, faltam bibliotecas, peças de teatro viraram artigos de luxo, os museus estão às moscas pela falta do hábito em visitá-los. As manifestações folclóricas sobrevivem a duras penas, os grupos musicais da periferia têm dificuldade em mostrar seus trabalhos, os espetáculos de dança são raros e as exposições de artes plásticas são programas restritos às elites. Motivos não faltam para despertar o interesse dos homens públicos para a área, mas eles preferem se dedicar a programas de maior visibilidade, que tragam resultados mais imediatos.

Cultura é mesmo algo difícil de lidar. Exige sensibilidade, boas idéias, ações criativas, conhecimento de causa, paixão. Estes são predicados que estão diminuindo na classe política brasileira. E o maior sinal disso não é o fato de o presidente cometer erros de português ou ter pouca instrução. Quem pensa assim também não entende nada dos verdadeiros parâmetros culturais que, acima de tudo, são democráticos e não aceitam esse tipo nojento de preconceito de classe.

O maior sinal de que a cultura está ficando para escanteio é sua total e absoluta ausência no momento em que o debate político nacional atinge seu ápice. Essa desconsideração mostra que as preocupações de fundo cultural não são prioritárias para os candidatos, para o ex-metalúrgico inimigo das concordâncias e para o médico formado com discurso impecável e empolado. Nesse sentido, ambos demonstram se igualar na ignorância. Na ignorância do papel fundamental que a cultura exerce na formação de uma nação, na consolidação da democracia e na construção da identidade de um povo.

Quem não entende isso, não deveria se achar em condições de conduzir um país ou um Estado. Quem não enxerga a importância que tem a cultura a ponto de não lhe dedicar dois minutos no horário eleitoral gratuito, um minuto de uma réplica num debate, a exposição de uma única proposta para o setor em um comício, sinceramente, não deveria entrar na vida pública. Políticos que não reconhecem a cultura como fundamental para um povo, uma nação, têm muito mais chances de atrapalhar do que de contribuir. Sabemos que desemprego, filas em hospitais, falta de escolas, crise no campo e obras de infra-estrutura são temas primordiais e não podem ser negligenciados. Mas a cultura deveria ser encarada neste mesmo patamar de importância, o que não ocorre. E enquanto não ocorrer, estaremos fadados a, em todas as eleições, discutir os mesmos problemas, apontando as mesmas soluções retóricas, sem com isso mexer na base, no que verdadeiramente interessa.

Rogério Borges é repórter do Magazine
Leia mais:
Seis meses depois, o fim do anonimato - trecho da entrevista de Rogério com Paulo Mendes da Rocha
Highlanders - trecho da matéria de Rogério sobre a profusão de academias de letras no Brasil, em especial em Goiás
No Forno - reprodução de seu artigo A literatura e os diletantes - fundamental para entender o meio cultural goianiense
Seis meses depois - sobre a entrevista de Eládio Sá Teles na Tribuna do Planalto
Bravo!! - onde comento o artigo de Eduardo Horário e a matéria de Edson Wander

03 abril, 2006

Bravo!!!!

Ontem foi um dia excepcional para a meio cultural de Goiânia: um novo patamar foi estabelecido na cobertura do setor pela nossa imprensa, inaugurando a discussão consistente de política cultural em nossos jornais.

Em O Popular, o Magazine trouxe na capa e mais uma página interna a mais completa matéria (abaixo) já feita sobre o tema no estado, de autoria de Edson Wander. Além da pesquisa cuidadosa, ponto a mais pela entrevista com Yakoff Sarkovas (registre-se que os ex-integrantes do Conselho Municipal de Cultura tentaram mais de uma vez trazê-lo a Goiânia, sem conseguir sensibilizar o ex-secretário de cultura a viabilizar os recursos).
(Para ler os artigos em tela cheia, clique no botão mais à direita na parte superior da janela respectiva)

Qual Incentivo -1
Qual Incentivo 2
Qual Incentivo 3





Na Tribuna do Planalto, Eduardo Horácio esclareceu de forma definitiva a lógica que comandou as ações do governo estadual na cultura no artigo Política de Eventos. O acesso ao texto é livre, sendo o segundo na página acessada em http://www.tribunadoplanalto.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=461&mode=thread&order=0&thold=0
Blogueiro de primeira hora, Eduardo havia interrompido seu Descaminho à época da última mostra O Amor, a Morte e as Paixões, da qual fez uma cobertura excepcional. Desde o fim de março, voltou à ativa, num projeto mais amplo, o JornalX, disponível em www.jornalx.com.br.
A cultura agradece!

Atualização em 12.03.09 - retirei do texto dois parágrafos , tendo em vista que os artigos não estão mais disponíveis nos links neles indicados (O Popular e Overmundo), colocando-os para visualização nesta página. Inclui os marcadores, que na data original ainda não existiam no blogger.