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| C.C. Oscar Niemeyer, símbolo de uma época |
10 junho, 2013
Cultura e Governo em Goiás: indicação de leitura
13 maio, 2011
Túnel do tempo : enquanto o blogueiro não volta...
Provavelmente, cabe aqui o mesmo comentário que tenho lido sobre a Primavera Árabe: as ferramentas das redes sociais sem dúvida nenhuma ajudam, mas se não houvesse uma movimentação no mundo real, uma indignação sincera com a situação vivida pelo meio artístico ( assunto dos últimos posts), nem twitter, nem facebook trariam alguém aqui.
Enquanto me organizo para voltar a postar com regularidade, encontrei um artigo que esqueci nos rascunhos. Curiosamente, é o segundo de três e publiquei os outros dois. Vale a pena pois trata justamente da mobilização do meio artístico. É de 3 de novembro de 2006 (o segundo turno foi no dia 29 de outubro, entre Alcides Rodrigues e Maguito Vilela). Será que evoluímos nesses cinco anos?
Chamado à razão - Eleições: A cultura na Mídia Goiana 2
Uma semana após a publicação do artigo do repórter Rogério Borges (Chamado à Razão - A Cultura na Midia Goiana), o Popular trouxe, no dia 26, quinta-feira anterior ao segundo turno da eleição para governador, no caderno Eleições, uma matéria sobre a precariedade das propostas dos dois candidatos para a Cultura. A matéria, de autoria do também repórter do Magazine Renato Queiroz, tinha uma breve entrevista com os candidatos, um box com suas propostas e era encabeçada pelo texto Propostas Genéricas para A Cultura, escrito a partir de entrevistas com pessoas atuantes na área. Fui uma delas. Minha fala aparece no último parágrafo:
From: marcus fidelis
To: leitor@jornalopopular.com.br
Cc: fórum
Sent: Thursday, October 26, 2006 6:12 PM
Subject: Matéria de hoje - caderno eleições
Senhor editor,
Parabéns pela matéria sobre as propostas dos candidatos para a cultura.
Esclareço ser o autoritarismo a que me referi uma característica observável cotidianamente nas ações de nossos gestores culturais. Algumas delas, inclusive, abordadas em matérias anteriores neste mesmo jornal.
O veto à construção democrática de uma política cultural é comum às duas forças políticas que disputam a eleição para governador. A administração estadual o faz por omissão e a administração municipal de Goiânia ressuscitando práticas da República Velha, a ponto de desrespeitar sentença judicial.
Discuto a questão em maior detalhe no texto Atitudes Diversas, Resultado Idêntico, Mesma Razão, disponível em www.entreatos.blogspot.com.
Atenciosamente,
Marcus Fidelis
Produtor Cultural
04 setembro, 2009
Política Cultural em discussão - 10 - Relatório final do GT
Na quarta-feira, dia 2, os integrantes do grupo concluíram a assinatura do documento, entregue à nova Diretora de Ação Cultural, Tânia Bastos, que o encaminhará à Presidenta da Agepel, Linda Monteiro. No ofício que o acompanha, pedimos urgência na nova convocação do fórum, para apreciação dos relatórios dos GTs.
Abaixo,o relatório, com 9 páginas. São duas partes. Na primeira, é feita uma análise da situação e na segunda são feitas propostas.
Como complemento, logo abaixo, a reportagem de Edson Wander, publicada em O Popular, no dia 23, sobre as mudanças na Lei Rouanet - já disponibilizei a anterior, de 27 de junho, sobre os GTs.
Tentarei atualizar este post com mais informações nos próximos dias.
Atualização em 24.09 - Agepel indica datas para nova reunião do Fórum e MP abre procedimento para investigar termo de parceria para execução do Canto de Primavera (leia aqui).
relatório final gt
Qualéomelhormodelo
06 agosto, 2009
Política Cultural em discussão - 9 - Grupos de Trabalho (GTs) entram na reta final
O documento final a ser aprovado ficará disponível, para que possa ser consultado e comentado antes da nova reunião do fórum a ser convocada pela Agepel, prevista para a 2a quinzena deste mês.
Disponibilizo abaixo as três matérias da reportagem sobre os GTs, publicada em O Popular em junho, bem como as três últimas atas aprovadas no de financiamento (já publiquei as outras anteriormente).
Um pequeno reparo à matéria do jornal: há quase três anos não tenho mais qualquer vínculo profissional com o Grupo Zabriskie Teatro ou com o Teatro Zabriskie, local onde desenvolve suas atividades. Minha eleição decorreu da participação que tive nos debates do fórum, embasada nos artigos e estudos aqui publicados.
O Popular - GT
O Popular -GT1
O Popular -GT2
Ata 4ª reunião GT financiamento
Ata da 5ª reunião GT financiamento
Ata 6ª reunião GT financiamento
03 agosto, 2009
Atualizado - Músicos goianos finalmente protestam - mas é contra a crítica
Confira no post , abaixo.
P.S., em 04.08 - fiz outra atualização. Continuarei a fazê-lo da mesma forma ( no post original) , à medida que surgirem fatos novos.
31 julho, 2009
Músicos goianos finalmente protestam - mas é contra a crítica (atualizado)
Não se trata de protesto por ter havido uma concentração das contratações para shows pela Agepel em um grupo de artistas (uma "panelinha", segundo o ex-presidente da agência), ou pela falta de política cultural.
É o contrário: o protesto é contra a crítica feita pelo jornal ao novo disco de um dos integrantes do grupo. Assinada pelo jornalista cujo trabalho não canso de elogiar aqui pela cobertura da (falta de ) política cultural no estado: Edson Wander. O que estará acontecendo?
Antes de mais nada, o fato de uma matéria de tom crítico ser publicada é sinal da nova fase que vive o jornal, desde meados de 2007, a partir do escancaramento da crise por que passa o estado. Clima de maior liberdade também compartilhado pela Assembleia Legislativa, segundo alguns deputados, pelo fim do "clima de 'coronelismo'" que ali imperava.
Nos velhos tempos, uma crítica podia significar a demissão do atrevido. É o que teria acontecido com um antecessor de Wander, Adalto Alves. Segundo publicou o jornal Opção, em maio de 2005, uma crítica séria, mas contundente da música de Orlando Morais custou o emprego do crítico no mesmo O Popular (em 2006, O Globo, jornal que pertence ao mesmo grupo que a rede de tv onde trabalha a mulher de Morais o entrevistou e questionou o destaque dado ao seu trabalho).
Imagine o que não aconteceria com quem criticasse algum dos integrantes do grupo predileto da Agepel, como é o caso agora? Na verdade nada, porque com certeza não seria publicada...
Não tenho competência para avaliar a matéria quanto aos aspectos técnicos musicais. Mas sou admirador do profissionalismo do trabalho jornalistico de Wander, como já expus aqui várias vezes (veja no marcador). Não se trata também de um crítico rabugento, que persiga os trabalhos locais: lembro-me, por exemplo, que elogiou o trabalho com músicas infantis da Pandarus e também o de Juraíldes da Cruz (Cd Meninos). Outros exemplos do seu trabalho estão no site da extinta gravadora Kuarup, que reproduz a crítica que fez a um disco de Xangai e no Observatório da Imprensa há uma matéria sua sobre Reality Shows ( Grotesco reina tolerado). No Overmundo, há dezenas de textos que produziu como correspondente em Goiás.
Sobre João Caetano, cujo disco motivou a polêmica, e Pádua, que abriu um abaixo-assinado publicado hoje na seção de cartas, encontrei uma matéria de março deste ano , sobre o show que dividiram no projeto Goiânia Canto de Ouro.
Abaixo, as cartas e os três textos que compunham a matéria, para que o leitor possa fazer sua própria avaliação.
Atualização em 02.08 - Coincidentemente, no dia 31, Maurício Stycer escreveu sobre o delicado papel do crítico de cinema, citando Paulo Emílio Salles Gomes. O engajamento do maior crítico brasileiro era notório, como ilustra a provocação que é citada na abertura do artigo: o pior filme nacional é melhor que qualquer filme estrangeiro.
Sendo o cinema brasileiro um mundo relativamente pequeno, as questões tratadas no artigo podem ser estendidas ao que ocorre em qualquer arte nos rincões do país. Sua conclusão: passar a mão na cabeça de um diretor pelas poucas qualidades de seu filme e fingir indiferença em relação aos seus defeitos é um desserviço que os críticos, às vezes, prestam ao cinema brasileiro.
Uma alternativa, em se tratando de artistas iniciantes seria não falar nada, como faz o blogueiro e professor de literatura Idelber Avelar: a certeza que você pode ter é que, se você for um jovem contista, me enviar o seu livro e eu achar que ele é uma porcaria, eu não farei uma resenha dizendo isso. Não tenho o menor interesse em detonar um jovem escritor.
Alguns dias antes, Stycer tinha tratado da caixa-preta que envolve a promoção da música (na sua vertente sustentada pelo mercado) nas rádios brasileiras: a prática do jabá.
Atualização 2, em 3.08:
1.
Entrei em contato com Leo Razuk, que também trabalhou em O Popular nos velhos tempos, cobrindo a área de música. Confirmando o que eu dissera antes sobre a nova fase por que passa o jornal, e contou que matérias críticas realmente não era permitidas:
Pedi a Edson Wander a íntegra do texto da carta (na verdade e-mail) com os 12 signatários (abaixo) .Segundo ele, o editor da seção de Cartas dos Leitores o procurou para responder a ela, mas ele não quis fazê-lo por acreditar que eram manifestações legítimas das pessoas, apesar de achar risível a maioria dos argumentos, tomando a crítica por uma questão pessoal e esquecendo-se dos vários textos elogiosos que já escrevera, inclusive sobre o trabalho de alguns dos signatários .
Constatei que um deles é Juraíldes da Cruz, que recebeu críticas elogiosas, como eu exemplifiquei acima. Mesmo no texto que gerou a polêmica é elogiado um outro trabalho de João Caetano. Curiosamente, nem ele, nem a professora assinam a carta.
No original da carta, são reproduzidas as definições de dois dicionários para o termo cacoete. Um deles é o Michaelis, que eu havia consultado quando li as cartas no jornal. Considerando o segundo e o terceiro sentidos, não vi nada demais na crítica: entendi que a predileção, o hábito lírico da professora não tinham caído bem com a música ( que aliás foi uma das elogiadas). Na carta enviada, no entanto, foram omitidos os números que indicam os três diferentes sentidos:
-----Mensagem original-----
De: Elizabeth Garcia
Enviada em: quarta-feira, 29 de julho de 2009 15:44
Para: andre@jornalopopular.com.br; cileide@jornalopopular.com.br;
junes@jornalopopular.com.br; leitor@jornalopopular.com.br
Cc: contato@mariaeugenia.com.br; contato@comacordatoda.com.br;
souza.leandro@gmail.com; juraildescruz@yahoo.com.br; Larissa Moura;
tomchris.cristiano@gmail.com; marcelocbmaia@yahoo.com.br;
edilsomdil@gmail.com; dimarviana@yahoo.com.br; leobessa@upmusic.com.br;
leobessa@hotmail.com; orionamorim@hotmail.com; reny cruvinel;
romero@identidadecomunicacao.
paduagyn@terra.com.br; fredericovalle@hotmail.com; cvbrito1@terra.com.br;
mairafama@hotmail.com; fernandoperillo@bol.com.br;
musicagoiana@terra.com.br; Marcos Nimrichter; João Caetano;
ricardo@ricardoleao.com.br; iw.filho@uol.com.br; Otavio Daher;
carlosbrandao7@gmail.com; michelle@hotcaldas.com.br; daliajunior@bol.com.br
Assunto: carta resposta ao popular- materia opniao do Magazine
Ao Sr. Editor do Jornal O Popular
Referente a crítica do dia 24 de julho de 2009 na revista Magazine deste
Jornal.
Estamos escrevendo diretamente para este Jornal pela força e
responsabilidade que tem O Popular, e especialmente pela história que
temos feito juntos. Esta Imprensa, que se coloca como grande
divulgadora das artes goianas, com o slogan "O que Goiás tem de bom a
gente mostra", de fato o é, e estamos sempre gratos e atentos a tudo
que nos diz respeito.
Achamos que o jornalista autor da crítica não foi capaz de entender a
proposta do CD "Duetos", de João Caetano, pois se trata de um CD
comemorativo da brilhante carreira do artista, incluindo seus maiores
sucessos sempre cantados junto com um parceiro amigo. É, portanto, a
celebração da amizade, do encontro e da união, fato que é de suma
importância para classe musical e para música goiana em si, e só por
isso seria relevante pelo ineditismo da proposta e pelo sucesso
alcançado, contendo nada menos que 17 cantores consagrados
brasileiros, entre goianos e cariocas.
Não é um CD normal de carreira, como se diz, no qual se coloca músicas
novas e se propõe algo novo em matéria de composição, e obviamente não
pode ser criticado por este motivo. Tal crítica só e feita por quem
não ouviu ou se ouviu não entendeu.
É extremamente deselegante fazer comparativos entre artistas que
participam do CD, pois mais uma vez voltamos a frisar que o trabalho
promove um encontro, e o crítico, com sua opinião Pessoal, tenta
promover o contrário.
Percebemos, por outras críticas, que o estilo MPB geralmente não
agrada ao jornalista em questão , pois outros estilos ele ouve e
escreve com o devido respeito, mas quando não, ele é deselegante e às
vezes até grosseiro. Aqui cito apenas duas frases suas dessa última
critica, pois não nos interessa falar de críticas anteriores para que
não fique muito longo:
" ...Cacoetes líricos de Honorina Barra"
"... Um trabalho menor na curta e bissexta discografia do artista"
O jornalista deveria ter respeito por artistas consagrados que deram
sua vida pela música em Goiás e no Brasil. Honorina Barra é uma das
cantoras mais premiadas do país e não cabe a nós mandar o currículo
dela já que um bom jornalista deveria procurar conhecê-lo.
"Cacoete..."( * )é um defeito e isso ela não tem, se alguém não gosta
e não é capaz de entender não é capaz de criticar.
"Trabalho menor..." é no mínimo uma indelicadeza para um trabalho
feito com tanto carinho, dedicação e competência. Esse CD foi gravado
com a melhor técnica que existe hoje e todo processo foi primoroso e o
resultado espetacular. Ressaltamos o amor e dedicação impar de todos
os envolvidos: músicos, arranjadores, técnicos e principalmente os
artistas.
Por último, para que se possa fazer crítica sobre o trabalho de alguém
é necessário conhecer profundamente o assunto, para que não se corra o
risco de ser leviano, o que parece não ser o caso. O que Goiás tem de
bom a gente mostra, com o mínimo de respeito que se deve à história de
cada um.
(*)Cacoete: - gesto, trejeito ou hábito corporal feio, de mau
gosto, anormal, ridículo ou vicioso - Houaiss
- movimentos involuntários, que consistem em contrações
musculares do rosto, em gestos desagradáveis etc. Palavra ou locução
predileta com que alguém entremeia amiúde a conversação.
Hábito, mania, sestro - Michaeles
Assinado:
Antonio de Pádua Silva (Pádua)
Bel Maia
Cláudia Mendonça
Cristiano Pereira da Silva (TomChris)
Elizabeth Garcia de Almeida
Juraildes da Cruz
Larissa Moura
Luiz Fernando Carijó Chaffin (Luíz Chaffin)
Maíra Lemos Vieira (Maíra)
Marcelo Maia
Maria Eugênia Pacheco Alencastro Veiga
Michelle Cristina Ramos Martins
Otavio Daher
Atualização 3, em 4.08:
1.
Hoje, uma carta parabenizando a editoria do Magazine e Edson Wander por exercerem a crítica.Salvo engano, assinada por um profissional da área de comunicação, o que ressalta, como já disse, ser este um novo momento ( e ontem, mais uma no mesmo tom das anteriores). Estão inseridas na sequência cronológica, junto às demais, abaixo.
2.
Encontrei no Diário da Manhã, na coluna de Luís Carlos do dia 22.07, um exemplo do comentário usual em Goiás:
Na terrinha
O cantor e compositor João Caetano, goiano radicado no Rio há cerca de 30 anos, escolheu Goiânia para lançar seu mais recente CD Duetos, onde reúne contores do Estado, além dos cariocas Ivan Lins e Zé Renato (Boca Livre). O show de lançamento terá a participação da maior parte dos cantores com quem gravou as 17 faixas de Duetos e será nesta sexta-feira, a partir das 22 horas, na Praça de Eventos da cidade de Goiás. No domingo, 26, João Caetano distribui autógrafos em coquetel às 19 horas na Fundação Jaime Câmara.
E no dia anterior, para comparar com as matérias de Edson Wander, a matéria-release do mesmo jornal, na linha que Leo Razuk era obrigado a praticar.
Atualização 4, em 4.08, às 13:30:
1. Reproduzo os comentários postados por Deolinda Taveira e Marcos Caiado:
- Deolinda disse...
-
A situação beira o ridiculo, alguém escreve uma crítica, direito constitucional, a liberdade de expressão, e os que se sentem criticados fazem abaixo assinado.
Fala sério!
- Marcos Caiado disse...
-
Esse vício blindex é típico das academias literárias e afins daqui de Goiás, veja que o silvo inicial foi a Aflag quem deu. Vício pronvinciano que confunde amizade com resultado de trabalho. Vamos nos lamber dentro da mesma concha de vidro, sobre o pedestal da vaidade (anão e surrealista!)...A obra de arte mais bem composta por aqui é, sem dúvida, a máscara que camufla a mediocridade geral e os seus interesses.
Quanto `a manifestação contrária aos escritos do Wander, a mim tambem me incomodou de cara e, particularmente, nao tomei a palavra Cacoete por uma ofensa. Quer saber? Conviver com os cacoetes da elite cultural goiana desanima! Em todas as esferas.
Parabenizo vc, Marcus, por levantar a voz. E fico triste quando noto que em defesa do crítico, ou da crítica, no espaço das cartas, só apareceram as poucas linhas escritas pelo Aramndo, que é sim, da área de comunicação
2. Só agora, lendo a versão impressa do jornal, vi o artigo de Celso Costa Ferreira em defesa de Edson Wander. Parte da resposta à pergunta que ele faz está aí em cima, no comentário de Marcos Caiado.
O que é isso, companheiro!
Celso Costa Ferreira
O que é isso, Edson Wander? Quem és tu? De onde vieste? És novo na praça? Desconheces como funcionam as coisas em Goiás? Não te conheço, mas penso que sim, não és da terrinha, pois se fosses saberias que não se pode fazer crítica por aqui, principalmente musical. A regra é bater palma, dizer amém e seguir em frente. Que fora tu deste! Fizeste uma leve crítica e agora aguente as consequências. É bom para aprender!
Para quem não acompanhou. Edson Wander fez uma pertinente crítica musical sobre recente show de artistas goianos na cidade de Goiás e recebeu pedradas de todo lado.
Um amigo jornalista certa feita ousou criticar um disco de outro amigo – a quem, por sinal, havia ajudado várias vezes – e recebeu o que merecia: foi ameaçado de morte, revólver em punho, olhos rútilos, baba espessa, a justiça pronta a ser feita por tamanha falta de corporativismo com “as coisas de Goiás”. Escapou por pouco...
Há tempos perguntei a um talento musical de Goiânia, por que a gente nunca teve um músico – cantor, compositor, instrumentista – com um incontestável sucesso nacional. Incontestável no sentido de ser reconhecido em qualquer canto do País, como são os maranhenses, cearenses, paraibanos, todos fora dos grandes centros e com vários representantes no cenário musical do País. Ele me disse que faltava união da classe. Quer dizer então que se ajuntar todo mundo pra dar uma forcinha a coisa vai? Penso que não é por aí.
Não falo, evidente, da praga sertaneja, que só piora a situação. Eu quero falar é de música. Tenho grandes amigos cantores e compositores goianos, gente de inegável talento, extrema sensibilidade poética e musical, que tem estofo suficiente para “estourar” nacionalmente. E por que isso não acontece?
Acredito que um das muitas razões é este ranço provinciano, esta reserva de mercado acrítica, esta incapacidade de permitir comentários que não sejam a favor, de ousar, de dar a cara para bater.
A nossa música já ultrapassou esse tempo – pedir para ser ouvida –, tem qualidade e sofisticação suficientes para ser apreciada com muito prazer, mas é preciso que parem de fazer biquinho a qualquer manifestação de desagrado.
Dentre as cartas dos leitores que escreveram ao POPULAR sobre o assunto, li com satisfação a da ótima cantora Claudia Vieira, que foi ponderada, adequada, equilibrada. Não é com raiva e desconsideração ao outro que vamos fazer que a nossa boa música atinja o lugar que merece.
Eta Goiás!
Celso Costa Ferreira é psiquiatra, cronista do POPULAR
Atualização 5, em 05.08.
Publiquei o conto É tudo Mentira, de Adalto Alves.
Atualização 6, em 06.08 - incluí Carta do Leitor da Pianista Marina Machado, pesquisadora e professora (abaixo).
Fim das atualizações
Cartas dos Leitores
29.07.09
Discordância da crítica
O artigo Entre amigos, de Edson Wander, publicado sexta-feira no POPULAR, despertou indignação entre os leitores que conhecem o desempenho da cantora lírica e professora Honorina Barra. A análise do CD, destacada do todo da reportagem, dando a impressão de matéria não assinada, além do tom desrespeitoso e provocador, emprega termos não pertencentes à crítica musical.
Quando se refere à participação de Honorina Barra na faixa Sempre no Coração, revela o desconhecimento do valor desta premiada e reconhecida cantora lírica, professora, hoje integralmente dedicada ao aprimoramento de grande número de artistas goianos.
Como presidente da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, na qual Honorina Barra ocupa a Cadeira nº 18, externo nossa discordância.
¤ Na sexta feira, fui à cidade de Goiás com três amigos assistir à mudança da capital – transferência simbólica do governo para a antiga capital goiana. Adquiri um exemplar deste jornal onde uma matéria no Magazine falava sobre um show do goiano João Caetano, com participações especiais de outros artistas.
Nesta mesma matéria, havia uma análise de Edson Wander com o tema Revival arriscado, em que o autor se contradiz várias vezes com o show a que assisti. Tenho 26 anos, sou músico amador e nunca havia assistido a um show de artistas goianos.
Os cantores Maíra, Pádua, Juraíldes da Cruz, Larissa Moura, Maria Eugênia e o próprio João Caetano transmitiram, através das letras, emoção, juventude, vibração e simplicidade. Fiquei emocionado por ver de perto artistas da minha terra com tanto valor. No final, uma senhora de uns 65 anos, criticada por Edson, subiu ao palco para cantar o primeiro verso da música: Você Sabe Onde Fica Goiás? Parecia que Honorina Barra estava conversando com João em cima do palco e mostrando que Goiás é o coração transmitindo uma energia contagiante.
E por falar nisso, Honorina deveria também ensinar para Edson Wander não só onde fica Goiás, mas também os valores. O que li no Magazine não foi o que eu vi no show.
Parabéns a João Caetano e a todos que fizeram o público se emocionar em vários momentos.
PEDRO PAULO CRAVEIRO
Goiânia – GO
Crítica é crítica
Participei do CD e do show de lançamento de Duetos do João Caetano. Fiquei feliz e honrada em poder participar dos dois. Acho que ambos cumpriram sua intenção: comemorar de forma afetiva e artística a profícua carreira de cantor e compositor. Agora, crítica é crítica. A meu ver, sempre bem-vinda!
Pode fazer crescer ou não. Não é unanimidade. O crítico tem sua visão. Ter razão ou não é outro departamento. Não creio ser uma questão de ter razão. É uma visão, um ângulo que pode ou não corresponder à intenção do artista. Seja ele de qual área for.
Uma coisa, contudo, considero certa: Honorina Barra não padece de cacoetes. Sabe, muitíssimo bem, onde colocar a voz, o corpo, a emoção! E, para mim, ficará para sempre gravada na memória a felicidade e a honra, como cantora, de ter dividido o palco com esta intérprete.
Goiás tem muitas coisas boas, e a classe artística se preocupa em fazer o seu melhor para mostrar isso. Obrigada João Caetano e colegas participantes – cantores, músicos, técnicos. Posso ter dúvidas de tantas outras coisas, mas não de que Honorina Barra é o que de melhor temos por aqui! Que venham as tão bem-vindas críticas.
CLÁUDIA VIEIRA
Setor Oeste – Goiânia
CD de João Caetano
O fato é de suma importância para a classe musical e para a música goiana em si, e só por isso seria relevante pelo ineditismo da proposta e pelo sucesso alcançado, contendo nada menos que 17 cantores consagrados brasileiros, entre goianos e cariocas.
É extremamente deselegante fazer comparações entre artistas que participam do CD, pois mais uma vez voltamos a frisar que o trabalho promove um encontro, e o crítico, com sua opinião pessoal, tenta promover o contrário.
Percebemos, por outras críticas, que o estilo MPB geralmente não agrada ao jornalista em questão, pois outros estilos ele ouve e escreve com o devido respeito, mas quando não, ele é deselegante e às vezes até grosseiro.
O jornalista deveria ter respeito por artistas consagrados que deram sua vida pela música em Goiás e no Brasil. Honorina Barra é uma das cantoras mais premiadas do País e não cabe a nós mandar o currículo dela, já que um bom jornalista deveria procurar conhecê-lo. O que Goiás tem de bom a gente mostra, com o mínimo de respeito que se deve à história de cada um.
Goiânia - GO
03.08
Crítica à crítica
Gostaria de discordar da crítica feita ao CD Duetos, do cantor e compositor João Caetano, redigida pelo jornalista Edson Wander, no dia 24 de julho. Penso ser imprudente falar de “cacoetes líricos” ao se referir à maior educadora musical do Estado, Honorina Barra, mulher e artista tão valorosa e cujos ensinamentos ressoam nas principais vozes goianas na atualidade.
Penso que seja uma das maiores obras de João, ao contrário do que o repórter pensa, pois Duetos simplesmente compila, em som e imagem, a produção musical da MPB goiana dos últimos anos.
LEONARDO SANTANA
Goiânia– GO
Direito à crítica
Com relação ao CD Duetos, de João Caetano, gostaria de parabenizar o jornalista Edson Wander e a editoria do Magazine do POPULAR, pelo exercício da crítica em relação à produção artística e cultural de Goiás.
ARMANDO ARAÚJO
Centro – Goiânia
06.08
Música popular e erudita em Goiás
Sobre o artigo de Celso Costa Ferreira, gostaria de reiterar algumas falas. Não sei muito sobre a crítica do Edson Wander, até procurei mas não a encontrei. Vi, sim, a resposta de Cláudia Vieira e apenas posso inferir sobre seu conteúdo. Mas, voltando ao Celso, gostaria de pontuar algumas questões.
Concordo que o ranço provinciano, a que o autor se refere, seja, sim, um grande empecilho para que mais nomes apareçam no cenário nacional. Porém, Goiás é conhecido, especialmente em São Paulo, por seus músicos eruditos, principalmente cantores e pianistas.
Vários cantores, formados na UFG, atuam nos principais coros do Brasil, da Osesp e do Teatro Municipal de São Paulo. Um grande nome, que não aparece apenas no Brasil mas no exterior, é Sávio Sperândio, um dos melhores baixos da atualidade. No primeiro semestre deste ano, atuou como Don Pasquale no Teatro Real de Madri. Atualmente está na Itália, atuando no Festival Rossini. Se se digitar seu nome em um site de buscas da internet, logo podemos ver sua importância. Como ele, há outros.
Na edição de domingo, este mesmo jornal mostrou a pianista Valéria Zanini, atualmente na Dinamarca, em visita a Goiânia. Ainda com relação aos pianistas, um grande pianista brasileiro, recentemente em Goiânia, disse que “onde há um candidato de Goiás, dificilmente os concursos de piano premiam gente de outras localidades”.
Goiânia tem grandes pianistas – profissionais e amadores – fazendo bonito lá fora. O problema de eles não aparecerem por aqui pode ser mesmo o da falta de divulgação ou de incentivo por parte das entidades promotoras de cultura.
MARINA MACHADO
Setor Bueno - Goiânia
22 junho, 2009
Política Cultural em discussão - 8 - Jorcelino revelou o verdadeiro caminho das verbas
Faltou um comentário rápido sobre a cobertura, que faço agora. Foi pena o jornal não ter escalado Edson Wander. É ele o autor da maioria das matérias sobre política cultural publicadas no jornal. Inclusive a última, histórica, sobre o Centro Cultural Oscar Niemeyer. Como acompanha o assunto há tempos, seria o profissional mais talhado para a tarefa.
O jornal Opção, que tinha um repórter presente, não deixou passar a oportunidade. As declarações de Braga foram tratadas em 3 edições, gerando duas manchetes.
Na edição seguinte registrou a declaração de Braga sobre o Niemeyer. Na posterior, sua manchete foi um relatório do TCE detalhando as investigações feitas pelo órgão desde a inauguração da obra (publicadas no site do tribunal no dia seguinte - dois anos e meio depois deste blog destacar o aumento no custo). Mais uma edição, outra manchete: entrevista com o Procurador de Contas do TCE, Fernando Carneiro, com detalhes sobre o caso CAOA.
E eu, que pensava que o caminho das verbas levava à CELG.
Voltarei ao assunto.
11 abril, 2009
Política Cultural em discussão - 2 - Na história
Trata do trabalho excepcional de dois jornalistas: Eduardo Horácio, que explicitou a orientação que guiou as ações da Agepel até então, e Edson Wander, cuja reportagem sobre o fomento, tratando da Lei Municipal de Goiânia e da Lei Goyazes, segue insuperada.
A seguir, contribuindo para a discussão, publicarei informações inéditas sobre o fomento pelo governo estadual.
(03.04.06)
Bravo !!!!
Em O Popular, o Magazine trouxe na capa e mais uma página interna a mais completa matéria (abaixo) já feita sobre o tema no estado, de autoria de Edson Wander. Além da pesquisa cuidadosa, ponto a mais pela entrevista com Yakoff Sarkovas (registre-se que os ex-integrantes do Conselho Municipal de Cultura tentaram mais de uma vez trazê-lo a Goiânia, sem conseguir sensibilizar o ex-secretário de cultura a viabilizar os recursos).
(Para ler os artigos em tela cheia, clique no botão mais à direita na parte superior da janela respectiva)
Qual Incentivo -1
Qual Incentivo 2
Qual Incentivo 3
Na Tribuna do Planalto, Eduardo Horácio esclareceu de forma definitiva a lógica que comandou as ações do governo estadual na cultura no artigo Política de Eventos. O acesso ao texto é livre, sendo o segundo na página acessada em http://www.tribunadoplanalto.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=461&mode=thread&order=0&thold=0
Atualização em 12.03.09 - retirei do texto dois parágrafos , tendo em vista que os artigos não estão mais disponíveis nos links neles indicados (O Popular e Overmundo), colocando-os para visualização nesta página. Inclui os marcadores, que na data original ainda não existiam no blogger.
12 março, 2009
Niemeyer - O epílogo da novela, no Magazine - 2

Neste caso específico, também fiz questão de parabenizar o jornal ( o que já fiz aqui em mais de uma oportunidade). Mandei uma mensagem, publicada no dia 17, onde aproveitei para fazer uma ressalva ao comentário do deputado:

Infelizmente, a mensagem não foi publicada na íntegra (os trechos não publicados estão em azul):
defesa dos valores democráticos, em especial nas suas coberturas da
autodenominada operação legalidade e da área cultural.
Nesta última, a equipe do Magazine tem feito jornalismo da melhor
qualidade, aquele que justifica a própria existência da imprensa,
tornando públicos aspectos controversos na atuação tanto do governo
estadual quanto da prefeitura de Goiânia.
A propósito, é surpreendente a carta do deputado Thiago Peixoto
publicada nesta seção no dia 12 último, comentando a matéria
excelente de Edson Wander sobre o Centro Cultural Oscar Niemeyer.
Pelos tópicos que aborda, parece que o deputado não leu as matérias
publicadas sobre a atuação da Secult nos últimos anos.Os leitores
regulares deste jornal sabem que ali, para não ficar nos vários
inquéritos que se arrastam inconclusos no Ministério Público, em parte
pela falta de respostas da prefeitura, já houve até transação penal em
inquérito por improbidade administrativa e há uma decisão judicial que
não há poder para fazer ser cumprida há quase três anos.
Para não me estender, como morou na Califórnia, o deputado com certeza
conhece o ditado "those who live in glass houses should not throw
stones" ( literalmente "quem mora em casa de vidro não deve atirar
pedras"). Pois Casa de Vidro é precisamente o nome de um centro
cultural a ser construído nas imediações do Niemeyer. O projeto foi
lançado quando o deputado era secretário municipal de governo e sua
transparência se restringe aos vidros que o cobrirão.
Sobre centros culturais e política cultural, reproduzo artigo que publiquei em 9 de julho do ano passado. Nele, comparei o que se faz em Goiânia com a atuação do Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, além de elogiar e reproduzir uma outra ótima reportagem do Magazine :
Cultura Predial - entrando no cheque especial
O título da primeira matéria é muito feliz e resume a questão: Cultura predial. Junto com os eventos são os prédios que aparecem como prioridade das administrações, num ambiente de ausência de política cultural, como é o nosso. Ambos dão visibilidade, objetivo único da mentalidade estreita que só enxerga repercussão eleitoral imediata.
Veja-se em sentido contrário à situação descrita pela reportagem, de espaços construídos sem planejamento prévio, sem uma política de fomento à produção que os ocupe, o caso do Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília.
Inaugurado em outubro de 2000, o CCBB mudou o panorama da programação cultural em Brasília. Tem um teatro com 300 lugares, duas salas de exposição e um cinema, abrigados no prédio onde funciona a diretoria de gestão de pessoas do banco, projeto de Niemeyer - mas aqui tamanho não é documento: importa a qualidade, a continuidade e a variedade. Abriga mostras de cinema, exposições, shows musicais, peças teatrais e atividades literárias, entre outros, escolhidos através de seleção pública de projetos.
Em 2005, foram 80 atividades, a um custo de R$ 11 milhões ( média de R$ 137,5 mil por atividade). A previsão em 2006 era de um investimento de cerca de R$ 8 milhões, para cinquenta atividades (média de R$ 150 mil por atividade). Esses, os custos com a programação do espaço, para garantir sua movimentação. Não entram na conta os custos fixos (estrutura, funcionários, limpeza,etc.) nem aqueles que variam com as especificidades de cada projeto (tamanho do projeto, tempo de permanência, número de pessoas envolvidas e divulgação, etc., ).
É evidente, a partir desses dados, como o custo de instalação de um equipamento cultural é uma fração do custo necessário para mantê-lo cumprindo seu papel a contento, o que justificaria sua existência ( em outras áreas não é diferente, imagine-se um hospital, por exemplo).
Compare-se esses valores com o que será gasto com a construção da Casa de Vidro ( R$ 3 milhões) ou a Vila Cultural ( R$ 11,7 milhões), ambas com recursos oriundos de emendas ao orçamento da União. Junte-se o Niemeyer ( mais de R$ 65 milhões), o Goiânia Ouro ( R$ 2 milhões, segundo reportagem de O Popular sobre a inauguração, em 21.06.06) e o CETE, de custo não sabido.
O Goiânia Ouro, que completou dois anos recentemente, é um caso à parte. Na inauguração o Popular informou que o custo de implantação teria sido bancado pelo proprietário, em troca de um aluguel de R$ 13 mil à época ( atualmente R$ 16 mil, segundo a reportagem de Edson Wander). Os R$ 2 milhões, corrigidos pela poupança teriam rendido R$ 322 mil. Dois anos de aluguel, ao preço atual, dariam R$ 384 mil. Ou seja, o aluguel mal compensou o rendimento que seria obtido com a aplicação do dinheiro usado na reforma, o que faz do proprietário o maior mecenas de que se tem notícia em Goiás, quiçá no Brasil.
Em todos os casos, mais despesas fixas a consumir recursos que poderiam estar sendo investidos diretamente no fomento aos artistas ( confira a despesa com pessoal do Goiânia Ouro e o impacto do Niemeyer sobre o orçamento da Agepel).
Infelizmente, cada nova notícia só confirma o que eu disse a propósito do Niemeyer : pagaremos, com o que nunca tivemos, o que ninguém nos perguntou se ou como queríamos.
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