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13 julho, 2007

Novos Tempos, Um Novo Jornal

Se há um aspecto positivo na crise por que passa Goiás é a nova postura do jornal O Popular. Tenho me surpreendido a cada dia com as matérias que buscam dados no Diário Oficial, cobram informações do Legislativo, Executivo e Judiciário, contestam dados.

Na terça-feira, dia 3, diante da falta de esclarecimentos sobre o déficit do estado e seu enfrentamento, o posicionamento foi firme.

Conheço bem a má vontade em disponibilizar informações, pois lido com ela desde o início do blog e só a venci após ter recorrido ao Ministério Público (proximamente estarei disponibilizando os textos escritos com esses dados).


Como a versão do Popular na internet é exclusiva para os assinantes, reproduzo abaixo a análise publicada na edição citada, para exemplificar esse novo momento do jornal (infelizmente não consegui retirar esse sublinhado, que apareceu do nada):


ANÁLISE

Sem dar satisfações ao cidadão

Fabiana Pulcineli

O anúncio da prorrogação do decreto de janeiro mostra que, mais do que a demora em tomar atitudes, o governo tem outro grande problema: a falta de transparência e de comunicação interna. Fugindo da imprensa, o governador Alcides Rodrigues anunciou a reedição das medidas e não quis dar detalhes. Após seis meses, nos quais o governo esperava “zerar o déficit”, o governo prorroga o pacote de janeiro diante de um déficit duas vezes maior e sem explicar como foi a implantação do decreto.

Alguma medida gerou economia? Os itens do decreto foram mesmo implantados? Por que o déficit duplicou? “Ah, eu já vou avisando que o Braga não vai querer falar”, adiantou-se o assessor de imprensa da Sefaz, quando o POPULAR tentou saber o impacto do decreto nas contas do Estado. O chefe do Controle Interno, Luiz Carlos da Fonseca, foi curto e grosso: “Minha obrigação é passar os dados para o governo, não para a imprensa”.

Técnicos do governo, que estão por dentro dos números, estão proibidos de falar – quem quer ficar à beira da demissão como ficou Otávio Alexandre (subchefe do Controle Interno e o único que tentou defender o governo em entrevista ao POPULAR)?

É preciso avisar ao governador e ao secretário da Fazenda que ter acesso às informações sobre a administração pública é direito – garantido na Constituição – de todo cidadão. O governo tem o dever de informar a todos os goianos, que pagam seus impostos, como está a situação do Estado e o que (como e quando) está sendo feito para equilibrar as contas.

É preciso que Braga saiba, assim como o governador, que não estão fazendo favor para a imprensa quando prestam esclarecimentos. Nosso papel é informar o cidadão que não entende por que o Estado contrata comissionados quando deveria estar economizando dinheiro. Que não entende por que o governo não consegue cumprir as metas de redução de gastos. Ou ainda por que o governo prorroga um decreto que não surtiu efeito em vez de adotar novas medidas, mais duras, que garantam o equilíbrio entre receita e despesa.

Além do mais, o desencontro de informações colabora com a impressão de que o governo está sem rumo, perdido. Cada auxiliar dava uma notícia diferente ontem, inclusive divergindo do que Alcides havia dito pela manhã. O decreto foi enviado às redações pouco antes das 20 horas, sem que ninguém explicasse dúvidas técnicas dos repórteres. Celulares desligados, secretários em silêncio, governador escondido. E a população sem entender o porquê do tal novo decreto.

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