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23 junho, 2009

Irrelevância - Greve da polícia não dá 1ª página

Dos três jornais diários publicados em Goiânia, só o HOJE deu chamada de 1ª página para a greve da polícia civil. Em O Popular e no DM, só nas páginas internas de Cidade.






É surpreendente isso acontecer justo aqui, onde centenas de estabelecimentos comerciais foram sumariamente fechados e manifestações pacíficas foram proibidas em nome da segurança pública... E os dois jornais tinham outras chamadas sobre violência nas primeiras páginas!

Repete-se o que aconteceu com a etapa estadual da Conferência Nacional de Segurança Pública, quase ignorada.

E por falar nela, reproduzo mensagem eletrônica em que um dos participantes critica a falta de divulgação mesmo entre os trabalhadores da área, e, em consequência, a legitimidade dos eleitos:

From: Josiel Silva
Date: 2009/6/8
Subject: Conferencia de Segurança Pública

Prezados Senhores,

acabei de participar da Conferência Nacional de Segurança Pública - etapa Goiás. Valorizo e elogio a iniciativa inédita na nossa história. No entanto não posso deixar de externar críticas no sentido de que as próximas etapas sejam melhoradas. Passo a enumerá-las:

1. Pouca divulgação - se os senhores fizerem uma pesquisa na sociedade e, até mesmo, entre os executores da atividade-fim da segurança pública vão ver que houve pouca ou nenhuma divulgação; Pelo que pude notar ela, a divulgação, se restringiu aos meios eletrônicos, canais que ainda não se popularizam, ou seja, nem todos têm acesso. Eu, particularmente, nunca vi um folder ou um cartaz de divulgação nos locais de trabalho dos policiais.

2. Votações ilegítimas - vejam só, não disponho de dados estatísticos, mas, de olho, o que vi foram gestores, ou seja, o policial da ponta, da execução, o soldado, não estava presente, não votou, não escolheu o seu representante. Alguns estavam lá escalados para apoio e outros foram "pegos no laço". Por cima contei 40 (quarenta) oficiais do Corpo de Bombeiros e 2 (dois) praças, sendo que, como aconteceu no Corpo de Bombeiros, o soldado candidato eleito para a etapa nacional é o motorista do coronel também eleito. Coincidência!? Será que a categoria Praças do Corpo de Bombeiros está representada? É claro que não!!! Na Polícia Militar idem. Vi muitos oficiais e nada de praças, de cabos e soldados.

4. A desproporção entre os presentes deslegitima o resultado da votação. Será que o colega eleito para representar uma determinada categoria, realmente a representa. Vi, nas articulações concomitantes à votação, que o voto era ali conquistado na hora, através de acordos: “Você vota em mim que eu voto em você”. Um absurdo!! O policial Civil não conhece o trabalho do Policial Militar a favor de quem irá votar e vice-versa. O resultado disso é que pessoas que não representam a categoria, até porque ela não o escolheu acabam sendo eleitas para representá-la. Para ser mais específico, cito fatos, porém sem citar nomes. O Presidente de um sindicato que é unanimidade entre a categoria teve menos voto que um policial dessa mesma categoria que não é conhecido e que, absolutamente, não a representa, porque este teve um cabo eleitoral que é muito bem relacionado com os gestores dos órgãos de outras categorias, por exemplo, os oficiais PM e BM, que estavam presentes em massa no local. Penso que só representa a categoria quem é escolhido por ela!!! Eu pertenço a categoria X, não posso escolher o representante da categoria Y para representá-la. Quem tem que escolher são os seus próprios membros.

Mais uma vez, os trabalhadores que executam a Segurança Pública em Goiás, praças da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros não estavam presentes, apenas os gestores, os oficiais. Como explicar, só para exemplificar, uma Corporação como o CBMGO que tem no seu quadro 533 oficiais e 8113 praças, estar representada com 38 oficiais e 02 praças? E ainda só terem dois candidatos a fase nacional, o coronel e o seu motorista? Não dá prá engolir!!

Envio estas questões para que a Comissão Organizadora pense sobre o assunto e, se possível, justifiquem o porquê de eu não ter razão. Em suma os problemas são a ausência de legitimidade das eleições e a falta de divulgação.


Essa mensagem está sendo enviada a CONSEG, pelo canal fale conosco do site, para Doutora Regina Miki e para trabalhadores da segurança pública.


Atualização em 25.06.09 - Trago para o corpo do texto os dois comentários feitos hoje:

De Bruno Garajau:

Infelizmente lidamos com uma cultura mui coronelista ainda em Goiás. Temos que tentar mudar esse panorama. Participei também da conferencia, mas fui por conta própria, interesse mesmo. A PM e bombeiro já é diferente, seguem ordens da velha cultura militar. Pra se ter idéia do atraso, um militar, presidente da Associação dos oficiais da PM, ousou fazer uma manifestação pública, juntou uma dezena de militar e encararam o descaso e tal, resultado, transferido, punido, quase preso e pasmem , destituido da presidencia da associação por ordem judicial e corre o risco de ser exonerado. Nos temos que denunciar isso e precisamos apoiar esse cara, se quiser escrever sobre isso Fideles nos apoiamos, beleza. Enquanto isso os trabalhadores da policia civil tão de greve, tentando ser atendidos por uma questão básica de sobrevivência. Como querem que acabe com toda corrupção interna, se e o cara que tá na linha de fogo, totalmente vulnerável em contato com o mundo do crime, se o trampo que ele dá não é compensado com bons salários. E a GREVE DA PC vai servir para mudar a visão de policia e começarmos a dialogar com essa "democracia repressora" e aí mudar tambem a figura do policial historicamente falida. Temos que contribuir pois a policia é um mal necessário onde a sociedade não vive mais sem ela, então façamos dela uma boa instituição.
inté

De Josiel Silva:

O que aconteceu ao Major é um absurdo. Interessante que parece que os dirigentes da PM e CBM concordam com o fato. Isso só mostra a necessidade urgente de ser retirada a característica de a PM e BM serem forças auxiliares do Exercito Brasileiro e a revisão do militarismo com uma profunda reformulação das leis que regem as duas categorias. Será que é normal o policial militar e o bombeiro militar trabalhar o dobro que os demais policiais não militares, sendo que o serviço é da mesma natureza? será que é normal a ausência de folha de frequência para contabilizar a quantidade de horas trabalhadas? será que é normal o policial e o bombeiro militar não receber adicional noturno? será que é norma a ausência de banco de horas? isso me lembra um tipo penal: a reduçãoà condição análoga a de escravo.

2 comentários:

  1. Infelizmente lidamos com uma cultura mui coronelista ainda em Goiás. Temos que tentar mudar esse panorama. Participei também da conferencia, mas fui por conta própria, interesse mesmo. A PM e bombeiro já é diferente, seguem ordens da velha cultura militar. Pra se ter idéia do atraso, um militar, presidente da Associação dos oficiais da PM, ousou fazer uma manifestação pública, juntou uma dezena de militar e encararam o descaso e tal, resultado, transferido, punido, quase preso e pasmem , destituido da presidencia da associação por ordem judicial e corre o risco de ser exonerado. Nos temos que denunciar isso e precisamos apoiar esse cara, se quiser escrever sobre isso Fideles nos apoiamos, beleza. Enquanto isso os trabalhadores da policia civil tão de greve, tentando ser atendidos por uma questão básica de sobrevivência. Como querem que acabe com toda corrupção interna, se e o cara que tá na linha de fogo, totalmente vulnerável em contato com o mundo do crime, se o trampo que ele dá não é compensado com bons salários. E a GREVE DA PC vai servir para mudar a visão de policia e começarmos a dialogar com essa "democracia repressora" e aí mudar tambem a figura do policial historicamente falida. Temos que contribuir pois a policia é um mal necessário onde a sociedade não vive mais sem ela, então façamos dela uma boa instituição.
    inté
    Bruno Garajau - historiador

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  2. O que aconteceu ao Major é um absurdo. Interessante que parece que os dirigentes da PM e CBM concordam com o fato. Isso só mostra a necessidade urgente de ser retirada a característica de a PM e BM serem forças auxiliares do Exercito Brasileiro e a revisão do militarismo com uma profunda reformulação das leis que regem as duas categorias. Será que é normal o policial militar e o bombeiro militar trabalhar o dobro que os demais policiais não militares, sendo que o serviço é da mesma natureza? será que é normal a ausência de folha de frequência para contabilizar a quantidade de horas trabalhadas? será que é normal o policial e o bombeiro militar não receber adicional noturno? será que é norma a ausência de banco de horas? isso me lembra um tipo penal: a reduçãoà condição análoga a de escravo.

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