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31 julho, 2009

Músicos goianos finalmente protestam - mas é contra a crítica (atualizado)

Há dez anos esperava por uma manifestação pública do meio musical de Goiás. Ela está acontecendo na seção de cartas de O Popular. Mas não pelo motivo que eu imaginava. Muito pelo contrário.

Não se trata de protesto por ter havido uma concentração das contratações para shows pela Agepel em um grupo de artistas (uma "panelinha", segundo o ex-presidente da agência), ou pela falta de política cultural.

É o contrário: o protesto é contra a crítica feita pelo jornal ao novo disco de um dos integrantes do grupo. Assinada pelo jornalista cujo trabalho não canso de elogiar aqui pela cobertura da (falta de ) política cultural no estado: Edson Wander. O que estará acontecendo?

Antes de mais nada, o fato de uma matéria de tom crítico ser publicada é sinal da nova fase que vive o jornal, desde meados de 2007, a partir do escancaramento da crise por que passa o estado. Clima de maior liberdade também compartilhado pela Assembleia Legislativa, segundo alguns deputados, pelo fim do "clima de 'coronelismo'" que ali imperava.

Nos velhos tempos, uma crítica podia significar a demissão do atrevido. É o que teria acontecido com um antecessor de Wander, Adalto Alves. Segundo publicou o jornal Opção, em maio de 2005, uma crítica séria, mas contundente da música de Orlando Morais custou o emprego do crítico no mesmo O Popular (em 2006, O Globo, jornal que pertence ao mesmo grupo que a rede de tv onde trabalha a mulher de Morais o entrevistou e questionou o destaque dado ao seu trabalho).

Imagine o que não aconteceria com quem criticasse algum dos integrantes do grupo predileto da Agepel, como é o caso agora? Na verdade nada, porque com certeza não seria publicada...

Não tenho competência para avaliar a matéria quanto aos aspectos técnicos musicais. Mas sou admirador do profissionalismo do trabalho jornalistico de Wander, como já expus aqui várias vezes (veja no marcador). Não se trata também de um crítico rabugento, que persiga os trabalhos locais: lembro-me, por exemplo, que elogiou o trabalho com músicas infantis da Pandarus e também o de Juraíldes da Cruz (Cd Meninos). Outros exemplos do seu trabalho estão no site da extinta gravadora Kuarup, que reproduz a crítica que fez a um disco de Xangai e no Observatório da Imprensa há uma matéria sua sobre Reality Shows ( Grotesco reina tolerado). No Overmundo, há dezenas de textos que produziu como correspondente em Goiás.

Sobre João Caetano, cujo disco motivou a polêmica, e Pádua, que abriu um abaixo-assinado publicado hoje na seção de cartas, encontrei uma matéria de março deste ano , sobre o show que dividiram no projeto Goiânia Canto de Ouro.

Abaixo, as cartas e os três textos que compunham a matéria, para que o leitor possa fazer sua própria avaliação.

Atualização em 02.08 - Coincidentemente, no dia 31, Maurício Stycer escreveu sobre o delicado papel do crítico de cinema, citando Paulo Emílio Salles Gomes. O engajamento do maior crítico brasileiro era notório, como ilustra a provocação que é citada na abertura do artigo: o pior filme nacional é melhor que qualquer filme estrangeiro.

Sendo o cinema brasileiro um mundo relativamente pequeno, as questões tratadas no artigo podem ser estendidas ao que ocorre em qualquer arte nos rincões do país. Sua conclusão: passar a mão na cabeça de um diretor pelas poucas qualidades de seu filme e fingir indiferença em relação aos seus defeitos é um desserviço que os críticos, às vezes, prestam ao cinema brasileiro.

Uma alternativa, em se tratando de artistas iniciantes seria não falar nada, como faz o blogueiro e professor de literatura Idelber Avelar: a certeza que você pode ter é que, se você for um jovem contista, me enviar o seu livro e eu achar que ele é uma porcaria, eu não farei uma resenha dizendo isso. Não tenho o menor interesse em detonar um jovem escritor.

Alguns dias antes, Stycer tinha tratado da caixa-preta que envolve a promoção da música (na sua vertente sustentada pelo mercado) nas rádios brasileiras: a prática do jabá.

Atualização 2, em 3.08:

1.

Entrei em contato com Leo Razuk, que também trabalhou em O Popular nos velhos tempos, cobrindo a área de música. Confirmando o que eu dissera antes sobre a nova fase por que passa o jornal, e contou que matérias críticas realmente não era permitidas:

Tive problemas sim com vários artistas por falar mal deles. E não só essa turma da MPB... uns pops também, como a Nila Branco.
Daí, na ápoca, me proibiram de escrever resenhas críticas sobre discos de artistas goianos. Eu só podia fazer a matéria, com texto mais jornalístico mesmo, sem emitir opiniões a respeito...


2.

Pedi a Edson Wander a íntegra do texto da carta (na verdade e-mail) com os 12 signatários (abaixo) .Segundo ele, o editor da seção de Cartas dos Leitores o procurou para responder a ela, mas ele não quis fazê-lo por acreditar que eram manifestações legítimas das pessoas, apesar de achar risível a maioria dos argumentos, tomando a crítica por uma questão pessoal e esquecendo-se dos vários textos elogiosos que já escrevera, inclusive sobre o trabalho de alguns dos signatários .

Constatei que um deles é Juraíldes da Cruz, que recebeu críticas elogiosas, como eu exemplifiquei acima. Mesmo no texto que gerou a polêmica é elogiado um outro trabalho de João Caetano. Curiosamente, nem ele, nem a professora assinam a carta.

No original da carta, são reproduzidas as definições de dois dicionários para o termo cacoete. Um deles é o Michaelis, que eu havia consultado quando li as cartas no jornal. Considerando o segundo e o terceiro sentidos, não vi nada demais na crítica: entendi que a predileção, o hábito lírico da professora não tinham caído bem com a música ( que aliás foi uma das elogiadas). Na carta enviada, no entanto, foram omitidos os números que indicam os três diferentes sentidos:



-----Mensagem original-----
De: Elizabeth Garcia
Enviada em: quarta-feira, 29 de julho de 2009 15:44
Para: andre@jornalopopular.com.br; cileide@jornalopopular.com.br;
junes@jornalopopular.com.br; leitor@jornalopopular.com.br
Cc: contato@mariaeugenia.com.br; contato@comacordatoda.com.br;
souza.leandro@gmail.com; juraildescruz@yahoo.com.br; Larissa Moura;
tomchris.cristiano@gmail.com; marcelocbmaia@yahoo.com.br;
edilsomdil@gmail.com; dimarviana@yahoo.com.br; leobessa@upmusic.com.br;
leobessa@hotmail.com; orionamorim@hotmail.com; reny cruvinel;
romero@identidadecomunicacao.com.br; paduagyn@hotmail.com;
paduagyn@terra.com.br; fredericovalle@hotmail.com; cvbrito1@terra.com.br;
mairafama@hotmail.com; fernandoperillo@bol.com.br;
musicagoiana@terra.com.br; Marcos Nimrichter; João Caetano;
ricardo@ricardoleao.com.br; iw.filho@uol.com.br; Otavio Daher;
carlosbrandao7@gmail.com; michelle@hotcaldas.com.br; daliajunior@bol.com.br

Assunto: carta resposta ao popular- materia opniao do Magazine

Ao Sr. Editor do Jornal O Popular

Referente a crítica do dia 24 de julho de 2009 na revista Magazine deste
Jornal.

Estamos escrevendo diretamente para este Jornal pela força e
responsabilidade que tem O Popular, e especialmente pela história que
temos feito juntos. Esta Imprensa, que se coloca como grande
divulgadora das artes goianas, com o slogan "O que Goiás tem de bom a
gente mostra", de fato o é, e estamos sempre gratos e atentos a tudo
que nos diz respeito.

Achamos que o jornalista autor da crítica não foi capaz de entender a
proposta do CD "Duetos", de João Caetano, pois se trata de um CD
comemorativo da brilhante carreira do artista, incluindo seus maiores
sucessos sempre cantados junto com um parceiro amigo. É, portanto, a
celebração da amizade, do encontro e da união, fato que é de suma
importância para classe musical e para música goiana em si, e só por
isso seria relevante pelo ineditismo da proposta e pelo sucesso
alcançado, contendo nada menos que 17 cantores consagrados
brasileiros, entre goianos e cariocas.

Não é um CD normal de carreira, como se diz, no qual se coloca músicas
novas e se propõe algo novo em matéria de composição, e obviamente não
pode ser criticado por este motivo. Tal crítica só e feita por quem
não ouviu ou se ouviu não entendeu.

É extremamente deselegante fazer comparativos entre artistas que
participam do CD, pois mais uma vez voltamos a frisar que o trabalho
promove um encontro, e o crítico, com sua opinião Pessoal, tenta
promover o contrário.

Percebemos, por outras críticas, que o estilo MPB geralmente não
agrada ao jornalista em questão , pois outros estilos ele ouve e
escreve com o devido respeito, mas quando não, ele é deselegante e às
vezes até grosseiro. Aqui cito apenas duas frases suas dessa última
critica, pois não nos interessa falar de críticas anteriores para que
não fique muito longo:

" ...Cacoetes líricos de Honorina Barra"

"... Um trabalho menor na curta e bissexta discografia do artista"

O jornalista deveria ter respeito por artistas consagrados que deram
sua vida pela música em Goiás e no Brasil. Honorina Barra é uma das
cantoras mais premiadas do país e não cabe a nós mandar o currículo
dela já que um bom jornalista deveria procurar conhecê-lo.
"Cacoete..."( * )é um defeito e isso ela não tem, se alguém não gosta
e não é capaz de entender não é capaz de criticar.

"Trabalho menor..." é no mínimo uma indelicadeza para um trabalho
feito com tanto carinho, dedicação e competência. Esse CD foi gravado
com a melhor técnica que existe hoje e todo processo foi primoroso e o
resultado espetacular. Ressaltamos o amor e dedicação impar de todos
os envolvidos: músicos, arranjadores, técnicos e principalmente os
artistas.

Por último, para que se possa fazer crítica sobre o trabalho de alguém
é necessário conhecer profundamente o assunto, para que não se corra o
risco de ser leviano, o que parece não ser o caso. O que Goiás tem de
bom a gente mostra, com o mínimo de respeito que se deve à história de
cada um.

(*)Cacoete: - gesto, trejeito ou hábito corporal feio, de mau
gosto, anormal, ridículo ou vicioso - Houaiss
- movimentos involuntários, que consistem em contrações
musculares do rosto, em gestos desagradáveis etc. Palavra ou locução
predileta com que alguém entremeia amiúde a conversação.
Hábito, mania, sestro - Michaeles



Assinado:

Antonio de Pádua Silva (Pádua)
Bel Maia
Cláudia Mendonça
Cristiano Pereira da Silva (TomChris)
Elizabeth Garcia de Almeida
Juraildes da Cruz
Larissa Moura
Luiz Fernando Carijó Chaffin (Luíz Chaffin)
Maíra Lemos Vieira (Maíra)
Marcelo Maia
Maria Eugênia Pacheco Alencastro Veiga
Michelle Cristina Ramos Martins
Otavio Daher

Atualização 3, em 4.08:

1.

Hoje, uma carta parabenizando a editoria do Magazine e Edson Wander por exercerem a crítica.Salvo engano, assinada por um profissional da área de comunicação, o que ressalta, como já disse, ser este um novo momento ( e ontem, mais uma no mesmo tom das anteriores). Estão inseridas na sequência cronológica, junto às demais, abaixo.


2.

Encontrei no Diário da Manhã, na coluna de Luís Carlos do dia 22.07, um exemplo do comentário usual em Goiás:

Na terrinha


O cantor e compositor João Caetano, goiano radicado no Rio há cerca de 30 anos, escolheu Goiânia para lançar seu mais recente CD Duetos, onde reúne contores do Estado, além dos cariocas Ivan Lins e Zé Renato (Boca Livre). O show de lançamento terá a participação da maior parte dos cantores com quem gravou as 17 faixas de Duetos e será nesta sexta-feira, a partir das 22 horas, na Praça de Eventos da cidade de Goiás. No domingo, 26, João Caetano distribui autógrafos em coquetel às 19 horas na Fundação Jaime Câmara.

E no dia anterior, para comparar com as matérias de Edson Wander, a matéria-release do mesmo jornal, na linha que Leo Razuk era obrigado a praticar.

Atualização 4, em 4.08, às 13:30:

1. Reproduzo os comentários postados por Deolinda Taveira e Marcos Caiado:

Deolinda disse...

A situação beira o ridiculo, alguém escreve uma crítica, direito constitucional, a liberdade de expressão, e os que se sentem criticados fazem abaixo assinado.
Fala sério!

Marcos Caiado disse...

Esse vício blindex é típico das academias literárias e afins daqui de Goiás, veja que o silvo inicial foi a Aflag quem deu. Vício pronvinciano que confunde amizade com resultado de trabalho. Vamos nos lamber dentro da mesma concha de vidro, sobre o pedestal da vaidade (anão e surrealista!)...A obra de arte mais bem composta por aqui é, sem dúvida, a máscara que camufla a mediocridade geral e os seus interesses.
Quanto `a manifestação contrária aos escritos do Wander, a mim tambem me incomodou de cara e, particularmente, nao tomei a palavra Cacoete por uma ofensa. Quer saber? Conviver com os cacoetes da elite cultural goiana desanima! Em todas as esferas.
Parabenizo vc, Marcus, por levantar a voz. E fico triste quando noto que em defesa do crítico, ou da crítica, no espaço das cartas, só apareceram as poucas linhas escritas pelo Aramndo, que é sim, da área de comunicação


2. Só agora, lendo a versão impressa do jornal, vi o artigo de Celso Costa Ferreira em defesa de Edson Wander. Parte da resposta à pergunta que ele faz está aí em cima, no comentário de Marcos Caiado.


O que é isso, companheiro!

Celso Costa Ferreira

O que é isso, Edson Wander? Quem és tu? De onde vieste? És novo na praça? Desconheces como funcionam as coisas em Goiás? Não te conheço, mas penso que sim, não és da terrinha, pois se fosses saberias que não se pode fazer crítica por aqui, principalmente musical. A regra é bater palma, dizer amém e seguir em frente. Que fora tu deste! Fizeste uma leve crítica e agora aguente as consequências. É bom para aprender!

Para quem não acompanhou. Edson Wander fez uma pertinente crítica musical sobre recente show de artistas goianos na cidade de Goiás e recebeu pedradas de todo lado.

Um amigo jornalista certa feita ousou criticar um disco de outro amigo – a quem, por sinal, havia ajudado várias vezes – e recebeu o que merecia: foi ameaçado de morte, revólver em punho, olhos rútilos, baba espessa, a justiça pronta a ser feita por tamanha falta de corporativismo com “as coisas de Goiás”. Escapou por pouco...

Há tempos perguntei a um talento musical de Goiânia, por que a gente nunca teve um músico – cantor, compositor, instrumentista – com um incontestável sucesso nacional. Incontestável no sentido de ser reconhecido em qualquer canto do País, como são os maranhenses, cearenses, paraibanos, todos fora dos grandes centros e com vários representantes no cenário musical do País. Ele me disse que faltava união da classe. Quer dizer então que se ajuntar todo mundo pra dar uma forcinha a coisa vai? Penso que não é por aí.

Não falo, evidente, da praga sertaneja, que só piora a situação. Eu quero falar é de música. Tenho grandes amigos cantores e compositores goianos, gente de inegável talento, extrema sensibilidade poética e musical, que tem estofo suficiente para “estourar” nacionalmente. E por que isso não acontece?

Acredito que um das muitas razões é este ranço provinciano, esta reserva de mercado acrítica, esta incapacidade de permitir comentários que não sejam a favor, de ousar, de dar a cara para bater.

A nossa música já ultrapassou esse tempo – pedir para ser ouvida –, tem qualidade e sofisticação suficientes para ser apreciada com muito prazer, mas é preciso que parem de fazer biquinho a qualquer manifestação de desagrado.

Dentre as cartas dos leitores que escreveram ao POPULAR sobre o assunto, li com satisfação a da ótima cantora Claudia Vieira, que foi ponderada, adequada, equilibrada. Não é com raiva e desconsideração ao outro que vamos fazer que a nossa boa música atinja o lugar que merece.

Eta Goiás!

Celso Costa Ferreira é psiquiatra, cronista do POPULAR


Atualização 5, em 05.08.

Publiquei o conto É tudo Mentira, de Adalto Alves.

Atualização 6, em 06.08 - incluí Carta do Leitor da Pianista Marina Machado, pesquisadora e professora (abaixo).

Fim das atualizações

Cartas dos Leitores

29.07.09

Discordância da crítica

O artigo Entre amigos, de Edson Wander, publicado sexta-feira no POPULAR, despertou indignação entre os leitores que conhecem o desempenho da cantora lírica e professora Honorina Barra. A análise do CD, destacada do todo da reportagem, dando a impressão de matéria não assinada, além do tom desrespeitoso e provocador, emprega termos não pertencentes à crítica musical.

Quando se refere à participação de Honorina Barra na faixa Sempre no Coração, revela o desconhecimento do valor desta premiada e reconhecida cantora lírica, professora, hoje integralmente dedicada ao aprimoramento de grande número de artistas goianos.

Como presidente da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, na qual Honorina Barra ocupa a Cadeira nº 18, externo nossa discordância.

HELOISA HELENA DE CAMPOS BORGES
Presidente da Aflag

¤ Na sexta feira, fui à cidade de Goiás com três amigos assistir à mudança da capital – transferência simbólica do governo para a antiga capital goiana. Adquiri um exemplar deste jornal onde uma matéria no Magazine falava sobre um show do goiano João Caetano, com participações especiais de outros artistas.

Nesta mesma matéria, havia uma análise de Edson Wander com o tema Revival arriscado, em que o autor se contradiz várias vezes com o show a que assisti. Tenho 26 anos, sou músico amador e nunca havia assistido a um show de artistas goianos.

Os cantores Maíra, Pádua, Juraíldes da Cruz, Larissa Moura, Maria Eugênia e o próprio João Caetano transmitiram, através das letras, emoção, juventude, vibração e simplicidade. Fiquei emocionado por ver de perto artistas da minha terra com tanto valor. No final, uma senhora de uns 65 anos, criticada por Edson, subiu ao palco para cantar o primeiro verso da música: Você Sabe Onde Fica Goiás? Parecia que Honorina Barra estava conversando com João em cima do palco e mostrando que Goiás é o coração transmitindo uma energia contagiante.

E por falar nisso, Honorina deveria também ensinar para Edson Wander não só onde fica Goiás, mas também os valores. O que li no Magazine não foi o que eu vi no show.

Parabéns a João Caetano e a todos que fizeram o público se emocionar em vários momentos.

PEDRO PAULO CRAVEIRO
Goiânia – GO

31.07.09

Crítica é crítica

Participei do CD e do show de lançamento de Duetos do João Caetano. Fiquei feliz e honrada em poder participar dos dois. Acho que ambos cumpriram sua intenção: comemorar de forma afetiva e artística a profícua carreira de cantor e compositor. Agora, crítica é crítica. A meu ver, sempre bem-vinda!

Pode fazer crescer ou não. Não é unanimidade. O crítico tem sua visão. Ter razão ou não é outro departamento. Não creio ser uma questão de ter razão. É uma visão, um ângulo que pode ou não corresponder à intenção do artista. Seja ele de qual área for.

Uma coisa, contudo, considero certa: Honorina Barra não padece de cacoetes. Sabe, muitíssimo bem, onde colocar a voz, o corpo, a emoção! E, para mim, ficará para sempre gravada na memória a felicidade e a honra, como cantora, de ter dividido o palco com esta intérprete.

Goiás tem muitas coisas boas, e a classe artística se preocupa em fazer o seu melhor para mostrar isso. Obrigada João Caetano e colegas participantes – cantores, músicos, técnicos. Posso ter dúvidas de tantas outras coisas, mas não de que Honorina Barra é o que de melhor temos por aqui! Que venham as tão bem-vindas críticas.

CLÁUDIA VIEIRA
Setor Oeste – Goiânia

01.08.09

CD de João Caetano


Achamos que o jornalista autor da crítica publicada dia 24 neste jornal não entendeu a proposta do CD Duetos, de João Caetano, pois se trata de um CD comemorativo da brilhante carreira do artista, incluindo seus maiores sucessos sempre cantados junto com um parceiro amigo. É, portanto, a celebração da amizade, do encontro e da união.

O fato é de suma importância para a classe musical e para a música goiana em si, e só por isso seria relevante pelo ineditismo da proposta e pelo sucesso alcançado, contendo nada menos que 17 cantores consagrados brasileiros, entre goianos e cariocas.

É extremamente deselegante fazer comparações entre artistas que participam do CD, pois mais uma vez voltamos a frisar que o trabalho promove um encontro, e o crítico, com sua opinião pessoal, tenta promover o contrário.

Percebemos, por outras críticas, que o estilo MPB geralmente não agrada ao jornalista em questão, pois outros estilos ele ouve e escreve com o devido respeito, mas quando não, ele é deselegante e às vezes até grosseiro.

O jornalista deveria ter respeito por artistas consagrados que deram sua vida pela música em Goiás e no Brasil. Honorina Barra é uma das cantoras mais premiadas do País e não cabe a nós mandar o currículo dela, já que um bom jornalista deveria procurar conhecê-lo. O que Goiás tem de bom a gente mostra, com o mínimo de respeito que se deve à história de cada um.

ANTÔNIO DE PÁDUA SILVA (PÁDUA)
(Seguem mais 12 assinaturas)
Goiânia - GO


03.08

Crítica à crítica

Gostaria de discordar da crítica feita ao CD Duetos, do cantor e compositor João Caetano, redigida pelo jornalista Edson Wander, no dia 24 de julho. Penso ser imprudente falar de “cacoetes líricos” ao se referir à maior educadora musical do Estado, Honorina Barra, mulher e artista tão valorosa e cujos ensinamentos ressoam nas principais vozes goianas na atualidade.

Penso que seja uma das maiores obras de João, ao contrário do que o repórter pensa, pois Duetos simplesmente compila, em som e imagem, a produção musical da MPB goiana dos últimos anos.

LEONARDO SANTANA
Goiânia– GO

04.08

Direito à crítica

Com relação ao CD Duetos, de João Caetano, gostaria de parabenizar o jornalista Edson Wander e a editoria do Magazine do POPULAR, pelo exercício da crítica em relação à produção artística e cultural de Goiás.

ARMANDO ARAÚJO
Centro – Goiânia

06.08


Música popular e erudita em Goiás

Sobre o artigo de Celso Costa Ferreira, gostaria de reiterar algumas falas. Não sei muito sobre a crítica do Edson Wander, até procurei mas não a encontrei. Vi, sim, a resposta de Cláudia Vieira e apenas posso inferir sobre seu conteúdo. Mas, voltando ao Celso, gostaria de pontuar algumas questões.

Concordo que o ranço provinciano, a que o autor se refere, seja, sim, um grande empecilho para que mais nomes apareçam no cenário nacional. Porém, Goiás é conhecido, especialmente em São Paulo, por seus músicos eruditos, principalmente cantores e pianistas.

Vários cantores, formados na UFG, atuam nos principais coros do Brasil, da Osesp e do Teatro Municipal de São Paulo. Um grande nome, que não aparece apenas no Brasil mas no exterior, é Sávio Sperândio, um dos melhores baixos da atualidade. No primeiro semestre deste ano, atuou como Don Pasquale no Teatro Real de Madri. Atualmente está na Itália, atuando no Festival Rossini. Se se digitar seu nome em um site de buscas da internet, logo podemos ver sua importância. Como ele, há outros.

Na edição de domingo, este mesmo jornal mostrou a pianista Valéria Zanini, atualmente na Dinamarca, em visita a Goiânia. Ainda com relação aos pianistas, um grande pianista brasileiro, recentemente em Goiânia, disse que “onde há um candidato de Goiás, dificilmente os concursos de piano premiam gente de outras localidades”.

Goiânia tem grandes pianistas – profissionais e amadores – fazendo bonito lá fora. O problema de eles não aparecerem por aqui pode ser mesmo o da falta de divulgação ou de incentivo por parte das entidades promotoras de cultura.

MARINA MACHADO
Setor Bueno - Goiânia


Entre Amigos

4 comentários:

  1. Marcus,
    A situação beira o ridiculo, alguém escreve uma crítica, direito constitucional, a liberdade de expressão, e os que se sentem criticados fazem abaixo assinado.
    Fala sério!

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  2. Ao invés de escrever um artigo se contrapondo à crítica, né...

    Fico curioso em saber se a matéria do Wander foi editada ( a crítica certamente não foi, porque está assinada) e também as cartas - se foram, ler os originais seria ótimo, assim como saber quem são os outros 12 signatários.

    Vamos torcer para alguém publicar na web.

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  3. Esse vício blindex é típico das academias literárias e afins daqui de Goiás, veja que o silvo inicial foi a Aflag quem deu. Vício pronvinciano que confunde amizade com resultado de trabalho. Vamos nos lamber dentro da mesma concha de vidro, sobre o pedestal da vaidade (anão e surrealista!)...A obra de arte mais bem composta por aqui é, sem dúvida, a máscara que camufla a mediocridade geral e os seus interesses.
    Quanto `a manifestação contrária aos escritos do Wander, a mim tambem me incomodou de cara e, particularmente, nao tomei a palavra Cacoete por uma ofensa. Quer saber? Conviver com os cacoetes da elite cultural goiana desanima! Em todas as esferas.
    Parabenizo vc, Marcus, por levantar a voz. E fico triste quando noto que em defesa do crítico, ou da crítica, no espaço das cartas, só apareceram as poucas linhas escritas pelo Aramndo, que é sim, da área de comunicação

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  4. Marcos, obrigado pelo estímulo e pelo comentário que coloca as coisas em seu devido lugar, inclusive juntando música e literatura.

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