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14 fevereiro, 2008

Goiânia em Prosa e Verso - Debate dos leitores

No dia 10 de Janeiro, sob o Título Atacão Literário, a reportagem de capa do caderno Magazine, de O Popular, era sobre o lançamento, naquele noite, de mais 71 livros pela Secult, em parceria com a UCG, pela coleção Goiânia em Prosa e Verso.

O repórter Rodrigo Alves fez um belo trabalho. Tentarei disponibilizá-lo e comentá-lo posteriormente.

Por ora, interessa o debate que a matéria suscitou. O palco foi a seção Cartas dos Leitores do jornal. Começou no dia 18 de janeiro, com a publicação de carta de Marcos Amaral Lotufo, professor de design, criticando o projeto. No dia 26, carta de Gil Barreto Ribeiro fez a sua defesa. No mesmo dia Marcos fez a tréplica, infelizmente não publicada pelo jornal, que agora disponibilizo, juntamente com as duas primeiras (veja ao final).

Estive verificando nos livros da coleção, e na ficha técnica o prof. Gil Barreto Ribeiro vem a ser o Coordenador Geral da Editora da UCG, a parceira da SECULT no projeto. No site da universidade, em reportagem sobre o lançamento dos 40 primeiros títulos, em 2005, ele já ocupava o cargo (clique aqui para ler). À época, a Editora Kelps também participou do projeto.


Não sei se a omissão foi do missivista ou da edição do jornal, mas a informação parece-me essencial.


Primeira carta:

Goiânia, 18 de janeiro de 2008

Goiânia em Prosa e Verso

Professor da unidade curricular Design Editorial, me sinto obrigado a tecer alguns comentários sobre o que foi chamado de “atacadão literário”. Teço meus comentários a partir do que ouvi e do que li na matéria de 10 de janeiro deste jornal.

A Secretaria Municipal de Cultura, com a colaboração da Editora da UCG, fez lançar obras de 71 autores cometendo um dos maiores crimes editoriais de que tenho ciência. A belíssima matéria de Rodrigo Alves deixa transparecer nas diversas falas dos interessados e nos comentários a insensatez de tal feito.

O projeto Coleção Goiânia em Prosa e Verso, que está em sua segunda edição, teve como único critério a inscrição, como afirma o secretário de Cultura Kleber Adorno. Não foi estabelecido nenhum critério de seleção.

Que fique clara a crítica que faço. Conheço alguns dos autores e não questiono, aqui, suas obras. Mas que todas as obras e seus autores ficaram diminuídos com este desserviço, isso eu afirmo.

Marcos Amaral Lotufo
Setor Pedro Ludovico – Goiânia


Segunda Carta:


Goiânia, 26 de janeiro de 2008

Prosa e verso

Li, com certa indignação, a crítica do leitor Marcos Amaral Lotufo, intitulada Goiânia em Prosa e Verso, publicada nesta coluna no dia 18. O autor refere-se à publicação das obras como “um dos maiores crimes editoriais de que se tem ciência”, comentando isso, conforme afirma, “a partir do que ouviu e leu...”

Sua crítica é, no mínimo, leviana e insensata. Pelo que pude perceber, ele – professor de Design Editorial – não teve acesso ao produto final desta coletânea. O projeto gráfico, arte de capa e diagramação eletrônica foram elaborados e realizados pela Editora da UCG, com a participação direta do responsável por essa área, também professor de Design Gráfico, com cerca de 30 anos de experiência na área.

Apesar de alguns problemas na execução das especificações técnicas apresentadas pela Editora da UCG, a gráfica que imprimiu as obras, temos certeza de que o produto final foi satisfatório e elogiado pela grande maioria dos autores.

Gostaria de comentar que a cultura tem inúmeros segmentos, como cinema, teatro, música, dança, artes plásticas, literatura, até arte carnavalesca. Em qualquer uma dessas áreas existe a estréia. Atores renomados, músicos de projeção, diretores e produtores cinematográficos etc. tiveram sua iniciação muitas vezes desacreditados.

Também na literatura é importante dar oportunidade a iniciantes de divulgar seu potencial literário. Cumprimento e parabenizo a Secretaria de Cultura do Município de Goiânia por este projeto audacioso, que prestigiou autores de grande relevância em âmbito local, regional, nacional e até internacional, como também oportunizou a emergência de possíveis novos talentos, o que a mesma secretaria vem fazendo nos outros segmentos culturais.

Para criticar, temos de antes nos fundamentar e não elaborar pareceres negativos apenas pela superficialidade do que “se viu e leu”.

Gil Barreto Ribeiro
Setor Bueno – Goiânia


Terceira Carta ( não publicada):


Coleção Goiânia em Prosa e Verso

Conheço e tenho grande respeito pelo Sr. Gil Barreto Ribeiro. Concordo plenamente com grande parte de suas afirmações e que reproduzo abaixo:

“O projeto gráfico, arte de capa e diagramação eletrônica foram elaborados e realizados pela Editora da UCG, com a participação direta do responsável por essa área, também professor de Design Gráfico, com cerca de 30 anos de experiência na área. Apesar de alguns problemas na execução das especificações técnicas apresentadas pela Editora da UCG, a gráfica que imprimiu as obras, temos certeza de que o produto final foi satisfatório e elogiado pela grande maioria dos autores. Gostaria de comentar que a cultura tem inúmeros segmentos, como cinema, teatro, música, dança, artes plásticas, literatura, até arte carnavalesca. Em qualquer uma dessas áreas existe a estréia. Atores renomados, músicos de projeção, diretores e produtores cinematográficos etc. tiveram sua iniciação muitas vezes desacreditados. Também na literatura é importante dar oportunidade a iniciantes de divulgar seu potencial literário.”

Meus comentários questionam a aplicação de verbas públicas em publicações sem critérios e que nem ao menos foram lidas, segundo afirmação do próprio secretário Kleber Adorno e que levam o nome da Editora da Universidade Católica de Goiás e é neste sentido que questiono a homenagem a Frei Confaloni e não, obviamente, pelo belo projeto gráfico.

Tenho certeza que, tanto o Sr. Gil Barreto quanto eu como educadores, bem como o Jornal O Popular, cumprimos nosso papel de educadores e comunicadores e contribuimos para que se reflita sobre assuntos de grande relevância como esse.

Deixo aqui a sugestão para que se produza uma matéria sobre os caminhos percorridos por um autor até que sua obra chegue às mãos do leitor sob o ponto de vista dos profissionais envolvidos.

Com respeito,

Goiânia, 26 de janeiro de 2008


Marcos Amaral Lotufo


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