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29 maio, 2008

Caso Caixego - Liquidado com dois Habeas Corpus - 4

Repercussão na Imprensa - Continuação

Ao longo da semana passada, os três diários que são editados em Goiânia, abordados no texto anterior, não se referiram mais ao caso.

Nas edições que circularam no dia 25, os dois semanários da capital, Tribuna do Planalto e Jornal Opção, que são dominicais, também não fizeram qualquer referência ao caso.

Na Tribuna do Planalto, a última citação do Caso Caixego, seg
undo a busca do seu sítio na internet, foi na edição de 27 de agosto de 2006, pelo então candidato ao Senado, Marconi Perillo, em entrevista (clique aqui para ler).

Tema irritante

A omissão é uma aparente contradição com artigos já publicados no jornal, enfocando o interesse da camada mais instruída da popul
ação (que supostamente lê jornais). Ainda em 2006, na edição de 17 de junho, o semanário publicou matéria intitulada Corrupção irrita menos eleitorado peemedebista, de Filemon Pereira, que ao analisar pesquisa eleitoral dizia
Desencavar as denúncias contra o PMDB, como os casos 'Caixego' e 'Secom 1', que em 1998 abalaram a campanha do partido ao governo, pode significar agora um tiro no pé para a candidatura à reeleição do governador Alcides Rodrigues (PP). O eleitorado do senador licenciado Maguito Vilela, candidato do PMDB ao governo, é preocupado em menor número com corrupção do que se comparado aos adversários. Quem declara voto no peemedebista é preocupado com o cumprimento de promessas em porcentual maior que os eleitores do pepista e de Demóstenes Torres. Corrupção, porém, é o tema que mais irrita todos, em especial o de Alcides e do senador pefelista.
O artigo lembrava que as intenções de votos em Maguito, naquele momento eram maiores que a soma daquelas nos dois outros candidatos. Ao final, após caracterizar o eleitor mais preocupado com promessas de campanha, o artigo encerrava mostrando a diferença entre os dois perfis de eleitores:
Dois dados que mostram bem a diferença de prioridade do eleitor. Enquanto entre os mais instruídos (universitários ou com curso superior) 60,4% irritam-se com corrupção, entre aqueles que só possuem primeiro grau o porcentual cai para 25,2%. Outro aspecto: entre os mais ricos (aquelas famílias com ganhos superiores a 10 salários mínimos) a irritação com corrupção é o item mais lembrado por 52,4%. Quem ganha até três salários mínimos o número desce para 29,5%.
(Os grifos são meus. Clique aqui para ler a íntegra do artigo)

Tema abandonado

Quanto ao Jornal Opção, é surpreendente que não tenha feito qualquer referência à notícia, pois é o veículo que mais se destacou na cobertura do caso.Uma consulta à busca do seu sítio lista 735 referências à palavra Caixego.



No episódio da absolvição de parte dos réus pelo juiz Avenir Passo de Oliveira, em 2006, (ver texto anterior), por exemplo, houve ampla cobertura por ocasião da sentença ( A Reação dos Condenados ), da sua anulação ( TJ anula decisão que absolveu Otoniel Machado ) e da transferência do processo para outro juiz ( TJ considera juiz suspeito para atuar no caso ).

O jornal já havia entrevistado o promotor Abrão Amisy Neto ( há um link no primeiro artigo desta série -a versão da acusação).

Imperdível é a edição que circulou em 23 de julho de 2006, em seguida à que noticiou a sentença de absolvição.

Ela traz um histórico do caso, com um trecho de transcrição de interceptação de ligação telefônica e também o rastreamento da origem do dinheiro que foi devolvido.



O destaque, no entanto, é para entrevista exclusiva com o advogado Valdemar Zaidem, que havia sido condenado, na qual ele contou sua versão dos fatos ( Valdemar Zaidem revela bastidores do escândalo ). Um trecho:
Por que as provas não prosperaram?

Estão todas no processo. Os advogados conseguiram anular as provas no Supremo Tribunal Federal, sob alegação de que o juiz que autorizou a busca dessas provas não era competente e, por isso, elas são nulas. A votação no STF foi chorada — três contra dois votos. A questão é a seguinte: anularam as provas, mas o Supremo não anulou a verdade dos fatos. Os fatos não podem ser anulados. Não há ninguém em Goiânia que não saiba do destino do dinheiro. Para a Justiça, as provas podem até não valer, mas os fatos provaram que o dinheiro foi para a campanha do PMDB.


(Clique sobre os títulos entre parênteses para ler as reportagens)

Atualização em 30.05.08

Confirmando o quanto é surpreendente o silêncio do Jornal Opção, nota publicada na mesma edição (acima), na coluna Imprensa, cobrava dos diários então existentes a cobertura do caso (negrito meu):

Caso Caixego

O Diário da Manhã publicou na primeira página, sucintamente: “Caso Caixego — Justiça absolve Otoniel”. O subtítulo acrescenta: “Não há provas contra ex-secretário, conclui sentença” e “Ex-liquidante e advogados terão de devolver dinheiro”. A cobertura do Pop foi melhor: “Caso Caixego: juiz condena 5 e absolve 3”. A julgar pela primeira página do Jornalismo Poliana do Diário da Manhã, ninguém foi condenado. Hélmiton Prateado, do Jornal Opção, publicou, no domingo, 16, a reação de dois condenados pela Justiça.

Não entendo por qual razão o Caso Caixego saiu da mídia tão rapidamente. O escândalo merece mais atenção. Os jornais deveriam ter ouvido, com atenção, o que têm a dizer os condenados. O DM entusiasmou-se com os absolvidos.




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