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16 junho, 2006

De Raios e Avestruzes -3 Não está no jornal, mas está na Internet


Na internet há uma enorme quantidade informações sobre os esquemas de pirâmides, MLM (Marketing Multi-nível, da sigla em inglês) e Ponzi. Este lembra muito os casos da Enron e da Avestruz Master. A seguir, um breve apanhado a respeito.

Esquema Ponzi

Este tipo de golpe, existente há centenas de anos, era anteriormente conhecido como “bolha”. Consiste basicamente num investimento fraudulento onde os investidores são convencidos com a promessa de retornos de dividendos extremamente altos num período muito curto de tempo.

Este período curto entre os pagamentos e uma alta taxa de retorno é necessário para criar um ímpeto para a agitação que se segue à medida que a informação vaza e é logo verificada por várias fontes. O golpista verdadeiramente experiente equilibrará esses dois fatores (período de pagamento e taxa de retorno prometida) em oposição à duração esperada da operação de forma a maximizar sua captação enquanto mantém alguma aparência de credibilidade.

No sentido real de tomar emprestado de Pedro para pagar a Paulo, os esquemas Ponzi são uma simples fraude onde os investidores iniciais recebem dividendos excepcionais em forma de juros pagos com os depósitos de um número crescente de novos investidores.

Os “lucros” dos investidores não são criados pelo sucesso do negócio de risco mas são fraudulentamente desviados das contribuições em capital de outros investidores.

Algumas pessoas investem no esquema e , a seguir, quando a notícia da oferta se espalha, mais investidores são atraídos. Normalmente não há um investimento real envolvido, ao contrário do que se pensa, mas apenas dinheiro sendo transferido de novos investidores para os mais antigos.
O colapso dos esquemas Ponzi ocorre porque o ativo sobre o qual o investimento era baseado ou nunca existiu ou era grosseiramente sobrevalorizado.

Diferença entre esquema Ponzi e esquema de pirâmides

Nos esquemas de pirâmides, o ganho potencial de alguém é medido pela prática ativa e consciente de recrutamento de participantes. Nos esquemas Ponzi a sua capacidade de gerar dinheiro é atribuída a algum investimento ou processo negocial elaborado e inventivo, com o fluxo de novos depositantes resultando apenas do boca-a-boca.

Um mundo de aparências

Como um esquema Ponzi é tecnicamente insolvente desde o primeiro dia do negócio, no sentido de que tem mais a pagar do que a receber, ele só pode continuar até secar a fonte de novos investidores. Neste momento, o esquema entra em colapso e o operador declara falência. O colapso pode ser acelerado pelo gasto excessivo do dinheiro pelo promotor do esquema com armadilhas para impressionar, dando credibilidade ao negócio, ou em extravagâncias, para criar uma aparência de prosperidade.

Muitos dos que cometem essa fraude pela primeira vez acostumam-se tanto com o estilo de vida que ela gera que eles mesmos não conseguem acreditar quando ocorre o colapso, convencidos ao longo do tempo por suas próprias mentiras.

Quem ganhou pode perder

Nos Estados Unidos, os administradores e advogados da massa falida podem processar os investidores prévios que tiveram lucros no negócio, visando a aumentar os recursos disponíveis para pagar aos que estão sem receber ainda.

Além de ter que devolver o dinheiro, os “felizardos” têm que arcar com as despesas processuais, taxas e juros.

O homem por trás do nome

O nome vem de Carl Ponzi, que recebeu 9 milhões e 800 mil dólares de 10,550 pessoas ( incluindo 75% da polícia local ) e pagou de volta 7 milhões e 800 mil dólares em apenas 8 meses em Boston, em 1920, ao oferecer lucros de 50% a cada 45 dias.

Como todo bom golpista, Ponzi evitava atuar de forma muito agressiva e se apresentava como um mero homem à beira da fortuna que preferia não discutir sua boa sorte em detalhes, a menos que fosse pressionado.

Embora o funcionamento do negócio devesse ser mantido secreto por “razões competitivas”, Ponzi convenceu as pessoas de que estava comprando cupons-resposta postais estrangeiros, com desconto, em países cujas economias estavam em depressão e obtendo lucros ao vendê-los nos Estados Unidos. Ele declarava ter uma rede de agentes estrangeiros reunindo cupons no exterior para conseguir atender à demanda.

Quando o noticiário negativo e investigações legais sobre o negócio começaram a se suceder, houve especuladores que compraram títulos de investidores nervosos pagando com desconto, na esperança de reavê-los com o lucro de 50% quando vencesse seu prazo. Até na cadeia ele continuou a receber aplicações, de pessoas que ainda acreditavam no negócio.

Depois de passar quatro anos na cadeia ele foi novamente condenado numa venda fraudulenta de terrenos pantanosos na Flórida, que combinava loteamento com seu esquema. Alguns dos terrenos ficavam debaixo d’água. Depois de ser preso novamente ele foi deportado e morreu no Brasil, em 1949, num hospital para indigentes, no Rio, para onde tinha se mudado.

Por que pirâmide?

O nome do esquema deriva da forma da pirâmide que assume a rede ligando os associados ao esquema, em progressão geométrica. Caso cada pessoa atraia outras dez, a pirâmide começa com uma pessoa no topo, com 10 pessoas debaixo dela. No nível seguinte haverá 100, no próximo 1000, e assim por diante. No décimo-primeiro nível já teria sido ultrapassada a população da terra. Veja o gráfico abaixo:

1
10
100
1.000
10.000
100.000
1.000.000
10.000.000
100.000.000
1.000.000.000
10.000.000.000



Para ler mais sobre o assunto, acesse:

Em português:

Monitor das Fraudes - o primeiro site em português sobre fraudes, golpes, lavagem de dinheiro, corrupção e outros perigos que existem na vida privada e no mundo financeiro e dos negócios.

Em inglês:

Fraudsandscams.com - site de um detetive particular, ex-agente federal americano, que tem uma empresa especializada na investigação de fraudes. É bastante abrangente, apresentando não apenas definições, mas também linhas de investigação, exemplos e estudos de casos.

Crimesofpersuasion.com, de onde retirei a maioria das informações.

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