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18 maio, 2006

Efeito sem causa

A crise em São Paulo tem sido o assunto no blog Em Cima da Mídia, do Observatório da Imprensa, mantido por Mauro Malin.

Num dos artigos mais interessantes ele tentou responder às a perguntas de uma leitora que não conseguia entender o porquê da mídia não relacionar em absoluto Alckmin com a crise, apesar de ter deixado o governo há pouco mais de um mês.

As hipóteses arriscadas por Malin se aplicam muito bem à situação de Goiás, onde a dependência do governo como anunciante é quase total (veja nota acima), e o atual governador é candidato à reeleição e foi vice nas duas gestões anteriores. Caso prefira ler o texto diretamente no Em Cima da Mídia, clique aqui.


Por que a mídia poupa Alckmin
Postado por Mauro Malin em 17/5/2006 às 10:40:53 AM



A leitora Luciana Covolan escreve:
"Concordo com tudo disse [no programa de rádio de 17 de maio], mas gostaria de te fazer algumas perguntas: - Por que a imprensa não comenta que o PSDB ficou oito anos no governo federal e 12 no estadual, durante o processo de cristalização do PCC? (salvo o Observatório). -Quando entrevistam o Alckmin, nenhum jornalista toca nesse assunto. Por quê? -Por que nenhum jornalista perguntou pro Alckmin o que está acontecendo, por que chegamos a esse ponto se ele, pessoalmente, foi o governador nos últimos seis anos? [Foram cinco anos e três meses.] -Por que não perguntam a ele como [quer] administrar um país, se ele não conseguiu cuidar de São Paulo?"

São boas perguntas. Eu não seria capaz de respondê-las sozinho, mas tenho algumas hipóteses.

Primeira, a dependência da mídia em relação ao poder. Antes de mais nada, para obter informações. Perguntas muito difíceis também não são feitas ao poder federal. Veja o caso do "mensalão", do qual eu, que não estou na imprensa propriamente dita, já tinha ouvido falar antes de aparecer a denúncia do Jornal do Brasil, em setembro de 2004. Mas, além da dependência para obter informações, há outras dependências: publicidade oficial, cambalachos, dívidas não cobradas com a previdência social, obrigações trabalhistas negligenciadas e outras regalias.

Segunda, muitos jornalistas ficaram tão decepcionados com o governo Lula, justa ou injustamente (em alguns casos, o que os despontou foi a sensatez revelada em alguns campos pelo governo...), que tendem a tratar com mais leniência seus adversários. Isso decorre em boa medida da bipolarização política no plano federal. Ou Lula, ou Serra. Ou Lula, ou Alckmin. E o eleitor (leitor, jornalista, cidadão) fica com pouca margem de manobra. Instintivamente (quando não deliberadamente), "poupa" um dos lados.

Terceira, existe um mito a respeito da competência das administrações do PSDB, alimentado pela incompetência maior de boa parte das administrações de seus adversários.

Quarta, o discurso da lei e da ordem magnetiza a mídia e a opinião pública. Abrir os olhos para a ineficácia, ou conivência, ou cumplicidade do aparelho estatal com o crime é um exercício penoso, porque rompe conceitualmente a moldura sociopolític. Chico Buarque sintetizou isso há 32 anos na canção Acorda, amor: "Chame o ladrão". A ditadura foi derrotada politicamente mas num processo de transição/transação. A raiz do pensamento reacionário que a acompanhou está intacta e renovada. Em São Paulo, Jânio foi eleito em 85, Maluf em 92, Pitta em 96, Enéas recebeu a maior votação para deputado federal em 2002.

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