Interrompo o silêncio de quase dois anos para uma breve intervenção.
Antes de mais nada, sinto por esta ausência prolongada, mas o trabalho e a volta à universidade tornaram impossível manter a assiduidade.
Peço às duas dúzias de seguidores deste blog um pouco de paciência. Espero estar de volta logo, Rs.
Por ora, como parece nunca ter fim o impasse do governo estadual com o segmento cultural, sugiro uma leitura.
Trata-se de uma dissertação de mestrado apresentada na Faculdade de História da UFG, em 2010, que descobri recentemente, por acaso.
Não li ainda, só folheei, mas parece instigante. Como trata de um dos principais temas aqui abordados ao longo dos últimos anos, o Entreatos é citado em vários momentos, assim como textos de outros autores que aqui destacamos, Eduardo Horácio e Edson Wander, por exemplo.
O título é AGEPEL:POLÍTICAS PÚBLICAS DE CULTURA NO ESTADO DE GOIÁS – UM INTELECTUAL NO PODER
(1999-2006), e a autora é Adriana Pereira Batista.
Profª. Ana Lúcia da Silva, do Centro Cultural Eldorado dos Carajás, faz a abertura da Conferência Livre
Algumas exigem alterações
constitucionais, outras legislativas. Mas se já estamos na 67ª emenda
constitucional isso não vai ser dífícil, e os ganhos serão
enormes. Uma só já ilustra isso, ao assegurar a efetiva independência entre poderes: a eleição direta e popular para os
chefes dos ministérios públicos, hoje nomeados ou pelos governadores dos
Estados, caso dos Procuradores-Gerais de Justiça, ou pelo Presidente
da República, caso do Procurador-Geral da República ( a que trata dos Tribunais de Contas vai no mesmo sentido).
Há também propostas
que implicam no mero cumprimento do que a Constituição já estabelece,
como a prevalência de servidores efetivos em detrimento de comissionados
e a auditoria na dívida pública ( que está no Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias).
Prof. Francisco Tavares, da Fac. de Ciências Sociais da UFG, fala sobre Políticas Públicas e Orçamento
Foram 30 participantes, todos com
alguma experiência no acompanhamento do tema, além do interesse por ele:
servidores públicos, membros de conselhos de políticas públicas,
integrantes do coletivo Transparência Goiás (TrasnpaGo), professores
universitários, ex-gestores públicos, o procurador de contas do TCE-GO
Fernando dos Santos Carneiro, o deputado estadual Mauro Rubem (PT-GO) e
a repórtere blogueira de O Popular Fabiana Pulcineli.
Participantes lancham antes do início da formulação de propostas em grupos
A ampla maioria dos participantes
(73% ) tinham mais de 40 anos, ou seja, participaram ativamente ou
foram contemporâneos dos movimentos pela redemocratização do país e em
torno da elaboração da Constituição da República de 1988. Além disso,
33% tinham curso superior completo e 40% eram pós-graduados, o que
explica, junto com a experiência no tema, a objetividade das propostas
apresentadas.
A conferência contou com a orientação e apoio da Controladoria-Geral da União, que também forneceu o lanche.
Veja, abaixo, as 10 propostas mais votadas, por ordem de prioridade:
Eixo temático da conferência
1. PROVER OS CARGOS DE CONSELHEIROS DOS TCEs POR MEIO
DE CONCURSO PÚBLICO
2. RESTRINGIR CARGOS COMISSIONADOS A 1% E INVESTIR NA
QUALIFICAÇÃO DE QUADROS EFETIVOS
3. AUDITAR A DÍVIDA PÚBLICA
4. APERFEIÇOAR A LEI DE LICITAÇÃO E QUALIFICAR OS
PROFISSIONAIS ENCARREGADOS DE ACOMPANHÁ-LAS
5. ESTABELECER ICMS SELETIVO E TER LEIS QUE NÃO
PERMITAM ISENÇÕES FISCAIS PARA EMPRESAS PRIVADAS
6. REFERENDO DO IMPOSTO SOBRE FORTUNAS
7. ELEIÇÃO POPULAR DIRETA DOS CHEFES DOS
MINISTÉRIOS PÚBLICOS DA UNIÃO E ESTADUAIS
8. FINANCIAR EXCLUSIVAMENTE COM RECURSOS PÚBLICOS A
CAMPANHA ELEITORAL
9. IMPLEMENTAR AUDITORIA CONCOMITANTE AS OCORRÊNCIAS
DE OBRAS PÚBLICAS JUNTO A COMISSÕES DE ÉTICA LIGADO AOS
CONSELHOS
10. ESTABELECER UM PRAZO MÁXIMO DE 02 ANOS DE
JULGAMENTOS DAS AÇÕES DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA E AÇÕES
POPULARES.
Em 12 de outubro, quatro dias após ser publicado o artigo de Gilberto Correia sobre as agruras que vivem os artistas com a Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Goiânia, saiu no Popular carta do cantor, compositor e economista Lucas Faria, fazendo remissão ao primeiro.
Lucas foi um crítico de primeira hora das leis de incentivo em Goiás e fala com a propriedade de quem trabalha profissionalmente há anos com grandes projetos de incentivos fiscais.
O jornal só mudou o título sugerido, que era igual ao do artigo de Gilberto, para ProjetosCulturais. Pena não ter saído como artigo ( veja, ao final, a íntegra, com o título original).
Lucas é um grande artista. Comprove ouvindo como ele, antes mesmo que se tivesse notícia de leis de incentivo por essa bandas, já tinha abordado o modus operandi da política em geral na música Diagnóstico da Solenidade, parceria comBrasigóis Felício.
Ela está no seu primeiro long play, Todo Canto, produção independente de 1986, gravado no estúdio RCA, em São Paulo. Nos vocais, além dele, Valter Mustafé, Luiz Augusto e Amaury Garcia.Atual como nunca:
DE PIRES NA MÃO
Lucas Faria
Há, nos âmbitos federal, estadual e municipal, dois mecanismos distintos de destinação de recursos financeiros para projetos culturais: as leis de incentivo à cultura e os fundos de apoio à cultura.
O compositor Gilberto Correia, em seu bem escrito artigo "De Pires na Mão", edição de 8 do corrente do Popular, mostrou, com riqueza de detalhes, a via crucis enfrentada pelos artistas para obter recursos financeiros destinados aos seus projetos culturais através do primeiro mecanismo, ou seja, as leis de incentivo à cultura.
O articulista mostra e sugere, ao final, que muito melhor seria que os recursos fossem diretamente entregues pelo Poder Público aos artistas, evitando-se, assim, a via tortuosa, assim como algumas mazelas desses contornos.
Tem razão o compositor até porque, não de hoje, tenho cá comigo que as leis de incentivo à cultura são, na realidade, leis de incentivo ao empresário. Este, ao decidir investir em cultura torna-se o verdadeiro beneficiário da lei, uma vez que além de obter a divulgação de sua marca, de sua empresa e/ou de seus produtos, tem de volta, como contrapartida, através de renúncia fiscal, boa parte ou quase o todo do valor que investiu, ao que, adicionando-se a referida divulgação, resulta em benefício maior do que o valor investido. Noutras palavras, o adágio: "não existe almoço grátis".
Não tortuosa é a segundo alternativa, ou seja, a do mecanismo dos fundos de cultura, através do qual seriam entregues diretamente aos artistas os recursos financeiros destinados à realização dos seus projetos.
Ocorre, entretanto, que a legislação que rege os fundos de cultura contém em artigos, estranhamente, permissivos de utilização dos recursos pelo próprio Poder Público. Isso, na prática, com absoluta prioridade.
Conclusão: aos artistas, a via crucis das leis de incentivos à cultura; e ao próprio Poder Público, as condições operacionais favoráveis, imediatas, sem burocracia, dos fundos de cultura. Êta, nóis !