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03 julho, 2010

Bastidores: Agepel lança projeto de R$ 865 mil -atualizado

O Diário da Manhã de hoje traz matéria sobre a abertura de inscrições para o projeto Bastidores, da Agepel, em parceria com a Funarte ( com informações complementares às do site da agência). São 8 cursos profissionalizantes com carga horária de 200 horas cada e 30 vagas.

Embora tenha o mesmo nome, o projeto não tem nenhuma relação com o que foi criado há algum tempo por um grupo de artistas, técnicos e produtores locais, executado com o apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Goiânia (ver atualização ao final do texto).


Segundo informações dispobilizadas pelo Portal da Transparência, do Governo Federal (abaixo), trata-se de um convênio em que a Funarte repassou à agência R$ 692 mil , cabendo a esta uma contrapartida de R$ 173 mil, num total de R$ 865 mil. O valor equivale a R$ 3.604 por vaga. O objeto seria a criação do Centro de Estudos em Inteligência Cultural (?) , com a execução de 10 oficinas. O convênio é de 31 de dezembro de 2008 e os recursos federais estão disponíveis desde 31 de agosto do ano passado:

Dados do convênio no Portal da Transparência- clique sobre a imagem para ampliá-la




Não deixa de ser curioso, e revelador da confusão que reina entre as atribuições da Agepel, da Secretaria de Ciência e Tecnologia e da Secretaria da Educação, que um curso profissionalizante, com um volume de recursos dessa monta, não esteja sendo oferecido pelo Centro de Educação Profissional em Artes Basileu França , unidade do governo estadual onde são ministrados cursos regulares dessa natureza, e , pelo que consta, sempre com necessidade de recursos.

Atualização em 11.07.10:

Seguem informações do produtor cultural Jefferson (Boi) Affiune, sobre o projeto Bastidores realizado em 2009, feitas pela lista de discussão do Fórum Permanente de Cultura:

1ª parte - O PRojeto BAstidores do ano passado, foi proposto por mim BOI e realizado por mim e pela MArcí, foi realizado através da Lei Municipal de Cultura, foi aprovado em R$ 20.000,00 e com a inestimável ajuda do Marcelo Carneiro captamos através do Hospital Samaritano, Tropical Imóveis e Govesa Caminhões, realizamos todos os cursos e as visitas técnicas, bem como os participantes puderam acompanhar duas montagens, Quasar Jovem e Cia Nu Escuro, que receberam cachê, bem como pagamos pelo uso do Teatro Goiânia Ouro e entramos na Pauta, como qualquer um.

Somente coloco que não temos nada a ver com esse BAstidores da Tetê CAetano e da Agepel, apenas eles estão utilizando o nome que nós demos ao projeto, bem como, somos proprietários dosa direitos de uso e utilizamos o site www.bastidores. com.br

Além do mais estamos com oprojeto na Lei Municipal e na Lei Goyazes, esperando parecer dos devidos conselhos...

2ª parte - Desculpem a demora, estava em viagem, pedi a quantia de 47.000 para a Lei, mas como disse, fui aprovado em 20.000, foram 5 cursos, Produção (Marcí Dornelas), Áudio (jorge Leite), Iluminotécnica (Rodrigo Horse), Filamgem (Irerê) e Fotografia (laysla), a intenção era ter vários outros, mas com o corte no apoio, fizemos o que foi possível, 42 horas por curso, contando com a prática 6 horas, foram pagos cachês de R$ 1.500,00 para a Quasar Jovem e para a Companhia Nú Escuro, que autorizaram a participação dos alunos na montagem e captação de imagem.

Atendemos a uma média de 22 alunos por curso, menos Produção que atendeu a 46 alunos.

Qualquer outra informação esgtou a disposição



22 março, 2010

Hora do riso : não perca!!!

Palhaço não é bobo, ao contrário do que a vulgarização dos narizes vermelhos , em manifestações públicas, representando o cidadão ludibriado, faz parecer.

Ele tem um sentido muito mais amplo e libertário. Confira na 2ª Palhaçada, que está acontecendo desde a semana passada em Goiânia.


Clique sobre a imagem para acessar o site do festival:



05 novembro, 2008

Goiânia em Cena foi para o Paraná -2 - concerto em Goiânia

Há dois dias recebi, por um dos dois endereços de e-mail que me vinham enviando informações sobre a programação diária do Goiânia em Cena (ótimo serviço, diga-se de passagem), convite para um concerto que será apresentado hoje.

Consultei no texto anterior neste tópico, os dados da lista dos projetos que constavam site do Ministério da Cultura, cujo proponente é a Associação Música Brasil - AMB.

Verifiquei que, nos quatro outros projetos da AMB, três tem "a direção artística do Maestro Norton Morozowicz ", que estará se apresentando hoje.

Encaminhei hoje aquele texto à Assessoria de Imprensa do Goiânia em Cena 2008, Reitoria da UFG, Assessoria de Imprensa da UFG e à Chefia de Gabinete da SECULT ( a caixa postal estava cheia mas pedi à Ass. de Imp. do Goiânia em Cena que encaminhasse) pedindo seus posicionamentos sobre as questões ali abordadas.


Abaixo, o e-mail com o convite:



---------- Forwarded message ----------
From: Alessandra Alves
Date: Mon, Nov 3, 2008 at 5:49 PM
Subject: Concertos na Cidade - temporada 2008
To:






--
Alessandra Alves
alealvescultura@gmail.com
(62) 3524-2542
(62) 9299-3141

21 outubro, 2008

Goiânia em Cena foi para o Paraná

A criatividade da Secretaria Municipal de Cultura é inesgotável: quando se imagina ter visto de tudo, conseguem surpreender a gente.

Hoje, por exemplo, surgiu a última, com o lançamento do Goiânia em Cena 2008.

Esta é a sétima edição do festival. A primeira, em 2001, foi integralmente bancada pela prefeitura. Em 2002, o festival foi adiado duas vezes e depois cancelado, por falta de recursos. Com a eleição de Lula, desde a 2ª edição, em 2003, o festival conta com patrocínios de estatais (Caixa e Petrobrás) e apoio direto da Funarte.

O patrocínio das estatais é feito através da Lei Rouanet, mecanismo voltado para o setor privado. Como obviamente não é o caso da prefeitura, o projeto tem que ter um outro proponente, embora, não menos obviamente, a concessão dos patrocínios se deva ao projeto ser da prefeitura.

Nas duas últimas edições feitas na gestão Pedro Wilson (PT), em 2003 e 2004, e na primeira de Iris Rezende (PMDB), em 2005, o proponente foi a Fundação Otavinho Arantes, de Goiânia, que mantém o Teatro Inacabado. Nas duas últimas, surgiu uma entidade sediada em Brasília, o Instituto Terceiro Setor (ITS).

Estranho, mas compreensível. O ITS era proponente, entre outros projetos, do Festival de Cinema de Brasília, promovido pelo Governo do Distrito Federal. O governador do DF era Joaquim Roriz, do PMDB, e seu secretário de finanças era o vice-prefeito de Goiânia. Assim, ficava tudo em casa. A marca do ITS está até na imagem que ilustra o site do festival deste ano:

clique sobre as imagens para ampliá-las


A ilustração mostra também a Petrobras como principal patrocinador. O texto de apresentação, contudo, não menciona nenhum dos dois:


O convite eletrônico e o folder com a programação também não trazem os dois:







Intrigado, fui ao site do Ministério da Cultura para ver quem seria o proponente desta vez. Surpresa.

O proponente é uma entidade sediada no Paraná (o site do Minc não informa a cidade) - a Associação Música Brasil - AMB. Mas qual seria a explicação para não utilizar um proponente de Goiânia ? Talvez uma experiência renomada em produção de eventos?

Não parece ser o caso. Verificando a listagem dos projetos da associação este é o primeiro que ela executa pela Rouanet. Há outros dois arquivados ( em 2004 e 2006) e dois com captação autorizada (de 2007, prorrogada para 2008). Todos de música erudita.

Não só: a aprovação do projeto foi condicional. O último movimento, em 24 de setembro, foi o envio de carta ao proponente para que complete a documentação. O que talvez explique a ausência da Petrobras.

Vínculo visível com Goiânia, só a área de execução de um dos projetos que aguarda captação estar na região Centro-Oeste e a agência do Banco do Brasil indicada para a abertura das contas dos projetos ser a da Avenida 85 (1269-6).

Fica o mistério. Quem decifrar, por favor avise que o blog publicará.


Seguem os dados encontrados no banco de dados de projetos do Ministério da Cultura:


Goiânia em Cena 2008 - Festival Internacional de Artes Cênicas de Goiânia

Resumo: Visa realizar, em 2008, a sétima edição do Goiânia em Cena - Festival Internacional de Artes Cênicas de Goiânia.

número de protocolo: 082367

Proponente: Associação Música Brasil - AMB - Estado: Paraná

valor solicitado: R$ 453,5 mil valor autorizado: R$ 426,5 mil

Situação em 24.09.08- Aprovado condicional - Aguarda documentos

Providência tomada: Encaminhada carta ao proponente solicitando a documentação necessária para inclusão do projeto em portaria de aprovação.

Outros projetos do mesmo proponente:

Música Brasileira Para Orquestra de Cordas (vol. I) - Gnattali, Guarnieri, Siqueira

resumo:Realizar uma série de concertos , em Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis, apresentados pela Orquestra de Cordas Sinfonia Brasil, sob direção artística do Maestro Norton Morozowicz, homenageando os compositores Camargo Guarnieri, José Siqueira e Radamés Gnatalli.

04.07.2008 - prorrogação aprovada ( autorizada captação em 2007)

Orquestra Escola: Formação de Jovens Instrumentistas

resumo: Realização de oficinas para aprimorar a formação artística de jovens instrumentistas, que vivem em regiões com pouca possibilidade de acesso a professores da área, especialmente nos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Ao final dos cursos, esses jovens se apresentarão em concertos didáticos.

04.07.2008 - prorrogação aprovada ( autorizada captação em 2007)

Sinfonia Brasil

resumo:Pretende levar a música a três grandes capitais da América do Sul, Brasília, Buenos Aires, Lima (Peru), em concertos de grande impacto de público e crítica. A Orquestra Sinfonia Brasil, atuará sob direção artística do Maestro Norton Morozowicz. Período de realização 100 dias.

01.06.2006 - Arquivado a pedido do proponente


Música Brasileira de Concertos - Orquestra Sinfonia Brasil

resumo:Apresentação, pela Orquestra Sinfonia Brasil, sob responsabilidade da Associação Música Brasil e diração artística do Maestro Norton Morozowicz, de duas Séries de Concertos focalizando obras orquestrais brasileiras pouco conhecidas, de autoria de compositores nacionais de todas as épocas.

26.10.2004 - arquivado por falta de complementação de documentos

18 fevereiro, 2008

Contas Culturais, Na Ponta do Lápis, A Vez das OSCIPs - 2 - A Reportagem

Ainda não tive tempo de comentar histórica série de reportagens de Edson Wander, no Magazine, em O Popular, sobre os investimentos em cultura pelas três esferas de governo ( Prefeitura de Goiânia, Estado e Federal), publicada no mês passado.

Por ora, disponibilizo os textos das reportagens. No primeiro texto deste assunto, reproduzi carta enviada ao jornal ( não publicada), por dirigente de uma OSCIP.

As imagens das páginas do jornal são ilustrativas. Para ler, clique sobre as imagens com os textos. Na janela que se abrirá, clique novamente sobre as imagens para ampliá-las.
















Goiânia em Prosa e Verso - 2 - A reportagem

Estou disponibilizando a reportagem de Rodrigo Alves sobre o lançamento da segunda série de livros da Coleção Goiânia em Prosa e Verso. Foram 71 títulos, a um custo de R$ 200 mil, numa parceria entre a Editora da UCG e a Secretaria Municipal de Cultura.

O título geral, na matéria que abre a reportagem é Atacadão Literário. O segundo texto - Ficção, Poesia e até Matemática - faz uma avaliação da variedade nas obras editadas. Finalmente, As Obras traz a relação das obras publicadas.

No texto anterior sobre o assunto, reproduzi debate sobre a qualidade do projeto, que ocorreu na seção de cartas dos leitores do jornal O Popular.

Para ler os textos, clique sobre as imagens e na janela que se abrirá clique novamente sobre as imagens para ampliá-las.












14 fevereiro, 2008

Goiânia em Prosa e Verso - Debate dos leitores

No dia 10 de Janeiro, sob o Título Atacão Literário, a reportagem de capa do caderno Magazine, de O Popular, era sobre o lançamento, naquele noite, de mais 71 livros pela Secult, em parceria com a UCG, pela coleção Goiânia em Prosa e Verso.

O repórter Rodrigo Alves fez um belo trabalho. Tentarei disponibilizá-lo e comentá-lo posteriormente.

Por ora, interessa o debate que a matéria suscitou. O palco foi a seção Cartas dos Leitores do jornal. Começou no dia 18 de janeiro, com a publicação de carta de Marcos Amaral Lotufo, professor de design, criticando o projeto. No dia 26, carta de Gil Barreto Ribeiro fez a sua defesa. No mesmo dia Marcos fez a tréplica, infelizmente não publicada pelo jornal, que agora disponibilizo, juntamente com as duas primeiras (veja ao final).

Estive verificando nos livros da coleção, e na ficha técnica o prof. Gil Barreto Ribeiro vem a ser o Coordenador Geral da Editora da UCG, a parceira da SECULT no projeto. No site da universidade, em reportagem sobre o lançamento dos 40 primeiros títulos, em 2005, ele já ocupava o cargo (clique aqui para ler). À época, a Editora Kelps também participou do projeto.


Não sei se a omissão foi do missivista ou da edição do jornal, mas a informação parece-me essencial.


Primeira carta:

Goiânia, 18 de janeiro de 2008

Goiânia em Prosa e Verso

Professor da unidade curricular Design Editorial, me sinto obrigado a tecer alguns comentários sobre o que foi chamado de “atacadão literário”. Teço meus comentários a partir do que ouvi e do que li na matéria de 10 de janeiro deste jornal.

A Secretaria Municipal de Cultura, com a colaboração da Editora da UCG, fez lançar obras de 71 autores cometendo um dos maiores crimes editoriais de que tenho ciência. A belíssima matéria de Rodrigo Alves deixa transparecer nas diversas falas dos interessados e nos comentários a insensatez de tal feito.

O projeto Coleção Goiânia em Prosa e Verso, que está em sua segunda edição, teve como único critério a inscrição, como afirma o secretário de Cultura Kleber Adorno. Não foi estabelecido nenhum critério de seleção.

Que fique clara a crítica que faço. Conheço alguns dos autores e não questiono, aqui, suas obras. Mas que todas as obras e seus autores ficaram diminuídos com este desserviço, isso eu afirmo.

Marcos Amaral Lotufo
Setor Pedro Ludovico – Goiânia


Segunda Carta:


Goiânia, 26 de janeiro de 2008

Prosa e verso

Li, com certa indignação, a crítica do leitor Marcos Amaral Lotufo, intitulada Goiânia em Prosa e Verso, publicada nesta coluna no dia 18. O autor refere-se à publicação das obras como “um dos maiores crimes editoriais de que se tem ciência”, comentando isso, conforme afirma, “a partir do que ouviu e leu...”

Sua crítica é, no mínimo, leviana e insensata. Pelo que pude perceber, ele – professor de Design Editorial – não teve acesso ao produto final desta coletânea. O projeto gráfico, arte de capa e diagramação eletrônica foram elaborados e realizados pela Editora da UCG, com a participação direta do responsável por essa área, também professor de Design Gráfico, com cerca de 30 anos de experiência na área.

Apesar de alguns problemas na execução das especificações técnicas apresentadas pela Editora da UCG, a gráfica que imprimiu as obras, temos certeza de que o produto final foi satisfatório e elogiado pela grande maioria dos autores.

Gostaria de comentar que a cultura tem inúmeros segmentos, como cinema, teatro, música, dança, artes plásticas, literatura, até arte carnavalesca. Em qualquer uma dessas áreas existe a estréia. Atores renomados, músicos de projeção, diretores e produtores cinematográficos etc. tiveram sua iniciação muitas vezes desacreditados.

Também na literatura é importante dar oportunidade a iniciantes de divulgar seu potencial literário. Cumprimento e parabenizo a Secretaria de Cultura do Município de Goiânia por este projeto audacioso, que prestigiou autores de grande relevância em âmbito local, regional, nacional e até internacional, como também oportunizou a emergência de possíveis novos talentos, o que a mesma secretaria vem fazendo nos outros segmentos culturais.

Para criticar, temos de antes nos fundamentar e não elaborar pareceres negativos apenas pela superficialidade do que “se viu e leu”.

Gil Barreto Ribeiro
Setor Bueno – Goiânia


Terceira Carta ( não publicada):


Coleção Goiânia em Prosa e Verso

Conheço e tenho grande respeito pelo Sr. Gil Barreto Ribeiro. Concordo plenamente com grande parte de suas afirmações e que reproduzo abaixo:

“O projeto gráfico, arte de capa e diagramação eletrônica foram elaborados e realizados pela Editora da UCG, com a participação direta do responsável por essa área, também professor de Design Gráfico, com cerca de 30 anos de experiência na área. Apesar de alguns problemas na execução das especificações técnicas apresentadas pela Editora da UCG, a gráfica que imprimiu as obras, temos certeza de que o produto final foi satisfatório e elogiado pela grande maioria dos autores. Gostaria de comentar que a cultura tem inúmeros segmentos, como cinema, teatro, música, dança, artes plásticas, literatura, até arte carnavalesca. Em qualquer uma dessas áreas existe a estréia. Atores renomados, músicos de projeção, diretores e produtores cinematográficos etc. tiveram sua iniciação muitas vezes desacreditados. Também na literatura é importante dar oportunidade a iniciantes de divulgar seu potencial literário.”

Meus comentários questionam a aplicação de verbas públicas em publicações sem critérios e que nem ao menos foram lidas, segundo afirmação do próprio secretário Kleber Adorno e que levam o nome da Editora da Universidade Católica de Goiás e é neste sentido que questiono a homenagem a Frei Confaloni e não, obviamente, pelo belo projeto gráfico.

Tenho certeza que, tanto o Sr. Gil Barreto quanto eu como educadores, bem como o Jornal O Popular, cumprimos nosso papel de educadores e comunicadores e contribuimos para que se reflita sobre assuntos de grande relevância como esse.

Deixo aqui a sugestão para que se produza uma matéria sobre os caminhos percorridos por um autor até que sua obra chegue às mãos do leitor sob o ponto de vista dos profissionais envolvidos.

Com respeito,

Goiânia, 26 de janeiro de 2008


Marcos Amaral Lotufo


02 fevereiro, 2008

O(a) TeNPO Redescoberto(a) - Anatomia de um Evento - 8 - P.S. - A repercussão do texto de Brandão

Faço este complemento porque na nota anterior desta série faltou dizer que o artigo de Brandão teve repercussão.


Uma leitora de Porangatu escreveu ao jornal, reclamando. A carta foi publicada no dia 26.11.04, na seção Opinião do Leitor, juntamente com a resposta de Brandão. Abaixo, a transcrição de ambas.



Tenpo


Comunico a indignação da sociedade de Porangatu frente à matéria preconceituosa e discriminatória do jornalista Carlos Brandão (DM – 22/11).


Por desconhecer totalmente nossas tradições culturais, o citado jornalista difama a nossa sociedade, chamando-a, nas entrelinhas, de ignorante e despreparada para receber um evento como o Tenpo. Ele generaliza sua opinião pessoal como sendo a da platéia quando diz que “o espetáculo do grupo de Porangatu, Do Arco da Véia, não agradou”. Ele deveria ter dito: “não agradou a mim”, uma vez que a platéia participou e riu o tempo todo.


Quando o jornalista critica a Agepel e a Scult por convidarem pessoas da periferia para assistir aos espetáculos, ele está sendo elitista e se mostra claramente contra a Inclusão Social. Carlos Brandão ratifica sua posição preconceituosa dizendo que o Fica e o Canto da Primavera só têm resultado satisfatório porque “sobrevivem sem muita participação dos nativos”.


Maria Efigênia, Porangatu(GO)
por fax


O repórter Carlos Brandão esclarece que dona Maria Efigênia não deve ter entendido a matéria. Sem usar de ironia, disse, numa crítica construtiva, que se o Tenpo não for construído durante o ano todo, nem precisa acontecer. Disse que é preciso criar público, ou criar no público uma consciência teatral. Defendo o acesso do povão, mas desde que de maneira não paternalista como aconteceu no Goiânia em Cena, em 2003, e acontece anualmente no Tenpo. O povo, dona Maria, sabe o que quer. Não é preciso que “autoridades culturais metidas a sebo” ensinem a ele do que gostar.


Brandão disse que Fica e Canto da Primavera acontecem à revelia dos nativos. E, que em Porangatu é diferente, porque a população faz a diferença, participando ativamente do evento. Antes de “defender” a sociedade (será que ela deu autorização para isso?), dona Maria deveria tentar parcerias para ter atividades teatrais mensalmente na cidade onde supostamente cuida da Cultura. Falou com assessores do prefeito eleito, José Osvaldo, e me coloquei para, de Goiânia, do Centro Cultural Martim Cererê, ajudar nesse trabalho, de maneira gratuita, proposta que continua de pé, apesar do mal-entendido.

26 janeiro, 2008

Goiânia em Prosa e Verso - 2 - A reportagem

Estou disponibilizando a reportagem de Rodrigo Alves sobre o lançamento da segunda série de livros da Coleção Goiânia em Prosa e Verso. Foram 71 títulos, a um custo de R$ 200 mil, numa parceria entre a Editora da UCG e a Secretaria Municipal de Cultura. O título geral, na matéria que abre a reportagem é Atacadão Literário. O segundo texto - Ficção, Poesia e até Matemática - faz uma avaliação da variedade nas obras editadas. Finalmente, As Obras traz a relação das obras publicadas.

No texto anterior sobre o assunto, reproduzi debate sobre a qualidade do projeto, que ocorreu na seção de cartas dos leitores do jornal O Popular.

Para ler os textos, clique sobre as imagens e na janela que se abrirá clique novamente sobre as imagens para ampliá-las.












O (a) TeNPO redescoberto(a) – Anatomia de um evento – 7 (final)- Uma avaliação

Encerrando o assunto, disponibilizo o artigo Saldo Positivo no Tenpo, publicado pelo Diário da Manhã em 22 de novembro de 2004.

Embora se refira à IIIa edição, os comentários, em sua maioria, continuavam pertinentes, pois o formato não mudou em sua essência.

O autor, Carlos Brandão, além de jornalista do DM, era da equipe da Agepel - dirigia o Centro Cultural Martim Cererê - mas escreveu um texto surpreendentemente crítico.

Para ler, clique a seguir sobre imagem da página desejada e, na tela que se abrirá, clique novamente sobre a imagem da página para ampliá-la:




O (a) TeNPO redescoberto(a) – Anatomia de um evento – 6 - Cidade Maravilhosa

Um aspecto curioso no (a) IV TeNPO foi o anúncio de seu lançamento no Rio de Janeiro. Veja a notícia publicada no site Goiás Agora, do governo estadual:

Notícia                                                                                                                       14/09/2005-15:45:11

Mostra Nacional de Teatro é lançada no Rio de Janeiro


A Agência Goiana de Cultura (Agepel) e a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) lançam no dia 19 de outubro, no Rio de Janeiro, a IV Mostra Nacional de Teatro de Porangatu. O objetivo do lançamento acontecer na capital carioca é o de ampliar a participação nacional na mostra. O evento vai ser às 21 horas, no Retiro dos Artistas.

O Governo do Estado, por meio da Agência Goiana de Cultura (Agepel) e a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), lançam a IV Mostra Nacional de Teatro de Porangatu, no dia 19 de outubro, no Rio de Janeiro. O objetivo é o de ampliar a participação nacional na mostra, de acordo com o presidente da Agepel, Nasr Chaul. O lançamento vai ser às 21 horas, no Retiro dos Artistas.

Artistas que participaram de edições anteriores da mostra, como Françoise Fourton, Wolf Maya, Nathália Timberg, Rosi Campos, Hugo Rodas, Denise Stoklos e Caio Blat, entre outros vão estar presentes no lançamento nacional. O ator e diretor do Retiro dos Artistas, Stepan Nercessian, que participou da segunda edição da Mostra em Porangatu, vai coordenar o evento no Rio de Janeiro.

A quarta edição da Mostra Nacional de Teatro de Porangatu acontece de 15 a 20 de novembro, e promete muitas atrações regionais e nacionais, devendo atrair milhares de visitantes.

25 janeiro, 2008

Contas Culturais, Na Ponta do Lápis, A Vez das Oscips - repercussão

Ainda não pude comentar a série de 3 reportagens de O Popular, da semana passada, que estão no título, sobre o investimento público em cultura em Goiânia e Goiás.


Por ora, registro correspondência enviada ao jornal, não publicada, pela coordenadora do Centro Cultural Eldorado dos Carajás, professora Ana Lúcia da Silva, a propósito da última reportagem, sobre as OSCIPs (veja ao final).


A professora é doutora em História pela USP e sua tese originou o livro "A Revolução de 30 em Goiás", indispensável para se entender esse estado de coisas em que vivemos. A última edição foi pela Cânone Editorial e Agepel, em 2001.


Data: Fri, 18 Jan 2008 10:43:36 -0300 (ART)
De:
Eldorado dos Carajás <eldoradocarajas@yahoo.com.br>
Assunto: carta do eleitor



Seguem estas observações em relação à reportagem A vez das Oscips.
Atenciosamente,
Ana Lúcia da Silva. Coordenadora do Centro Cultural eldorado dos Carajás



Fiquei surpresa com a afirmação do presidente do Instituto Casa Brasil, senhor Wagner Baptista da Costa Júnior, de que esta tem fechado contratos com a Agepel por seu ineditismo e competência: “ Somos a primeira Oscip cultural do Estado ( criada em 2001) e a única certificada na esfera federal e estadual. Defendo que a lei seja aperfeiçoada, não teríamos nada a temer pela excelência que adquirimos, mas, se não há concorrência, é por falta de atores aptos”.


A competência de emitir certificados de Oscip é de ordem exclusiva do Ministério da Justiça, que o faz após análise de ampla documentação necessária competência à qualificação da entidade como OSCIP.


O Centro Cultural Eldorado dos Carajás, do qual sou coordenadora, é Oscip desde outubro de 2005. Antes disso, desde dezembro de 2004, já éramos Ponto de Cultura. Nosso projeto, voltado para a escola pública, foi selecionado pelo Ministério da Cultura em edital, concorrendo com mais de 2000 outras entidades de todo o país. Metade de nossa diretoria atua na área cultural há anos. Nosso Secretário, por exemplo, o renomado artista plástico Zécésar, foi diretor da Faculdade de Artes Visuais da UFG.


Nunca pudemos comprovar nossa competência porque nunca recebemos uma carta convite da Agepel para apresentar proposta para Termos de Parceria. (contratos.) Será que as demais receberam? Esta é a pergunta que tem de ser respondida, antes de se desqualificar as 10 outras Oscips da área cultural.



Profª Ana Lúcia da Silva - Coordenadora do Centro Cultural Eldorado dos Carajás.

21 janeiro, 2008

O (a) TeNPO redescoberto(a) - Anatomia de um evento -5 - Do projeto à obra : como um evento sai do papel

Na semana passada, uma série histórica de reportagens de O Popular mostrou a realidade dos gastos em cultura em Goiás pelas três esferas de governo: municipal (Goiânia), estadual e federal (voltarei ao assunto). A última dessas matérias abordou a atuação das OSCIPs nesse contexto.


Encerrando essa série de textos, apresento aqui algumas considerações e uma cronologia dos principais atos no processo de contratação da OSCIP que atuou no(a) IV TeNPO ( único processo a que tive acesso para analisar com mais detalhe) , o que constitui, creio, um ótimo complemento àquela matéria, onde se mostra que este expediente agora é regra.


São duas as questões centrais alegadas para se adotar o Termo de Parceria, e não a licitação: agilidade e qualidade. Nos termos colocados pelo Diretor de Ação Cultural da Agepel, ao escolher um termo de parceira com uma OSCIP para a execução de parte do evento, o intuito da Agepel foi "principalmente... dar agilidade à tramitação burocrática e à qualidade dos eventos", uma vez que a licitação "privilegia o menor preço"e "em um termo de parceria ...o parceiro público pode definir os critérios para escolha da Oscip, critérios tais como capacitação técnica, acervo técnico ou qualidade, inclusive sem priorizar menor preço, embora com total controle sobre esse item" ( documento Da Escolha do Parceiro do Termo de Parceria, clique aqui para ler: página 1 e página 2).


A primeira é questionável. As ações da Agepel consistiam numa série de eventos, três deles anuais: o FICA, em maio, o Canto de Primavera, em setembro, e o (a) TeNPO, em novembro. Com todo esse tempo para se programar e ir executando um número tão restrito de atividades paulatinamente, causa surpresa a necessidade de agilidade. Ao contrário, a questão parecia estar vinculada precisamente a uma incapacidade da Agepel em trabalhar com antecipação: só se começava a pensar um evento após concluídos os principais trâmites do anterior. Além disso, um tempo enorme era consumido porque, apesar de serem eventos já rotineiros, previstos no orçamento do estado, dependiam de uma autorização pessoal do governador para serem executados, seguida da liberação pelo Secretário de Planejamento.


Prova disso é que embora em 10 de janeiro tivesse enviado ofício ao Presidente da Celg , com a relação das datas de desembolso para os patrocínios aos eventos da agência naquele ano, só em 2 de setembro ( a menos de três meses do evento), o presidente da Agepel pediu ao governador a liberação dos recursos para o(a) IV TeNPO, dada quase um mês depois. Só três semanas depois a Agepel repetiu o procedimento em relação ao Secretário de Planejamento (curiosamente, o despacho deste fazendo referência e deferindo o pedido da Agepel é do dia 20.10, enquanto aquele é do dia 21.10). Ou seja, dois meses foram consumidos no primeiro escalão.


A partir daí, faltando um mês para o evento, agilidade era essencial e houve bastante. Dois dias úteis depois o Diretor de Ação Cultural pediu ao Presidente da Agepel que firmasse termo de parceria com uma OSCIP. Outros dois dias e este deu seu "de acordo"no convite feito. Exatas duas semanas depois, a 11 dias do início do evento, o termo era firmado. A liberação da primeira parcela dos recursos ocorreu na sexta-feira, 18.11, às vésperas do evento, que começaria na segunda-feira, 21.11. Toda a tramitação na Agepel durou um mês. O pagamento do restante dos recursos ocorreu logo após o evento, houve uma reunião de avaliação quinze dias depois e a prestação de contas foi feita um mês após a realização do evento.


Quanto à qualidade, é impossível uma avaliação já que não houve convite a outras OSCIPs para apresentarem propostas. A Agepel concluiu que o Instituto Centro-Brasileiro de Cultural (ICBC) (sic) era a única Oscip adequada ao caso, considerando que o escopo era "conceber e delinear eventos regionais", o que pressupunha"um conhecimento embasado da realidade realidade local, do cenário cultural de Porangatu e do norte de Goiás, além do contato direto com os organizadores do evento e principalmente a diretoria da Agepel" . Isso, após definir que a Oscip deveria ser sediada no estado, fazer um consulta desnecessária à relação delas na "na página da internet do Ministério da Justiça", visto que já se adotara o mesmo procedimento para outras ações, entre elas o Canto de Primavera, dois meses antes (trechos citados do documento Da Escolha do Parceiro do Termo de Parceria, clique aqui para ler: página 1 e página 2). .


Ainda houvesse outras Oscips convidadas, não haveria tempo para qualquer aprofundamento de proposta, tanto que o projeto acordado foi o apresentado pela Agepel, em seus valores originais. Ainda neste aspecto, a avalição final foi quantitativa e subjetiva, feita numa reunião em que participaram apenas Agepel e Oscip, sem nenhum elemento objetivo que avalisasse a qualidade, seja parecer independente, sejam depoimentos ou pesquisas entre artistas, público, oficineiros, participantes das oficinas e equipe envolvida


Para um comentário sobre os custos decorrentes da opção por intermédiarios nos projetos da Agepel, leia o primeiro texto desta série.



Cronologia



Tramitação no primeiro escalão ( 2 meses)

2.09.05 (sexta-feira)– Ofício 116/2005 do presidente da agepel ao Governador, pede a liberação dos recursos para realização do evento, a ser realizado em outubro, no valor de R$ 700.000,00.

28.09.05 (quarta-feira) - Governador assina sob o carimbo “Após exame legal, autorizado em 28.9.05” e anota de próprio punho – 50% tesouro, 50% agetop. ( 4 semanas)

20.10.05 (quinta-feira) - Despacho do Secretário de Planejamento, ref. ao ofício 1633/05 autoriza a realização do evento, no valor de R$700.000,00, sendo R$ 350.000,00 do Tesouro do Estado e o restante da AGETOP.

21.10.05 (sexta-feira) - Ofício 1633/05 do presidente da Agepel pede ao Secretário de Planejamento a liberação de recursos para o evento. ( 3 semanas)

Tramitação na Agepel (um mês)

1. Contratação de OSCIP ( duas semanas)

25.10.05 (terça-feira) – Diretor de Ação Cultural pede ao presidente da Agepel que determine a elaboração de termo de parceria com OSCIP para a concepção, execução e finalização dos eventos integrantes da IV Mostra de Teatro Nacional de Porangatu, a ocorrer daí a um mês ( de 22 a 27 de novembro).

26.10.05 (quarta-feira) – Ofício convidando o ICBC para apresentar o projeto respectivo. Segue anexado projeto feito pela Agepel, assinado por Ruth Carolina G. Borges, técnica responsável, e Flávia de Oliveira Sáfadi, Coordenadora da Assessoria de Projetos, além do presidente da Agepel, na mesma data.

27.10.05 (quinta-feira) – De acordo, na forma da lei, de próprio punho e assinado pelo presidente da Agepel, no ofício do dia 27 .

03.11.05 (quinta-feira) - Resposta do ICBC, agradecendo ao convite e enviando proposta anexada, lembrando que o detalhamento da mesma foi feito em reuniões preparatórias com a equipe de projetos da Agepel. Valor – 330.848,00.

03.11.05 (quinta-feira) – De acordo, na forma da lei, de próprio punho e assinado pelo presidente da Agepel, na resposta do ICBC.

04.11.05 (sexta-feira) – ofício ao presidente do ICBC, pedindo sua presença para discutir redução nos custos apresentados. Anotação de próprio punho – Recebi o original em 4/11, não é do presidente do ICBC.

07.11.05 (segunda-feira) – Resposta do ICBC, apresenta nova proposta, com a redução dos custos pedida, obtida "após nova reunião com o grupo de trabalho da Agepel, e diversos contatos com pessoas e grupos selecionados para o IV tenpo”. Novo valor – 300.499,57. Mesma assinatura do documento anterior, pelo Presidente do ICBC.De acordo, na forma da lei, mesma data, do presidente da Agepel.

07.11.05 (segunda-feira) – Ofício ao ICBC, comunicando a aceitação da proposta e pedindo o comparecimento de seu presidente com a documentação para encaminhamento do Termo de Parceria.

Sem data – Da Escolha do Parceiro do Termo de Parceria, assinado pelo Diretor de Ação Cultural, justifica a escolha do ICBC ( clique aqui para ler: página 1 e página 2 ).

10.11.05 (quinta-feira) – Assessoria Jurídica da Agepel considera atendidos os pressupostos legais.

10.11.05 (quinta-feira) - Termo de parceria assinado pelos presidentes da Agepel e do ICBC.

11.11.05 (sexta-feira)- Inspetoria do Gabinete de Controle Interno considera atendidos os pressupostos legais, mencionando que “ trata-se de matéria já orientada pelo GECONI nos Termos de Parceria anteriores, firmados com a mesma OSCIP e por ocasião de outros eventos realizados pela Agepel”.

2. Liberação de recursos no último dia útil antes do evento ( uma semana)

18.11.05 (sexta-feira) – pagamento da 1ª parcela.


21.11 (segunda-feira) - Início do evento

26.11.05 (sábado) - fim do evento


28.11.05 (segunda-feira) - Despacho do presidente da Agepel, alterando a fonte de recursos no valor de R$ 139.499,57, do tesouro estadual para a CELG.

29.11.05 (terça-feira) – pagamento do restante

Avaliação dos resultados (duas semanas)

12.12.05 (segunda-feira) Reunião de avaliação – Na ata, depois de uma série de elogios, “foi destacado ainda que a agilidade nesse tipo de evento é imprescindível e que o Termo de Parceria se apresenta como ferramenta ideal para casos dessa natureza. Finalmente, fez-se a avaliação global do desempenho do Termo de Parceria, que foi declarado não apenas cumprido na íntegra como também realizado com excelência, motivo pelo qual foi exarada a disposição de futuramente estabelecerem-se novos Termos de Parceria entre a Agepel e o ICBC”. Assina a Comissão de Avaliação, integrada pela Chefe de Gabinete da Agepel, que a presidiu, mais o Diretor de Ação Cultural da Agência e o presidente do ICBC ( leia aqui).

Prestação de contas ( um mês)

19.01.06 (quinta-feira) – Prestação de contas, com a mesma assinatura respondendo pelo presidente do ICBC.

Cobrança de Prestação de contas ( 15 dias)

02.02.06 (quinta-feira) – Ofício da Ger. Adm. dirigido ao presidente do ICBC, reiterando, “conforme contato pessoal com o Sr. Germano Roriz Neto” (aparentemente, quem assina os documentos pelo presidente do ICBC) , a prestação de contas dos processos do Canto da Primavera, Coleção Bienal do Livro 2005 e IV Mostra de Teatro Nacional de Porangatu.


O (a) TeNPO redescoberto(a) - Anatomia de um evento - 4 - As Belas e as Feras

Outras prioridades na execução do evento podem ser discutidas. A última que gostaria de destacar é quanto à discrepância entre os pagamentos pelos serviços em funções cujo principal atributo era a beleza das contratadas e outras que exigiam principalmente preparo técnico e artístico.

Primeiro, a apresentação, que consistia numa breve introdução dizendo qual o espetáculo e o grupo que se apresentaria, feita antes de cada sessão. A apresentadora foi a belíssima Lara Brito, Miss Brasil Mundo 2003, segundo lugar no Miss Brasil 2003, que hoje atua nos espetáculos infantis do diretor Luis Roberto Pinheiro. Como a beleza de Brito não está em discussão, cabe considerar antes de mais nada, a necessidade de duas pessoas para fazerem esta apresentação, sendo o seu parceiro um funcionário da Agepel , um profissional tarimbadíssimo, excelente ator; mais que isso, cabe indagar a pertinência da própria apresentação ao vivo. Não tenho notícia de outro festival que faça isso. A regra são gravações tocadas imediatamente antes de cada sessão, e aqui podemos lembrar novamente o Goiânia em Cena. Há várias razões para isso: um maior controle sobre a qualidade e a padronização do registro que será feito, inclusive dos patrocínadores ( por ser feito antecipadamente e gravado), a utilização de um tema musical para marcar o evento, o menor custo e, finalmente,uma questão técnica - a não interferência no cenário dos espetáculos ( com os microfones e apresentadores colocados no palco)- especialmente importante neste caso, onde os palcos não tinham cortinas.

Segundo, a recepção. Não consegui visualizar onde se encaixaria essa função, nem o porquê de serem quatro, e não, por exemplo, cinco recepcionistas. Neste caso, poderiam ser escaladas de forma a compor um painel democrático dos tipos femininos, como agora é usual na publicidade: uma loira, uma morena, uma ruiva, uma oriental e uma negra ou mulata. Enfim, no máximo, é possível ficar imaginando como seriam essas quatro beldades anônimas, sem contudo ver relevância na sua atuação.

Já a comparação entre o custo dessas duas funções com o de outras, onde havia verdeiras feras atuando, é esclarecedorora sobre a maior importância dada àquelas. Lara Brito teria recebido R$ 4 mil. As quatro recepcionistas,R$ 4,5 mil (R$ 1,1 mil cada). O registro fotográfico, a cargo do competentíssimo Rubinho Cerqueira (clique aqui para ver algumas de suas fotos) , que incluía fotografar todos os espetáculos,oficinas, debates e o público e ainda entregar 3 álbuns com 100 fotos cada (segundo o processo), custou R$ 2 mil. A seleção dos espetáculos de Goiás, tarefa cuja importância e responsabilidade dispensa comentários, foi feita por uma comissão com três integrantes, que teriam recebido R$ 600 cada. Os selecionados, por sua vez, receberam R$ 4 mil para se apresentarem.


18 janeiro, 2008

O(a) TeNPO redescoberto(a) - Anatomia de um evento - 3 - A equipe de produção

Outro aspecto que chama a atenção na realização do(a) IV TeNPO é a equipe de produção envolvida.

Na prestação de contas, há apenas uma nota fiscal da empresa Hunica, refente a producão, apoio e animação, no valor de R$ 45,7 mil, inferior ao previsto no orçamento em quase 10%, sem nenhuma referência a quem ou quantos foram os contratados.

Entretanto, a Agepel informou que deslocou uma equipe de 28 pessoas de seus quadros, indo do presidente a motoristas, além de uma assistente de produção contratada para o evento. Ora, se a Agência deslocou uma equipe dessas, mais que suficiente para o porte do evento, qual a necessidade de outra equipe de producão?

Ainda segundo a agência, na equipe de apoio, foram 30 pessoas, cuidando de " limpeza, segurança, merendeiras e outros" , enquanto na de animação foram 13 artistas contratados.

A única referência no processo à quantidade de pessoas a serem empregadas em cada função está no projeto original, encaminhado pela Agepel à OSCIP para elaboração de sua proposta: 24 pessoas na produção, 26 no apoio e 12 na animação.

O gasto registrado na nota fiscal foi 9,3 % menor que o previsto no orçamento. Aplicando esse indíce aos valores individuais, os gastos teriam sido de R$ 28,9 mil com a equipe de produção, R$ 6.7 mil com a equipe de apoio e R$ 10,1 mil com a equipe de animação. Ou seja, a equipe de produção, apesar da presença de 28 funcionários da Agepel, custou quase metade do que foi gasto com os cachês de espetáculos de Goiás.

16 janeiro, 2008

O (a) TeNPO redescoberto(a) – Anatomia de um evento – 2 – Os Cachês

Espetáculos locais

Um elogio que não pode deixar de ser feito é quanto ao valor justo pago aos espetáculos de Goiás: R$ 4 mil para os 9 selecionados – aproximadamente o dobro do usualmente pago - e R$ 1 mil para as 4 cenas curtas.

Por outro lado, a existência de um segundo intermediário, a empresa Hunica, forçosamente implicou em mais comissões que oneraram esse valor (não consegui levantar de quanto foi o desconto).

Espetáculos “nacionais”

Os cachês pagos aos grupos e artistas com projeção nacional , através da empresa Cia de Sucessos, variaram entre R$ 54 e R$ 59 mil, aproximadamente (veja texto anterior). Não há referência aos gastos com transporte até Goiânia, mas como são equipes pequenas, suponho que possa se considerar que, descontadas estas, o cachê tenha sido ficado em R$ 50 mil.

São valores únicos dentro do contexto do teatro brasileiro, porque o (a) TeNPO é o único evento do gênero a ter seu foco e orçamento concentrados em espetáculos de artistas ligados à televisão, ao contrário dos mais importantes festivais de teatro existentes, que priorizam o teatro de grupo. Nestes, os cachês nem passam perto desses valores. Dentre os maiores cachês pagos pelo Goiânia em Cena, por exemplo, à época, estavam os da Armazém Cia de Teatro (R$ 7 mil) e do Grupo Galpão (R$ 10 mil ), em 2003, e da Cia dos Atores (R$ 10,5 mil), em 2004. Ainda que consideremos, o dobro desses valores, para usar a mesma proporção dos cachês dos grupos de Goiás, e considerando que também não incluíam transporte, ficaríamos no máximo em R$ 20 mil.

Um caso extraordinário

Há no entanto, um caso que chama a atenção: o da Cia Caixa Preta, cujo cachê foi de R$ 39 mil, aproximadamente. Em comum com os demais espetáculos “nacionais”, somente o alto cachê e a origem do grupo ser o Rio de Janeiro. O elenco, alem de ser enorme (uma equipe de 15 pessoas) não incluía nenhum grande nome televisivo e a apresentação foi no Centro Cultural (com platéia menor) , e não no circo.

Indagada sobre os critérios para escolha deste espetáculo, a Agepel respondeu que “usou sempre como critério para seleção dos espetáculos convidados para o evento, as suas, (sic) notoriedade pública, condições técnicas adaptáveis ao local, assim como engajamento com o objetivo do referido projeto. Especificamente falando do espetáculo Era Uma Vez, da Cia Caixa Preta, informamos que sua indicação foi feita pelo notório diretor Gutti Fraga, que conosco ministrou a Oficina de Direção na 3o (sic) Edição do TENPO, sendo o mesmo, (sic) aceito pela diretoria e presidência da AGEPEL e tendo como definição de seu cachê o valor estipulado pela Cia de Teatro responsável pelo mesmo, em concordância com a planilha orçamentária desta Agência para realização do evento”.

No processo arquivado na Agepel, a documentação apresentada pelo grupo para a dispensa de licitação registra ser o mesmo integrado por formandos da escola do SATED (Sindicato dos Artistas) , sediada no Espaço Amadeu Celestino, na Casa dos Artistas, cujo diretor vem a ser o mesmo Gutti Fraga. Além disso, a comprovação de notoriedade pública não e feita pelo usual recorte de jornal, mas pela impressão de uma página de fotolog onde um ator faz referência ao nome do diretor da peça , sem qualquer menção ao grupo ou ao espetáculo.

Em termos de cachê, ainda que se estime, por alto, em R$ 15 mil o custo do transporte aéreo de 15 pessoas do Rio a Goiânia, restariam R$ 24 mil de cachê, mais que o dobro dos grandes grupos nacionais no Goiânia em Cena e 6 vezes o dos grupos locais.

09 janeiro, 2008

O (a) TENPO redescoberto(a) - Anatomia de um evento - 1 - Os Gastos

Em fins de 2005, logo após a IV edição do(a?) TeNPO ( Temporada Nacional de Teatro de Porangatu), fiquei curioso sobre como se dava a distribuição dos gastos anunciados em sua realização, bem como a confirmação do valor total publicado pela imprensa. Em contato com a Agepel, de imediato houve a correção de R$ 1 milhão para R$ 700 mil. Quanto à sua distribuição, ao invés dos dados me foram fornecidos os números dos processos que eu deveria consultar para conhecer as despesas. Fiz isso, num périplo que me levou sucessivamente aos arquivos da Agepel, ao Tribunal de Contas do Estado de Goiás , de volta à Agepel, ao gabinete da Governadoria e finalmente ao MP.

As informações finais foram encaminhadas à 51a Promotoria de Justiça - Promotoria do Cidadão - anexadas a ofício datado de 30 de março de 2007. Agradeço imensamente ao Dr. Marcus Antônio Ferreira Alves, titular daquela promotoria, cuja intervenção possibilitou este trabalho.

Neste primeiro texto, tratarei exatamente da composição das despesas na realização da IV edição da (o?) TeNPO, o menor dos grandes eventos anuais que caracterizaram a atuação da Agepel desde sua criação. Acredito que nos demais o modelo adotado deve ser o mesmo.

É importante lembrar que esse evento constitui praticamente a única ação da agência no fomento às Artes Cênicas, e sob esse ponto de vista que tratarei dele.

Um evento, sete processos

A realização da(o?) IV TENPO foi desdobrada em sete processos, num total de R$ 752.555,79 (tabela 1, gráfico 1 ), vinculados a 6 contratados, já que um deles era um termo aditivo.






A maior parte dos gastos, no entanto, se concentrou em dois processos: o com a empresa Cia de Sucessos, para contratação dos artistas de projeção nacional para espetáculos e oficinas, e outro, com uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), um tipo de ONG, para serviços diversos. Nos dois casos, houve dispensa de licitação , pois tratam-se de exceções existentes na lei de licitações: cachês artísticos, no primeiro, e a contratação de um Termo de Parceria, no segundo. Com esse expediente, pelo menos 80% dos gastos foram feitos sem licitação. ( gráfico 2).







Pagamentos se concentram em poucos prestadores

A tabela 0 relaciona todos os pagamentos efetuados na realização do evento. Como pode ser observado, metade dos contratados em processos específicos aparece novamente na lista, pois também prestaram serviços à OSCIP, o Instituto Centro Brasileiro de Cultura - ICBC (atual Instituto Casa Brasil). Com isso, o grosso dos pagamentos concentrou-se em 7 prestadores , restando apenas R$ 38 mil ( 5% do valor total ) divididos entre todos os demais contratados( gráfico 3, tabela 2 , tabela 3).





Importam os meios ou os fins?

Diante da crônica falta de recursos da Agepel, em especial para as Artes Cênicas, já abordada em textos anteriores, o TENPO é praticamente a única ação desenvolvida para a área. Leva espetáculos à população do norte do estado, distante da capital, e garante um cachê digno aos artistas do estado, que pela época no festival salva o seu o Natal.

Neste sentido, ressalta, antes de mais nada o gasto com os intermediários utilizados nesse modelo de produção. Se são tão poucos os prestadores de serviço finais, qual a vantagem desse modelo?O uso da OSCIP determina, além da sua comissão, o pagamento de auditoria e tributos - no total, quase R$ 34 mil. Considerando uma comissão parecida para a Cia de Sucessos, de 10%, ela corresponderia a quase R$ 30 mil. No total, quase R$ 64 mil , equivalentes ao que foi gasto com os todos os espetáculos de Goiás contratatados ( figura 4, tabela 4).

Outras das maiores despesas também chamam a atenção, como o registro do festival em vídeo, que aparece duas vezes: no processo da OSCIP pelo valor de R$ 15 mil, para a IV TeNPO, e no processo especifico (ao qual não tive acesso), referente à edição anterior, por R$ 40 mil . Um total de R$ 55 mil, novamente próximo ao que se gastou com todos os grupos goianos. Idem para o material gráfico: praticamente R$ 50 mil.

Tomados em conjunto, os itens citados ( intermediários, registro em vídeo e material gráfico), totalizam R$ 169 mil (22%), quase um quarto do custo do festival ou mais do triplo do valor pago em cachês aos grupos de Goiás.


Um por todos, todos por um

A discrepância fica ainda mais evidente se tomados também os cachês pagos aos espetáculos de artistas de projeção nacional: o valor de cada um deles é quase equivalente ao valor pago a todos os espetáculos de Goiás ( figura 5, tabela 5 ). Relembro que trata-se praticamente da única ação da Agepel no fomento às Artes Cênicas.